O novo ciclo político
O momento está maduro para a superação desse bipartidarismo de fato, que caracterizou o quadro político pós-1994. Passadas as eleições, novembro poderá ser o mês que irá demarcar a troca desse ciclo por um novo quadro, que terá como peça central a flexibilização da legislação, visando permitir a reaglutinação partidária, processo que ocorreu em 1979 e na Constituinte de 1989.
O momento está maduro para a superação desse bipartidarismo de fato, que caracterizou o quadro político pós-1994. Passadas as eleições, novembro poderá ser o mês que irá demarcar a troca desse ciclo por um novo quadro, que terá como peça central a flexibilização da legislação, visando permitir a reaglutinação partidária, processo que ocorreu em 1979 e na Constituinte de 1989.
O fato é que, na sua forma original, tanto PSDB quanto o PT acabaram. O PT é um partido rachado entre um governo que quer adquirir condições de governabilidade, cercado de quadros que, sozinhos, não irão conseguir virar o jogo dentro do partido.
O PSDB acabou, na opinião de uma de suas lideranças mais expressivas. Um partido em que o próprio presidente, Tasso Jereissatti, apóia um candidato de outro partido no seu estado natal, não pode aspirar a muita coisa.
Mas não é o único problema.
Sempre defendi uma redefinição programática do PSDB e do próprio PT. No caso do PSDB, para se livrar da pesada herança de Fernando Henrique Cardoso, que permitiu que as bandeiras econômicas do partido fossem apropriadas pela PUC-Rio, matando as esperanças de crescimento da economia; e que a noção de modernidade fosse confundida com um elitismo raso e preconceituoso que acabou contaminando a parte mais fútil e barulhenta da elite midiática, financeira e social do eixo Rio-São Paulo.
A questão é que o momento de “refundar” o PSDB passou. Como incorporar bandeiras desenvolvimentistas, se a imagem do partido está indelevelmente ligada à PUC-Rio? Economistas tucanos, não ligados ao pensamento da PUC-RJ, cansaram de apontar os juros como o problema principal brasileiro. Resolvendo essa questão, a solução dos demais emergirá automaticamente. O ajuste fiscal será promovido pelo próprio crescimento, assim como a Previdência Social do setor privado. O governo Kirchner colocou a Argentina para crescer 9% ao ano, com superávit fiscal, com redução do desemprego de 23% para 10%. Aparecerão problemas agora, devido à natureza populista do regime que não abriu os olhos para o excesso de demanda atual da economia. Mas a receita mostrou-se totalmente eficaz.
No entanto, fica-se nessa cantilena permanente sobre reformas e reformas, e nada sai do lugar, diz a liderança. Um dos mais proeminentes economistas do partido se diz envergonhado de ler os estudos de Fábio Giambiagi sobre os cortes na Previdência Social e saber que são artimanhas para fugir do tema principal, a redução dos juros. Essa indefinição acabou tirando do partido a bandeira do desenvolvimentismo com responsabilidade fiscal.
A grande obra política de FHC se resumiu a uma tecnologia de governabilidade dentro de um modelo político torto. Assim como na área econômica, foi incapaz de redefinir o perfil político do país e do seu próprio partido, atropelado pela falta de perspectivas das idéias econômicas hegemônicas. Seu modelo não resistiu a um mandato da oposição.
Incapaz de exorcizar o PSDB dos fantasmas da era FHC, toma corpo nos setores desenvolvimentistas do partido, a idéia da de reaglutinação partidária, marcada por uma forte manifestação em favor do crescimento.
Em princípio, esse divisor de águas poderá ocorrer em fins de novembro.
Email: Luisnassif@globo.com
Boletim Eletrônico Luis Nassif