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A importância do ensino bilíngüe aos surdos

por Sylvio Micelliúltima modificação 10/02/2008 10:26 Ricardo Viveiros - Oficina de Comunicação


De acordo com a Escola para Crianças Surdas Rio Branco, da Fundação de Rotarianos de São Paulo, a educação em Libras e Português é a única que respeita a identidade do surdo.

De acordo com a Escola  para Crianças Surdas Rio Branco, da Fundação de Rotarianos de São Paulo, a educação em Libras e Português é a única que  respeita a identidade do surdo.

O ensino bilíngüe a surdos consiste no acesso a Libras (Língua Brasileira de Sinais) como primeira língua e o português, língua majoritária, como segunda. “Isto significa respeitá-lo enquanto minoria, para que saibam Libras e conheçam a cultura surda”, afirma Sabine Vergamini, coordenadora técnica da Escola para Crianças Surdas Rio Branco (ECS), mantida pela Fundação de Rotarianos de São Paulo. Ao contrário de algumas instituições, que trabalham com o português oral, na ECS é abordado somente o escrito.

A instituição, fundada em 1977, defende que o ensino bilíngüe é a melhor maneira de realizar a educação a surdos. “Na ECS, a educação começa desde os primeiros meses da criança, com o Programa Estimulação do Desenvolvimento que atende bebês surdos de zero a três anos, garantindo o desenvolvimento de linguagem das crianças e a aquisição da LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) desde cedo”.

Em seguida, os alunos são encaminhados para a Educação Infantil e, depois  para o Ensino Fundamental I. “O contato com o português escrito se dá desde a educação infantil, mas a formalização do trabalho com a língua escrita é partir da 1ª série do Ensino Fundamental”. Após a formatura, os alunos são encaminhados para outras instituições para cursar o Ensino Fundamental II e Ensino Médio, por meio do Programa Continuidade de Escolaridade. A Fundação de Rotarianos mantém parcerias com outras escolas, inclusive com o Colégio Rio Branco, onde os alunos surdos têm aulas acompanhados por intérpretes de Libras/ Língua Portuguesa.

“Surdos são diferentes de ouvintes e precisam receber um ensino com outros tipos de abordagens. Não temos a intenção de transformar nossos alunos em ‘pseudo-ouvintes’, uma prática comum no passado em outras instituições. Enfatizamos uma educação que privilegie o visual, onde as informações possam ser bem recebidas por este canal, que, na grande maioria dos casos, não está prejudicado”, explica Sabine.

Estar em contato com a língua de sinais e a língua portuguesa na forma da escrita permite que o surdo alcance um desenvolvimento completo. Desta forma, ele poderá pertencer e interagir não só com surdos, mas com ouvintes também. São dois mundos diferentes, mas que fazem parte do cotidiano dos surdos, já que na maioria dos casos, pais, familiares e amigos são ouvintes.

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