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Lula vence por 20 pontos e pode influir nos estados

por Marcelo Franzeseúltima modificação 10/02/2008 10:24 Política para Políticos


A menos de duas semanas para o segundo turno, o presidente Lula tem 57% das intenções de voto, ou 19 pontos à frente do candidato Geraldo Alckmin, com 38%. É o que indica a nova pesquisa Datafolha. Lula aumentou a vantagem na pesquisa estimulada de 11 para 19 pontos. Os votos nulos e brancos somam 3%, e os indecisos são 3%. Considerados apenas os votos válidos, a vantagem é de 60% a 40%, uma diferença de 20 pontos a favor do petista.

Trunfo da oposição ainda é desvendar a origem do dinheiro do dossiê. E recorrer ao TSE

A menos de duas semanas para o segundo turno, o presidente Lula tem 57% das intenções de voto, ou 19 pontos à frente do candidato Geraldo Alckmin, com 38%. É o que indica a nova pesquisa Datafolha. Lula aumentou a vantagem na pesquisa estimulada de 11 para 19 pontos. Os votos nulos e brancos somam 3%, e os indecisos são 3%. Considerados apenas os votos válidos, a vantagem é de 60% a 40%, uma diferença de 20 pontos a favor do petista.

Melhorou também a avaliação de seu governo. O percentual de entrevistados que considera a administração do petista como "ótima" ou "boa" passou de 49% para 51%.

Avaliações e conseqüências

O que aconteceu nessas últimas semanas em que Lula veio gradualmente avançando e atingiu agora uma situação confortável, segundo o Instituto Datafolha?

Enquanto a oposição se concentrou no episódio do dossiê, o governou blindou o presidente que, como nas denúncias anteriores, negou conhecimento, mas não se limitou a defender-se partindo para o ataque. Fiel à "jurisprudência" adotada, não deixou de condenar os correligionários envolvidos. Na realidade, Lula entrou no segundo turno melhor, buscando acordos regionais com rapidez como aconteceu no Rio e em outros estados. E conquistando, aos poucos, votos de adeptos de Heloisa Helena e neutralizando o PDT de Cristovam Buarque. A rigor, o staff de Lula no segundo turno é outro e com mais atitude.

Temática

O que mais se falou neste segundo turno, tanto quanto o dossiê, foi de privatizações. O PT e o seu candidato colocaram em evidência o governo Fernando Henrique, numa forma de assumir a ofensiva. E não foi apenas o episódio do dossiê que levou à reação petista, mas também a insatisfação de Lula com o tom do debate travado com Alckmin na TV Bandeirantes. Naquele momento, Lula decidiu não aceitar mais a defensiva. Ele vinha de dois momentos desfavoráveis, a realização de um segundo turno e a perda do debate. Ali, o PT adotou outra postura, partindo para as críticas que incluíram privatizações e deslizes no governo passado. E reforçando a mobilização pelos estados, usou até a máquina administrativa, agindo agressivamente na conquista de adesões.

Mais do que isso, Lula tratou de ocupar, de todas as formas, os meios de comunicação, concedendo o maior número de entrevistas em seu governo, até então um de seus pontos críticos. Pelo rádio, TV, jornal e adotando um critério de regionalização para atingir todo o país. Buscou, assim, absorver de todas as formas, o desgaste gerado pelo debate do dossiê. E, sempre que possível, criticando os seus "aloprados"...

E a oposição?

Enquanto isso, a oposição apostou demais na corrupção e no caso do dossiê. Ao mesmo tempo em que Lula movia céu e terra, Alckmin seguiu no seu mesmo ritmo, apostando demais na repercussão do caso e ainda cometendo algumas gafes como a de aliar-se a Garotinho no primeiro dia da campanha no segundo turno, quando sua bandeira era a da ética...

Outra diferença em matéria de postura foi o mau aproveitamento do impacto criado com a conquista do segundo turno. Na segunda-feira, 2 de outubro, com ares de vitorioso deixou de fazer o que seria uma jornada relâmpago pelas principais capitais, como teria sido aconselhado, o que manteria viva a imagem de reviravolta, transmitindo a sensação de vitória e contagiando seus correligionários.

Conseqüências imediatas da nova pesquisa: o staff de Alckmin terá de adotar, às pressas, novas estratégias e a recuperação de Lula pode influir também no segundo turno em muitos estados em favor de aliados.

E o dinheiro?

E se o dinheiro do dossiê tiver sua origem criminosa comprovada o que pode acontecer? Em primeiro lugar, cabe avaliar se isso vai ocorrer antes ou depois da eleição. Mas será, sem dúvida, um fato político da maior importância e gravidade.

Se for antes, ainda poderá reprisar, de alguma forma, o impacto gerado pelas fotos do dinheiro divulgadas pelos jornais na véspera do primeiro turno. Em que medida e intensidade, porém, é difícil avaliar. Se for depois da eleição, estará aberto um outro problema antes da diplomação do presidente eleito. E a oposição vai tentar um terceiro turno...

Há que se considerar ainda que a CPI dos sanguessugas está em pleno funcionamento e a guerra política deverá ganhar intensidade.

Nas regiões

A pesquisa do Instituto Datafolha também mostra dados expressivos nas regiões do país. Assim, o crescimento mais expressivo do presidente-candidato ocorreu no Sudeste. No começo deste mês, Alckmin tinha 47% dos votos na região. Agora, tem 41%. Lula passou de 45% no início do mês para 52%. No Sul, Alckmin passou de 54% para 50% e Lula avançou de 38% para 43%.

Nas regiões Norte e Centro-Oeste, Lula passou de 50% para 56% e Alckmin oscilou de 41% para 40%. No Nordeste, os candidatos mantiveram os percentuais dos levantamentos anteriores: o petista tem 71% contra 24% do tucano.

Oposição contra-ataca

A situação pode ser difícil, mas a oposição não vai reduzir seu ritmo. E deu ontem demonstrações nesse sentido. Os presidentes do PSDB, PFL e PPS, formalizaram duas ações no TSE contra Lula. A primeira complementa um processo já existente que investiga o eventual envolvimento de Lula no escândalo do dossiê contra tucanos. A oposição solicita inclusão das denúncias da revista Veja sobre uma visita secreta de Freud Godoy, ex-assessor especial do presidente, a Gedimar Passos na Polícia Federal, onde este último está preso.

A segunda denuncia o presidente Lula por abuso de poder econômico devido à afirmação do governador reeleito de Mato Grosso, Blairo Maggi de que Lula liberaria recursos para comercialização da soja, justamente após encontro entre os dois no qual o governador declarou apoio ao presidente. Em resumo, vamos viver 11 dias de muitas emoções!

Carlos Fehlberg
Fonte: Política para Políticos




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