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Dossiê contra tucanos pode virar arma contra PT

por Sylvio Micelliúltima modificação 10/02/2008 10:27 Política para Políticos


A 15 dias das eleições, as lideranças oposicionistas ganharam um novo ânimo, diante da surpresa causada pelo episódio do dossiê que teria sido encomendado contra José Serra/Geraldo Alckmin e levantado pela Polícia Federal. A segunda-feira acabou, marcada por intensa mobilização oposicionista que, mesmo reconhecendo a responsabilidade da PF na investigação e prisões, não deixou de estranhar o fato do dinheiro apreendido não ter sido mostrado à opinião pública, através de fotografias. E explica-se: o impacto do dinheiro sempre gera grande repercussão. Quem não se lembra de 2002, quando uma ação da PF no escritório da candidata Roseana Sarney, praticamente acabou com sua candidatura e gerou um sério problema entre seu Partido e o governo?

PSDB e PFL querem o TSE comandando a investigação

A 15 dias das eleições, as lideranças oposicionistas ganharam um novo ânimo, diante da surpresa causada pelo episódio do dossiê que teria sido encomendado contra José Serra/Geraldo Alckmin e levantado pela Polícia Federal. A segunda-feira acabou, marcada por intensa mobilização oposicionista que, mesmo reconhecendo a responsabilidade da PF na investigação e prisões, não deixou de estranhar o fato do dinheiro apreendido não ter sido mostrado à opinião pública, através de fotografias. E explica-se: o impacto do dinheiro sempre gera grande repercussão. Quem não se lembra de 2002, quando uma ação da PF no escritório da candidata Roseana Sarney, praticamente acabou com sua candidatura e gerou um sério problema entre seu Partido e o governo?

O assessor especial da Presidência Freud Godoy é o principal suspeito de ser o mandante da compra do dossiê.

Etapas

Do outro lado, no PT, o fato foi recebido com muita preocupação. O presidente Lula reagiu indignado, viajou preocupado para Nova Iorque onde falará na Assembléia Geral da ONU, mas informado pelo ministro de que está próximo de localizar o mandante da operação. Os presidentes do PSDB e PFL, Tasso Jereissati e Jorge Bornhausen, porém, foram ao TSE protocolar pedido de investigação judicial contra Lula e suspeitos de participação no dossiê contra Serra e Alckmin. A oposição insiste, e disse isso ao presidente Marco Aurélio Mello, numa apuração rigorosa de todo episódio. A ação é ampla e envolve, por ora, presidente, ministro da Justiça e envolvidos na compra do dossiê, Gedimar Pereira Passos, Valdebran Padilha da Silva e o assessor especial da Presidência, Freud Godoy, suspeito de ser o mandante da compra do dossiê.

Apesar disso, dirigentes do PSDB e PFL acusam o ministro Thomaz Bastos de evitar o flagrante da compra do dossiê. E explicam: A PF só permitiu a exposição pública do material apreendido em Cuiabá, com fotos e DVDs de Serra e Alckmin, fazendo a ligação dos tucanos com a máfia das ambulâncias, mas evitou a divulgação de imagens de Gedimar e Valdebran com o dinheiro para a compra do dossiê.

Punições

O alvo dos oposicionistas é o presidente Lula, daí a presença no TSE. Ele pode ficar inelegível ou perder o mandato se depois de empossado, no caso de uma vitória eleitoral, a oposição ingressar com recurso contra expedição de diploma ou com ação de impugnação do mandato, com base no resultado das investigações. Mas é claro que tudo dependerá do que for apurado. O TSE vai analisar o pedido da coligação de Geraldo Alckmin para decidir se dará início às investigações. Enquanto isso a PF, sob o olhar atento do ministro Thomaz Bastos, trata de buscar esclarecimentos mais amplos sobre tudo.

Medidas

Surpreendido, o Planalto anunciou, no início da tarde, que o assessor especial da secretaria particular da residência, Freud Godoy pediu exoneração. Ele foi apontado pelo advogado Gedimar Pereira Passos como responsável pela compra do dossiê contra os tucanos. Freud tratou, em seguida, de ir à Polícia Federal em São Paulo prestar esclarecimentos. Numa entrevista, horas antes, Freud disse ter assegurado ao Presidente Lula que ele poderia ficar tranqüilo, pois provaria não estar envolvido no episódio. Freud Godoy trabalhou na segurança do candidato Lula e é funcionário da secretaria particular da Presidência.

Alckmin cobra

O candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, cobrou também apuração rigorosa sobre a participação do PT na compra do "dossiê Serra" e levantou suspeitas sobre a atuação da Polícia Federal no episódio. "Na realidade não foi apresentado o dinheiro nem os presos. Isso é dever: mostrar à sociedade, esclarecer a sociedade", disse a jornalistas. A polícia disse ter apreendendo 1,75 milhão de reais com eles, mas não mostrou imagens dos presos nem do dinheiro. "Não era essa a conduta que a Polícia Federal adotava anteriormente", cobrou Alckmin.

"Sem dinheiro, não pega."

O líder do PSDB no Senado, José Agripino Maia disse que é um novo "Waldomiro" que surge, em referência a Freud Godoy. "Trata-se de um assessor direto do presidente. Essa bomba cai dentro do Palácio do Planalto. Freud é uma pessoa do Gilberto Carvalho. Nós estamos com a reedição do caso Waldomiro, mas de forma mais explosiva". A oposição insiste em valorizar a condição de Freud, localizando-o como assessor da Presidência e ex-coordenador de segurança das últimas quatro campanhas de Lula ao Planalto. E ele foi apontado pelo advogado Gedimar Passos como o responsável pela operação que resultaria no pagamento de R$ 1,7 milhão pela compra de material contra os tucanos.

O menos entusiasmado é o vice na chapa de Alckmin, senador José Jorge "Não sei se terá repercussão na campanha. Acho que enquanto não aparecer a foto do dinheiro não pega", disse. Em discurso no plenário do Senado, José Jorge levantou suspeitas de que Freud também teve seu nome envolvido no escândalo do morte do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel. Mas segundo o ministro da Justiça, o presidente Lula ainda confia num total esclarecimento de tudo. Por isso, viajou para Nova Iorque confiando nisso e muito no ministro Thomaz Bastos.

Carlos Fehlberg
Fonte: Política para Políticos




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