Tribunal não tem verbas, mas afirma que cumprirá a data-base da categoria
Reunião entre o presidente do TJ-SP e entidades representativas do Judiciário discutem sobre a questão da data-base que, em vigência desde 1º de março, permite que sejam abertas as negociações sobre índices de reajuste
Aconteceu na manhã de quarta, 22, uma reunião entre o presidente do
TJ-SP, desembargador Celso Luiz Limongi e entidades representativas do
Judiciário. O principal tema de discussão foi a questão da data-base que, em
vigência desde 1º de março, permite que sejam abertas as negociações sobre
índices de reajuste.
Segundo o juiz auxiliar, Cláudio Graciotto, esta gestão herdou um orçamento
do ano passado e que não traz nada em relação à reposição salarial dos
servidores do Judiciário, mas que o TJ já está em negociação com o Executivo e
Legislativo para verba suplementar. Graciotto afirmou que o ano já começa com um
déficit de R$ 140 milhões, só para cumprir os salários.
O presidente da ASSETJ, José Gozze, questionou o percentual da Lei de
Responsabilidade Fiscal, que permite ao Judiciário o gasto de até 6% das
receitas correntes líquidas do Estado. O ano de 2005 se encerrou com o
percentual de apenas 3,96%. Gozze afirmou que o TJ precisa ser forte para ter a
autonomia financeira necessária.
Em resposta, Celso Limongi afirmou que ele tem trabalhado "com altivez e se
empenhando muito". Disse que se "preocupa em resolver o problema mesmo".
Vergonha
O presidente do TJ prosseguiu afirmando que tem trabalhado para fixar em
orçamento, o percentual mínimo de 6% na Constituição Estadual. Segundo ele "a
sociedade vai aos poucos se sensibilizando". "Nosso Judiciário é um mal exemplo.
Fico envergonhado do que não fazemos, mesmo São Paulo sendo o maior estado da
Nação. Eu, na condição de presidente tenho obrigação de fazer minha parte, ao
mostrar as agruras do Judiciário para a sociedade".
Limongi afirmou que esteve recentemente em reunião com empresários na Fiesp
(Fedeação das Indústrias de São Paulo) e foi criticado pela lentidão do
Judiciário. Em resposta discorreu sobre a necessidade de mais recursos e que
contava com o apoio da sociedade.
O presidente do TJ ressaltou que seu discurso "não é mera retórica" e que
espera "ter frutos" deste trabalho. Salientou que "não sonega
informações".
O presidente do Conselho Deliberativo da ASSETJ, Julio Bonafonte afirmou
que já passou a hora do Judiciário "exercer sua autonomia
administrativo-financeira". Ele solicitou que fosse informado, com a maior
brevidade, os valores a serem suplementados.
Retroatividade
Cláudio Graciotto disse que a data-base será cumprida, mesmo "que
retroativamente" e que o TJ trabalha com percentuais indicados pelo INPC (Índice
Nacional de Preços ao Consumidor). Celso Limongi afirmou que "todo o esforço"
vai ser feito e discorda que o Tribunal esteja de chapéu na mão. Será uma
"conversa de Poder para Poder", segundo ele. "Eu confio em mim", opinou sobre
sua forma de atuação, segundo ele adotada desde seu tempo como presidente da
Apamagis (Associação Paulista de Magistrados). Limongi informou que há um
projeto dele pronto, a ser encaminhado para a Assembléia Legislativa, que
repassa os valores das custas processuais para o Tribunal, a exemplo do que
acontece com o estado do Rio de Janeiro, entre outros.
Aprovação dos 26,39% e dívidas do TJ
José Gozze pediu ao presidente do TJ, o apoio e seu contato na Assembléia
para aceleração do Projeto de Lei 479/04, que concede reajuste salarial aos
servidores ativos e inativos do Poder Judiciário do Estado de São Paulo, nos
termos do inciso X do artigo 37 da Constituição Federa e que teve aprovado o
parecer do relator, deputado Jorge Caruso (PMDB), na Comissão de Finanças e
Orçamento ontem, dia 21. Gozze alegou que a simples aprovação na CFO não adianta
se não houver uma pressão conjunta das entidades e do Judiciário. "Precisamos
que V.Exa. trabalhe em convergência conosco, nessa empreitada".
Segundo Lilian de Paula Salvador, secretária de Recursos Humanos, está
sendo feito um estudo de todas as dívidas do Tribunal com os servidores para
que, em seguida, se estabeleça um cronograma de pagamento.
Faltas injustificadas e Licenças-prêmio
Discutiu-se com o presidente a questão das faltas injustificadas atribuídas
aos servidores grevistas de 2004, que geraram descontos salariais e outras
perdas de ordem pessoal. Limongi afirmou que vai estudar o assunto e que
recentemente ampliou em um ano o prazo para a compensação da greve de
2001.
Sobre a questão do cálculo e concessão de licenças-prêmio, que têm sido
objeto de reclamação dos servidores, o presidente do TJ afirmou que existem mais
de 15 mil pedidos desde agosto de 2004, quando o Tribunal reconheceu
administrativamente o direito aos servidores regidos pela Lei 500/74, e que a
Secretaria de Recursos Humanos (SRH) está envidando todos os esforços para
regularizar as solicitações o mais rápido possível, priorizando os pedidos de
servidores que tenham problemas de saúde ou estejam próximos da
aposentadoria.
Plano de Cargos
Celso Limongi afirmou que em relação do Projeto de Lei Complementar nº
43/2005, que institui o Plano de Cargos e Carreira, nada se pode fazer. Ele
defende que se aprove da forma que está e que se altere depois. Graciotto
ponderou que qualquer alteração do PLC 43 deve retornar ao Pleno do TJ para
avaliação.
Nova reunião ficou marcada para o dia 12 de abril às 8
horas no Palácio da Justiça, quando se espera já haver um índice
definido de reposição salarial.
Participaram da reunião:
Presidente: Celso Luiz Limongi
Juizes Auxiliares: João Omar Marçura, Cláudio Graciotto, Carlos Violante, Ronnie Herbert
Secretária: Lilian de Paula Salvador
Entidades: ASSETJ - FENASJ - ASJCOESP - AASPTJ-SP - APATEJ - AFFI - ASSOJUBS - AOJESP - ASSOJURIS - SINDICATO UNIÃO
Juizes Auxiliares: João Omar Marçura, Cláudio Graciotto, Carlos Violante, Ronnie Herbert
Secretária: Lilian de Paula Salvador
Entidades: ASSETJ - FENASJ - ASJCOESP - AASPTJ-SP - APATEJ - AFFI - ASSOJUBS - AOJESP - ASSOJURIS - SINDICATO UNIÃO
Ministro Gilmar Mendes determina que o CNJ ajude a coibir prostituição infantil