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CPMI quer indiciar Duda por obstruir investigações

por Sylvio Micelliúltima modificação 10/02/2008 10:18 Agência Câmara


O relator da CPMI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), anunciou nesta quarta-feira que vai solicitar um estudo à consultoria jurídica da comissão para verificar se o publicitário Duda Mendonça pode ser indiciado por obstrução das investigações.

J.Batista
 
O relator da CPMI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), anunciou nesta quarta-feira que vai solicitar um estudo à consultoria jurídica da comissão para verificar se o publicitário Duda Mendonça pode ser indiciado por obstrução das investigações.
O publicitário Duda Mendonça não respondeu a nenhuma pergunta feita pelos integrantes da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios, durante as duas reuniões da comissão. Protegido por um habeas corpus, Duda respondeu "sim", apenas quando perguntado pelo deputado Carlos Willian (PTC-MG) se acreditava em Deus. O habeas corpus garantia o direito de silêncio ao depoente caso ele notasse que uma eventual resposta poderia incriminá-lo.
 
CPIs comprometidas
Osmar Serraglio teme que a atitude de Duda Mendonça possa comprometer o trabalho de CPIs futuramente. O senador Jefferson Peres (PDT-AM) disse que já observou, em outras CPIs das quais participou, depoentes que se recusaram a responder a uma ou mais perguntas; porém, confessou jamais ter visto alguém calar-se diante de todas as indagações.
O deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) também alerta que o comportamento de Duda Mendonça poderá representar a "falência" do sistema de depoimentos das CPIs. O presidente da comissão, senador Delcidio Amaral (PT-MS), reforçou a preocupação, ao lembrar que é impossível determinar quando uma pergunta de parlamentar pode ou não levar o acusado a ser incriminado. O deputado Maurício Rands (PT-PE) disse que Duda recusou-se a responder, inclusive, a perguntas não relacionadas diretamente a seu caso, mas que poderiam ajudar nas investigações da CPMI, já que ele atua na área política há muitos anos. "Isso pode agravar a pena de Duda caso ele seja réu em alguma ação penal", previu o deputado.
 
Duas reuniões
A primeira reunião da CPMI foi aberta, por pressão dos parlamentares, e a segunda reservada. Delcidio Amaral pretendia que o encontro fosse fechado desde o começo. O motivo era compromisso assumido pela CPMI com autoridades norte-americanas de evitar a divulgação de dados sigilosos referentes às contas do publicitário no exterior. Participaram da reunião fechada o relator Serraglio, o presidente Delcídio e os deputados Rands e Eduardo Paes (PSDB-RJ), ambos sub-relatores da comissão.
 
Prejuízos pessoais
"Da outra vez, abri meu coração e fui ridicularizado. Agora, não vou me emocionar, nem sair do script", resumiu Duda para explicar seu silêncio. Ele destacou que desobedeceu a seus advogados e falou a verdade no depoimento prestado de forma espontânea em 11 de agosto de 2005. E avaliou que, por isso, foi a pessoa mais atingida pelas investigações da CPMI.
Na ocasião, Duda revelou ter aberto conta no paraíso fiscal das Bahamas, em nome da empresa offshore Dusseldorf, para receber R$ 10,5 milhões do caixa dois do PT. Duda Mendonça foi responsável por campanhas do partido nas eleições de 2002, entre elas a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
 
Da Reportagem
Edição - Sandra Crespo
 
Agência Câmara




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