Lula descarta reforma da Previdência
Ele promete manter atual rumo da política econômica, mas "melhorando" resultados
Ele promete manter atual rumo da política econômica, mas "melhorando" resultados
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que o déficit da Previdência Social é um preço que deve ser pago pelo governo em prol da distribuição de renda a beneficiários que não contribuíram para o regime previdenciário. Falando como candidato à reeleição, Lula afirmou, em entrevista concedida à rádio CBN, que a Previdência deve passar por reformas a cada 15 ou 20 anos. Para ele, o rombo nas contas do INSS deve ser coberto pelo Tesouro Nacional.
"Precisamos entender que (o déficit) foi programado pela Constituição de 1988, quando incluiu 6 milhões de trabalhadores rurais na Previdência ou quando aprovamos o Estatuto do Idoso", acrescentou. "O déficit é do Estado brasileiro. Quando aprovamos a inclusão de milhares de pessoas para receber o benefício, que nunca tinham contribuído, ficava claro que o Tesouro iria arcar com essa responsabilidade."
A argumentação do presidente-candidato se aproxima das diretrizes traçadas pelo PT para o programa de governo em um possível segundo mandato. Ao lançar as diretrizes para o programa, o presidente do partido, Ricardo Berzoini, considerou desnecessária uma nova reforma na Previdência Social, e chegou a dizer que a "tese" do rombo explosivo nas contas do INSS era "equivocada".
Lula não chegou a esse ponto em sua fala, mas demonstrou sintonia com o pensamento de seu partido quando apontou o Tesouro Nacional como o responsável pela cobertura do déficit previdenciário. Segundo ele, o sistema previdenciário brasileiro deve ser "orgulho" para o país. "Não há em nenhum país do mundo um sistema de inclusão social como foi a inclusão de trabalhadores rurais na Previdência", disse.
Otimista com relação à sua campanha e com perspectiva de "goleada" no primeiro turno, Lula disse que se vencer as eleições vai manter o atual rumo da política econômica, mas "melhorando". Isso se traduziria na continuidade do percentual para o superávit fiscal e na queda gradativa dos juros. Admitiu que a taxa Selic ainda está elevada para, logo em seguida, comparar a situação de seu governo, hoje, com o cenário da época da reeleição de FHC, em 1998. Sublinhou ainda que os juros estão hoje no patamar mais baixo dos últimos 20 anos.
"Nós fizemos uma opção para que a taxa de juros caia gradativamente. (...) Em 1998, os juros estavam em 15%; depois das eleições, voltaram para 25%. Para evitar essa situação, de fazer promessas que não se concretizam, escolhemos fazer a redução paulatinamente."
Fonte: Gazeta Mercantil / Karla Correia
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