Amparado por habeas corpus, Duda deixa CPI sem respostas
O publicitário Duda Mendonça, em seu segundo depoimento à CPI dos Correios, na manhã de ontem, negou-se a responder a qualquer questionamento. "Não vou responder a essa pergunta" foi a frase mais usada, sob a alegação de evitar dizer algo que viesse a incriminá-lo. Duda tomou essa atitude amparado em habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo o presidente da CPI dos Correios, Delcidio Amaral, o silêncio do publicitário "abre um precedente perigoso" que pode afetar outras comissões de inquérito
O publicitário Duda Mendonça, em seu segundo depoimento à CPI dos Correios, na manhã de ontem, negou-se a responder a qualquer questionamento. "Não vou responder a essa pergunta" foi a frase mais usada, sob a alegação de evitar dizer algo que viesse a incriminá-lo. Duda tomou essa atitude amparado em habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
No início do depoimento, o publicitário pediu desculpas pela postura que adotaria, que seria diferente, com adiantou, de sua atitude em agosto de 2005, quando compareceu sem ser convocado e, como garantiu, "disse a verdade". Ele afirmou que, após ter sofrido o que chamou de uma campanha difamatória de sua imagem, seus advogados o teriam aconselhado a ficar calado desta vez para não prejudicar sua defesa.
Nem mesmo a acusação de "obstrução a investigação", feita pelo relator-adjunto deputado Maurício Rands (PT-PE), e os apelos emocionais da senadora Heloísa Helena (PSOL-AL) para a importância da honestidade fizeram Duda mudar de postura.
– Fui ridicularizado. Não vou me emocionar e não vou responder – limitou-se a dizer.
Duda chegou a conversar com seus advogados para receber "autorização" e responder a questionamentos como o nome de seus filhos e de sua mulher, mas a postura de não colaborar foi mantida. Ele afirmou que "a intenção é colaborar, mas no momento certo".
O relator da CPI, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), disse lamentar a insistência do depoente em manter-se calado.
– Prefiro o Duda Mendonça da verdade, não o do silêncio – afirmou.
Na segunda parte do depoimento, a portas fechadas, o publicitário manteve a estratégia de não responder aos questionamentos. Por orientação da Justiça norte-americana, que forneceu à comissão dados sigilosos sobre a movimentação bancária de Duda no exterior, só participaram da sessão o presidente do colegiado, Delcidio Amaral (PT-MS), o relator, Osmar Serraglio, e os relatores-adjuntos, Maurício Rands e Eduardo Paes (PSDB-RJ).
Para Delcidio, a estratégia adotada pelo publicitário "abriu um precedente muito perigoso".
– As conseqüências do que se passou aqui hoje serão sentidas em outras CPIs e nas demais atividades parlamentares – disse.
O senador destacou um trecho da liminar do STF que, observou, dá margem a uma interpretação por demais subjetiva. O texto diz que, "com relação aos fatos que não impliquem em auto-incriminação, persiste a obrigação do depoente de prestar informações".
Na opinião de Serraglio, Duda Mendonça fez uso indevido da liminar concedida pelo STF.
– Vou analisar a possibilidade de ele ser indiciado por isso – reconsiderou o relator.
Fonte: Jornal do Senado
Foto: J. Freitas
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