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Instituto Pelé Pequeno Príncipe vence Prêmio Saúde Oncologia América Latina

por Sylvio Micelliúltima modificação 10/02/2008 10:26 Lead Comunicação Organizacional


Pesquisa sobre a cura de crianças com câncer de córtex adrenal baseada em evidências fica com o primeiro lugar na disputa que envolveu mais de 170 projetos de vários países da AL

Pesquisa sobre a cura de crianças com câncer de córtex adrenal baseada em evidências fica com o primeiro lugar na disputa que envolveu mais de 170 projetos de vários países da AL.

A pesquisa sobre a cura do câncer de córtex adrenal em crianças, desenvolvida pelo Instituto Pelé Pequeno Príncipe - IPP (Curitiba-PR), foi a vencedora do Prêmio Saúde Oncologia América Latina, na categoria trabalho científico, promovido pela Novartis Oncologia e Aguilla Saúde. O projeto do IPP concorreu com outros 170, de vários países da América Latina, como México, Argentina, Uruguai e Venezuela.

Os trabalhos e projetos foram avaliados por uma comissão julgadora, formada por cientistas e profissionais latino-americanos da área da saúde e terceiro setor. Após um rigoroso processo de avaliação, foram selecionados dez trabalhos finalistas de cada categoria. Desses, cinco trabalhos científicos e cinco sociais foram premiados.

A pesquisa

Coordenada pelo cientista Bonald C. Figueiredo, a pesquisa vencedora está disponibilizando aos recém-nascidos do Paraná um teste de DNA para identificação de uma mutação genética responsável pelo desenvolvimento do tumor de córtex adrenal.

A incidência desse tipo de câncer é bastante aumentada no Paraná e São Paulo, devido a uma mutação genética que praticamente só ocorre nesta região. Enquanto a literatura científica internacional apresenta a incidência da doença entre 0,2, e 0,4 por um milhão de crianças com até 15 anos, no Paraná a incidência é de 3,5 por um milhão de crianças nessa faixa etária. Sabe-se que alterações genéticas, chamadas mutações, são responsáveis por diversos tipos de câncer. Enquanto no resto do mundo a alteração genética responsável pelo aparecimento do tumor de córtex adrenal ocorre nos éxons de 2 a 8 do gene TP53, a mutação que ocorre no sul do Brasil está presente no éxon 10. Éxon é entendido como uma região dentro de um gene.

Embora esta mutação genética seja uma importante causa do aparecimento do tumor, ela não é a única. Vários outros fatores estão envolvidos na gênese do tumor. Por isso apenas 10% das crianças que possuem a mutação, vêm a desenvolver o tumor.

As crianças que apresentam a mutação passam a receber acompanhamento e caso venham a desenvolver o tumor, terão o diagnóstico feito precocemente, ampliando as chances de cura dos atuais 50% para 95%.

Como a pesquisa abrangerá todo o Paraná, a intenção é elaborar um sistema de processamento georeferenciado para cruzar dados e entender a relação entre os fatores ambientais e genéticos ligados a este tipo de câncer – que fica na parte cortical da glândula supra-renal, em cima de cada rim. “Esse tipo de pesquisa é inédita por ser feito com base em um teste de DNA e por oferecer acompanhamento de diagnóstico precoce e aconselhamento genético para crianças com teste positivo para a mutação” explica o cientista. “Além disso, a equipe do Instituto vai oferecer suporte e orientação aos médicos e pacientes de todo estado, de modo que as crianças portadoras da mutação possam ser acompanhadas e examinadas pelos médicos de sua preferência, em sua própria cidade, com toda a segurança.

Teste de DNA

O teste de DNA nos recém-nascidos é feito em uma gota de sangue, recolhido do pé da criança, da mesma forma que o já conhecido teste do pezinho. A diferença entre os dois é que para o exame de DNA, a coleta pode ser feita em qualquer momento enquanto a criança estiver na maternidade, sem a necessidade de se completar as 48 horas de vida. “Porém, para o bebê não passar por duas punções, sugerimos que o sangue seja coletado junto com o teste do pezinho”, explica Figueiredo. Outra diferença é que o teste de DNA só é feito com autorização expressa da mãe da criança, que precisa assinar um termo de consentimento.

O teste começou a ser oferecido nas maternidades públicas e privadas de Curitiba (PR) em dezembro de 2005 e, gradativamente, está sendo estendido ao restante do Paraná. Num período de dois anos, o teste será oferecido a 360 mil crianças paranaenses.

A tecnologia utilizada para realizar a análise do DNA foi totalmente desenvolvida pela equipe de Bonald, o que permitiu a redução dos custos e a conseqüente viabilidade de aplicação em larga escala. Enquanto um teste de DNA normal custa em torno de R$ 400,00, a adaptação técnica feita pelos pesquisadores permitiu que o teste aplicado dentro dessa pesquisa fique em R$ 2,70. A Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná é uma das parceiras do Instituto e está financiando a aplicação dos testes.

Salvando vidas

No Paraná são diagnosticados anualmente cerca de 15 casos de tumor de córtex adrenal em crianças e o índice de morte supera os 50%. Entre os sintomas estão o aparecimento de pelos na genitália da criança, acne, alteração no timbre da voz, ganho de peso e hipertensão. “Normalmente quando procuram atendimento médico os pais contam que os sintomas surgiram há mais de um ano. O diagnóstico tardio leva ao alto índice de mortalidade”, explica Figueiredo.

Instituto Pelé Pequeno Príncipe

O Instituto Pelé Pequeno Príncipe - Pesquisa em Saúde da Criança e do Adolescente é a unidade de pesquisa do Complexo Pequeno Príncipe, uma entidade sem fins lucrativos, localizada em Curitiba (PR). Iniciou suas atividades em setembro de 2005 para desenvolver pesquisas de todas as especialidades pediátricas. Os principais focos de investigação são as doenças complexas que hoje apresentam limitações no diagnóstico e/ou tratamento e que têm maior incidência no Brasil.

O Instituto tem como missão aumentar o percentual de cura de doenças da criança e do adolescente e tem como meta ser um dos líderes da América Latina na geração de conhecimentos, produtos e procedimentos por meio da pesquisa científica em pediatria.

Conta com o apoio do Atleta do Século, o Pelé, que doou ao Instituto o uso do seu nome e sua marca para ajudar na mobilização de recursos para a manutenção e desenvolvimento dos projetos.

Fonte: Lead Comunicação Organizacional
Hedylaine Boscolo: (11) 3168-1412



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