Serra desiste e Alckmin é o adversário de Lula
O prefeito José Serra esperou pela convocação partidária, enquanto o governador Geraldo Alckmin, mais à vontade, pois termina este ano o mandato, tomou a ofensiva. Resultado: levou a melhor quem foi mais ousado.
PSDB escolhe oficialmente o governador de São Paulo
O prefeito José Serra esperou pela convocação partidária, enquanto o governador Geraldo Alckmin, mais à vontade, pois termina este ano o mandato, tomou a ofensiva. Resultado: levou a melhor quem foi mais ousado.
De qualquer forma o PSDB, planejadamente ou não, criou um clima em torno da escolha, ocupando as atenções. Durante quase 20 dias o foco esteve voltado para a escolha tucana, que acabou assim valorizada. E até a exposição do presidente Lula ficou comprometida nesse período... A versão oficial para o desfecho foi a de que o prefeito José Serra abandonou a candidatura porque não queria comprometer a unidade partidária com uma disputa. Na véspera, tardiamente, talvez para marcar posição, Serra colocou seu nome à disposição do Partido, mas recusava participar de prévias.
Alckmin insistiu nelas e o impasse ficou caracterizado, justificando a desistência do prefeito e a confirmação de Alckmin. É a versão oficial. Agora as atenções vão se voltar para a movimentação do candidato tucano que vai começar tentando fixar o PFL na aliança, embora o Partido liderado por Jorge Bornhausen preferisse Serra. No mínimo por uma razão: ocuparia com sua saída a Prefeitura de São Paulo por quase três anos, na medida em que o vice é de seus quadros. O primeiro movimento do PFL foi ganhar tempo, tendo seu presidente, Jorge Bornhausen marcado um encontro com o prefeito do Rio, César Maia, que teve seu nome cogitado para concorrer. Além disso, o PFL vai aguardar a decisão da verticalização. Em resumo, vai ganhar tempo e valorizar o entendimento, surpreendido que foi com o afastamento de Serra, que era o seu nome preferido.
Objetivos de Alckmin
No anúncio da decisão, o comando do PSDB não poupou elogios a Serra, fazendo questão de destacar seu “altruísmo”, além de enfatizar as qualidades de Alckmin. O governador deu logo o tom de sua pregação. Será o candidato da ética e da eficiência. E com essas bandeiras enfrentar Lula, trabalhando no seu desgaste. E aproveitou também o momento da indicação oficial para dizer como recebia a nova missão: “Com humildade para ser instrumento do povo com ousadia e grandeza, porque o Brasil tem pressa de renda, pressa de salário. Não vamos lutar contra indivíduos, mas pela construção de um projeto nacional”. E voltando ao ataque afirmou que “o Brasil não agüenta mais essa onda de corrupção que assolou o país". Não deixou de fazer o elogio de seu concorrente, José Serra "A primeira palavra vai para o grande companheiro José Serra, que possibilitou, nesse gesto de desprendimento, a união do nosso partido".
As razões de Serra
Alckmin e o comando partidário estiveram na Prefeitura, logo depois do anúncio oficial, visitando Serra. Este, pouco antes tinha lançado um comunicado oficial, situando sua posição:
"Quero agradecer, de coração, o imenso apoio de tantos brasileiros a uma possível candidatura minha à Presidência da República, apoio que se traduziu numa posição de relevo nas pesquisas eleitorais feitas desde meados do ano passado. Creio que essas avaliações expressam o reconhecimento do meu trabalho como ministro da Saúde, de minha longa militância e coerência na vida pública e de minha atuação como prefeito de São Paulo. Em segundo lugar, agradeço aos companheiros do meu partido e a muitas outras pessoas que me incentivaram a sair candidato a presidente, convencido de que essa seria a melhor opção para repor o Brasil no caminho do desenvolvimento, da expansão do emprego, da austeridade e da moralidade da vida pública, rumos estes perdidos pelo governo do PT. Coloquei-me à disposição do PSDB para assumir a candidatura se isso refletisse o desejo geral de todos os setores partidários. Surgiu, porém, a necessidade de uma disputa interna em razão da legítima postulação do governador Geraldo Alckmin e do seu desejo de que fosse realizado algum tipo de prévia entre os militantes tucanos. Isto, no entanto, traria sérios riscos de divisão no partido, a começar por São Paulo, servindo aos propósitos de nossos adversários.
Meu senso de responsabilidade política leva-me a colocar acima de qualquer aspiração pessoal nosso objetivo comum, que é dar um novo rumo ao País. Por isso, e por considerar Geraldo Alckmin habilitado para vencer a eleição e ser o próximo presidente, cerro fileiras, com o Partido, em torno de sua candidatura".
Agora São Paulo
E a sucessão para o governo paulista como fica? O presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati, não descarta o nome do prefeito de São Paulo, José Serra, mas não entrou no assunto. Ao menos ontem, admitindo que esta é uma discussão que o PSDB fará de agora em diante, ficando para um segundo momento. Se houver evolução nesse sentido, uma preliminar já existe. Por coerência, Serra só aceitaria uma indicação nesse sentido se convocado pelo Partido, sem nenhuma disputa...
Uma preocupação partidária ficou muito evidente em todo esse processo que envolveu a candidatura à Presidência: a base paulista. O PSDB cresceu no país a partir dela e não pretende perdê-la. A prefeitura foi mantida e o governo estadual passa a ser um outro desafio. Deslocar Serra pode dar certo, mas vai exigir muita avaliação. Quanto a Alckmin seu projeto é começar a conversar para consolidar alianças. O PFL tem a preferência, mas nem o PMDB é descartado.
Por Carlos Fehlberg (Mais política em Fique Atento/bastidores de mesma autoria)
Fonte: Política para Políticos
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