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Conselho de Ética aprova cassação do deputado João Paulo Cunha

por Sylvio Micelliúltima modificação 10/02/2008 10:17 Última Instância


O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara aprovou por 9 votos a 5 o parecer do deputado Cezar Schirmer (PMDB-RS) que recomenda a cassação do mandato do ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP). A reunião, que teve início às 11 horas, só foi encerrada depois das 20 horas.

Agência Câmara

O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara aprovou por 9 votos a 5 o parecer do deputado Cezar Schirmer (PMDB-RS) que recomenda a cassação do mandato do ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP). A reunião, que teve início às 11 horas, só foi encerrada depois das 20 horas.

"Foi realmente uma reunião longa, cansativa, com muitos detalhes. Houve o voto em separado da deputada Ângela, que levou mais de três horas para ser lido. Nós começamos as 11 horas da manhã. e terminamos depois das 20 horas. Nós estávamos julgando uma pessoa querida, que já foi presidente da Casa", afirmou o presidente do Conselho, deputado Ricardo Izar (PTB-SP).

Na reunião, a deputada Ângela Guadagnin (PT-SP), apresentou voto em separado pedindo o arquivamento do processo contra João Paulo. A deputada levou 3 horas e 50 minutos para ler seu voto de 79 páginas em que contestou as teses do relator.

O relator, no entanto, manteve seu parecer. A acusação em seu relatório foi baseada em três fatos:
- o saque de R$ 50 mil feito pela esposa de João Paulo Cunha de uma das contas da agência de publicidade SMPB, do empresário Marcos Valério, acusado de ser o principal operador do "mensalão";
- a omissão intencional por João Paulo Cunha de fatos e informações relevantes para o Conselho; e
- a utilização em proveito próprio de contrato firmado entre a Presidência da Câmara e a SMPB.

"O fundamental é isso. O saque, a ocultação de informações e o contrato da SMPB, a mesma que deu R$50 mil reais a sua esposa", argumentou o relator.

A reunião foi tensa e até mesmo o deputado João Paulo Cunha, que costuma adotar um tom ameno, fez um discurso agressivo em sua defesa, na qual disse que o relator foi mentiroso, omisso e preconceituoso em seu parecer. "Há partes do relatório que são mentira. Reafirmo que o relator em muitos momentos é omisso, que em muitos aspectos ele é preconceituoso e reafirmo que, em certos momentos, ele esbarra em questões de caráter."

Após a decisão do Conselho, o deputado João Paulo Cunha disse que já se prepara para uma nova batalha para conquistar o voto dos deputados no Plenário. O deputado também não descartou a possibilidade de recorrer à Comissão de Constituição e Justiça e também ao Supremo Tribunal Federal.

O Conselho de Ética volta a se reunir nesta quinta-feira (16), quando será lido o relatório do processo contra o deputado José Mentor (PT-SP). 

Fonte: Última Instância



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