Governo Lula perde mais um homem-forte e volta a ser assombrado pela questão ética
O ministro da Fazenda, Antônio Palocci, não resistiu à pressão das denúncias, agravadas pela quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo, e entregou seu cargo. Guido Mantega, que presidia o BNDES, já assumiu a Pasta, dizendo que a política econômica será mantida. Mesmo assim, o Planalto sai no prejuízo, como no ano passado
O ministro da Fazenda, Antônio Palocci, não resistiu à pressão das denúncias, agravadas pela quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo, e entregou seu cargo. Guido Mantega, que presidia o BNDES, já assumiu a Pasta, dizendo que a política econômica será mantida. Mesmo assim, o Planalto sai no prejuízo, como no ano passado
Palocci não resistiu. Quase ao mesmo tempo em que o presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso, revelava em depoimento à Polícia Federal detalhes da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos, o ministro sentia a perda de condições para prosseguir no governo. Ele já dissera no fim de semana, ao falar ao empresariado, que vivia um verdadeiro "inferno". Renunciou e abriu caminho para Lula substituí-lo logo pelo presidente do BNDES e seu ex-assessor econômico, Guido Mantega.
As pressões política e da opinião pública foram decisivas. A imprensa não deu trégua e Lula acabou abrindo mão do terceiro forte ministro que lhe acompanhava desde o início da gestão. José Dirceu foi o primeiro e Luiz Gushiken reduziu suas funções e status em 2005. Agora foi a vez de Palocci. Mais do que ministro, ele comandou a campanha de Lula e foi o responsável pela transição, convivendo com o staff de Fernando Henrique, logo depois da eleição. Com trânsito junto à comunidade internacional, firmou-se logo nas relações com as autoridades econômicas e financeiras, desfrutando de confiança do presidente, assim como do empresariado nacional.
A mudança
2005 já terminara com a oposição no Congresso, com a qual sempre convivera bem, mudando de postura e partindo para a ofensiva. Novas convocações e as denúncias ligadas às ações do grupo de Ribeirão Preto que citavam sua presença na mansão alugada pelos ex-assessores, ganharam mais intensidade e terminaram por mudar o quadro. O surgimento de personagens que contrariaram suas versões só agravou a situação. Nos últimos 40 dias, ele passou a ser o principal alvo político no Congresso. As declarações e informações de um caseiro, um motorista e um corretor ligados ao fato criaram um quadro de desmentidos, deixando-o em situação ainda mais delicada diante do Congresso. Mas foi a firmeza do caseiro Francenildo dos Santos que se tornou decisiva. Não só pelo que dizia perante a CPI dos Bingos (seu depoimento acabou interrompido por liminar do PT ao STF), mas pela perseguição de que passou a ser alvo.
A mudança
2005 já terminara com a oposição no Congresso, com a qual sempre convivera bem, mudando de postura e partindo para a ofensiva. Novas convocações e as denúncias ligadas às ações do grupo de Ribeirão Preto que citavam sua presença na mansão alugada pelos ex-assessores, ganharam mais intensidade e terminaram por mudar o quadro. O surgimento de personagens que contrariaram suas versões só agravou a situação. Nos últimos 40 dias, ele passou a ser o principal alvo político no Congresso. As declarações e informações de um caseiro, um motorista e um corretor ligados ao fato criaram um quadro de desmentidos, deixando-o em situação ainda mais delicada diante do Congresso. Mas foi a firmeza do caseiro Francenildo dos Santos que se tornou decisiva. Não só pelo que dizia perante a CPI dos Bingos (seu depoimento acabou interrompido por liminar do PT ao STF), mas pela perseguição de que passou a ser alvo.
Pela primeira vez em todo o episódio, uma testemunha passava a ser acompanhada de perto por agentes do governo. Foi detido para prestar depoimento, ao mesmo tempo em que seu sigilo bancário era quebrado. Aí virou o fio. À intensidade e exagero da operação podem ser creditados a mudança de rumos do caso, pois a oposição e a mídia investigativa também agiram com intensidade. O vazamento da informação sobre um depósito na conta bancária de Francenildo, revelando a quebra ilegal do sigilo, foi a gota d'água. A partir daí tudo se complicou para o governo. As suspeitas cresceram, as informações-chave começaram a aparecer e, afinal, Jorge Mattoso, que pedira 15 dias de prazo para a CEF apurar os fatos, admitiu ontem que a quebra do sigilo ocorrera e que os dados sobre a movimentação da conta foram entregues ao ministro.
A nova baixa
Antônio Palocci nem esperou o fim-de-semana, quando o ministério será reformulado para liberar os candidatos em outubro: demitiu-se e foi quase imediatamente substituído por Guido Mantega, que dirigia o BNDES. Para tranqüilizar o mercado, o novo titular da Fazenda garantiu que vai manter a atual política econômica, mas o saldo do episódio é negativo para o governo. Mais uma vez, por questões éticas, o presidente se vê compelido a abrir mão de um dos seus principais assessores. E vê reaparecer o debate em torno da lisura de sua equipe. Às vésperas da corrida eleitoral engrenar, Lula começa uma importante semana na defensiva. Ele já dera uma volta por cima, favorecido pelo recesso parlamentar e o afastamento de José Serra da campanha. Passara a ter à mercê o PMDB, com a decisão sobre a verticalização, mas de novo, o problema veio de dentro. Tal como em 2005.
Antônio Palocci nem esperou o fim-de-semana, quando o ministério será reformulado para liberar os candidatos em outubro: demitiu-se e foi quase imediatamente substituído por Guido Mantega, que dirigia o BNDES. Para tranqüilizar o mercado, o novo titular da Fazenda garantiu que vai manter a atual política econômica, mas o saldo do episódio é negativo para o governo. Mais uma vez, por questões éticas, o presidente se vê compelido a abrir mão de um dos seus principais assessores. E vê reaparecer o debate em torno da lisura de sua equipe. Às vésperas da corrida eleitoral engrenar, Lula começa uma importante semana na defensiva. Ele já dera uma volta por cima, favorecido pelo recesso parlamentar e o afastamento de José Serra da campanha. Passara a ter à mercê o PMDB, com a decisão sobre a verticalização, mas de novo, o problema veio de dentro. Tal como em 2005.
Carlos Fehlberg
Fonte: Política para Políticos
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