Caseiro diz que confirma "até morrer" suas declarações
O caseiro Francenildo Santos Costa confirmou ontem, na Comissão Parlamentar de Inquérito dos Bingos, as denúncias que havia feito contra o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, ao jornal O Estado de S. Paulo. Nildo, como é mais conhecido, disse "confirmar até morrer" que Palocci freqüentava uma casa no Lago Sul, em Brasília, alugada por um ex-assessor do ministro quando ele era prefeito de Ribeirão Preto (SP).
Depoente afirma ter conversado com Palocci pelo interfone da mansão da "república de Ribeirão Preto" e detalha o carro que era usado pelo ministro
O caseiro Francenildo Santos Costa confirmou ontem, na Comissão Parlamentar de Inquérito dos Bingos, as denúncias que havia feito contra o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, ao jornal O Estado de S. Paulo. Nildo, como é mais conhecido, disse "confirmar até morrer" que Palocci freqüentava uma casa no Lago Sul, em Brasília, alugada por um ex-assessor do ministro quando ele era prefeito de Ribeirão Preto (SP).
Segundo Nildo, Palocci chegava dirigindo um automóvel Peugeot de quatro portas, de cor prata, e a mansão era usada, basicamente, para realização de festas que ocorriam à noite e para partilha de "dinheiro que chegava em malas". A confirmação foi feita pelo depoente em resposta a uma indagação da senadora Heloísa Helena (PSOL-AL). Em entrevista coletiva na quarta-feira, o caseiro afirmou que chegou a conversar com Palocci, pelo interfone da casa, num sábado.
Em resposta ao líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), Nildo garantiu que não recebeu dinheiro de ninguém para prestar todas as informações. Houve uma longa discussão para decidir se a reunião seria aberta ou ocorreria de forma reservada.
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) chegou a votar a favor da vinda de Nildo à CPI, desde que a audiência fosse fechada. Aloizio Mercadante (SP), Sibá Machado (AC) e Flávio Arns (PR), todos do PT, enalteceram a pessoa de Palocci, classificado por eles como um homem íntegro, e afirmaram que o ministro não poderia ser exposto pela comissão. Mas a oposição entendeu que os fatos comprometem frontalmente Palocci como ministro, e não a vida pessoal dele. Ao final, o presidente da CPI, senador Efraim Morais (PFL-PB), decidiu que a reunião seria aberta.
Depoimento
O caseiro confirmou também que o ministro da Fazenda era tratado por "chefe" pela chamada "república de Ribeirão Preto", composta por Rogério Buratti, Vladimir Poleto, Ralf Barquete (já falecido) e pelo atual assessor especial do ministro, Ademirson Ariovaldo da Silva, que está de férias.
Nildo sustentou ainda que Palocci "tinha grande amizade com Buratti", o que havia sido negado pelo ministro durante depoimento à CPI. Na ocasião, além de negar qualquer vínculo de amizade com Buratti ou Barquete, Palocci garantiu que jamais fora à casa. Nildo reafirmou ter visto o ministro várias vezes na mansão. Ele também contou que viu grande quantidade de dinheiro na casa, "que dava para forrar malas", mas não chegou a fazer a ligação de Palocci com esses valores.
O senador Alvaro Dias (PSDB-PR), autor do requerimento para convocação de Nildo, exibiu em um telão fotos de pessoas que poderiam ter freqüentado a mansão, para que o caseiro pudesse identificar quais delas havia visto na casa. Ele reconheceu a foto de Palocci e, quando foi exibida a fotografia de Vladimir Poleto, o caseiro comentou:
– Esse era o meu patrãozinho.
Afastamento
O senador Pedro Simon (PMDB-RS) observou que a CPI dos Bingos não tem "má vontade" em relação a Palocci, mas sugeriu que, devido aos fatos que estão surgindo, o ministro da Fazenda deveria afastar-se do cargo por 30 dias, o que coincidiria com a conclusão dos trabalhos da comissão. O senador Wellington Salgado (PMDB-MG) discordou de Simon e lembrou que o ministro não estava presente à reunião da comissão para defender-se.
O senador Tião Viana (PT-AC) anunciou que havia entrado com um pedido de liminar junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) a fim de que aquela corte avaliasse o andamento do rito processual dos trabalhos em curso na CPI dos Bingos. A liminar veio a ser concedida.
– A vida particular do ministro não é objeto de investigação da CPI – enfatizou Tião Viana.
Fonte: Jornal do Senado
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