Ato lança campanha contra a privatização da linha 4 do metrô
Metroviários têm conseguido êxito nas ações contra a privatização. A última suspendeu o processo de licitação da linha 4 do metrô. Um dos motivos para esse impasse é que, pelo edital lançado pelo governo estadual, a empresa que formalizar essa parceria terá lucro garantido ao longo das três décadas de vigência do contrato
Na noite desta quinta-feira, 23 de março, aconteceu o ato de lançamento da
Campanha contra a privatização da linha 4 do metrô, no Auditório Franco Montoro
da Assembléia Legislativa. O evento, organizado pelo Sindicato dos Metroviários
de São Paulo, marca o início de uma luta de diversas organizações, partidos e
entidades contra as pretensões do governo Geraldo Alckmin de realizar a primeira
Parceria Público Privada (PPP) do Estado.
Entre os participantes, destaque para membros de quatro partidos políticos:
PT, PCdoB, PSTU e PSOL. Lideranças da CUT, da Fenametrô, do Sindicato dos
Trabalhadores em Água e Esgoto (Sintaema), parlamentares da Câmera Federal e da
Assembléia Legislativa de São Paulo.
Os metroviários vêm conseguindo diversas vitórias nos últimos dias. A mais
importante, foi conseguir, por meio do Tribunal de Contas do Estado, suspender o
processo de licitação da linha 4 do metrô. Durante o ato, o presidente do
Sindicato dos Metroviários, Flávio Montesinos Godói, ressaltou a importância
dessa decisão. "Essa vitória é um mérito de todos aqueles envolvidos nesta luta
contra a privatização. Esse ato mostra a dimensão da categoria dos metroviários
e essa luta mostra a importância desse processo em todo país contra as PPP´s",
afirmou.
Histórico
O artifício utilizado pelo governo paulista para privatizar a Linha
4-Amarela é a implantação da primeira Parceria Público Privada (PPP) do Estado.
De acordo com o contrato proposto, o setor público investirá US$ 922 milhões no
empreendimento (73% do total) e ainda investirá na modernização e ampliação da
Linha C da CPTM, enquanto a iniciativa privada se responsabilizará pelos 27%
restantes (aproximadamente US$ 340 milhões).
O Sindicato dos Metroviários de São Paulo e as demais entidades que
condenam a privatização do Metrô questionam a necessidade de entregar à
iniciativa privada o serviço público mais bem avaliado pela população
paulistana, entre outras irregularidades.
Pelo edital lançado pelo governo estadual, a empresa que formalizar essa
parceria terá lucro garantido ao longo das três décadas de vigência do contrato.
Outros dois pontos da proposta lançada pelo governo estadual preocupam os
trabalhadores e parte da sociedade: o edital proposto pelo governo estadual não
dá nenhuma garantia de que os trabalhadores que virão a ser contratados para a
Linha 4-Amarela terão respeitados os direitos conquistados ao longo dos últimos
anos; além disso, as dezenas de privatizações realizadas ao longo dos últimos
anos (tanto em São Paulo quanto em todo o Brasil) demonstram que tal artifício
não é sinônimo de benefícios para a população. Muito pelo contrário: em geral,
as empresas privadas obtiveram lucros imensos, enquanto os cidadãos e
principalmente os trabalhadores dessas empresas foram prejudicados.
Pauta do Dia - Governo do Estado de São Paulo - 15/07/2008
Pauta do Dia - Governo do Estado de São Paulo - 03/06/2008