Parceria garante aproveitamento de água da chuva no semi-árido mineiro
Vinte alunos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) embarcaram no sábado (22) para Itinga e Araçuaí para trabalhar no Projeto Água da Chuva. As cidades, localizadas no Vale do Jequitinhonha, estão a 700 quilômetros de Belo Horizonte. O projeto, financiado pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa), está em sua segunda edição e tem como proposta aproveitar a água da chuva para garantir a qualidade de vida da população durante o longo período de seca no semi-árido.
Vinte alunos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) embarcaram no sábado (22) para Itinga e Araçuaí para trabalhar no Projeto Água da Chuva. As cidades, localizadas no Vale do Jequitinhonha, estão a 700 quilômetros de Belo Horizonte. O projeto, financiado pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa), está em sua segunda edição e tem como proposta aproveitar a água da chuva para garantir a qualidade de vida da população durante o longo período de seca no semi-árido.
Sob a coordenação do professor Valter Lúcio de Pádua, do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da Escola de Engenharia da UFMG, os alunos dos cursos de Engenharia, Farmácia e Biologia permanecerão nas duas cidades até o dia 1º de agosto.
Nesse período, irão realizar diversas atividades de educação sanitária e ambiental. Segundo o professor Valter de Pádua, a meta é ensinar os moradores a realizar a proteção sanitária das cisternas que armazenam água da chuva. O grupo mostrará à comunidade como tomar medidas de proteção que garantam a qualidade da água.
Entre as medidas estão a desinfecção da água com cloro e o descarte da primeira descarga de chuva. "A água que cai no telhado das casas corre por uma calha e é armazenada na cisterna. A primeira chuva leva toda a sujeira e, por isso, deve ser descartada", explica o professor.
Além disso, recomenda-se utilizar vasilhas limpas para retirar a água, que será usada, principalmente, para beber e cozinhar. Outra alternativa é construir, a partir de orientação do professor e dos alunos, uma bomba manual com tubo de PVC e bolinha de gude, eliminando o contato de vasilhas com a água. Os alunos irão, ainda, capacitar pedreiros para que aprendam a construir cisternas com todas as medidas de proteção.
Valter de Pádua explica que a água armazenada nos períodos de chuva atende a comunidade durante os oito meses de seca. "Sem isso eles precisam caminhar muito para conseguir água que, muitas vezes, vem suja porque está em algum barreiro", diz ele.
O projeto, que recebeu investimento de R$ 70 mil da Funasa, teve início em 2005. Nas férias de julho daquele ano, um grupo esteve no local e orientou a construção de cisternas para atender seis famílias. Durante um ano, a qualidade da água vem sendo monitorada. "Hoje, a água é melhor do que a que eles bebiam", afirma Valter de Pádua. Para o professor, um dos pontos mais importantes do projeto é que, a partir do resultado da pesquisa realizada pela UFMG, será possível corrigir falhas de projetos futuros.
A captação de água de chuva e o seu armazenamento em cisternas são iniciativas da sociedade civil que ganharam importância nos últimos anos como forma de melhorar a convivência da população com o semi-árido brasileiro. Na região vivem, aproximadamente, 18 milhões de pessoas numa área com cerca de 870 mil quilômetros quadrados e que abrange o norte dos estados do Espírito Santo e Minas Gerais, os sertões de Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe e parte do sudeste do Maranhão.
As iniciativas de armazenamento de água da chuva têm envolvido diversas organizações não-governamentais e esforço do Governo Federal. Entretanto, por serem estas unidades praticamente as únicas fontes de água de algumas famílias, se não houver uma proteção sanitária adequada, a água pode ser contaminada e colocar em risco a saúde da população.
Além dessa experiência em Minas Gerais, a Funasa também financia outras pesquisas em todo o país. A maioria dos projetos é desenvolvida por universidades federais e, para obter o incentivo, deve contemplar uma das seguintes áreas temáticas: abastecimento de água, esgotamento sanitário, resíduos sólidos urbanos, gestão em saúde pública, melhorias sanitárias domiciliares, melhorias habitacionais para controle da doença de Chagas ou saúde dos povos indígenas.
Agência Saúde
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