Reeleito, Lula chama oposição ao diálogo
"A vitória não é minha, não é do PT, é da sabedoria do povo brasileiro", declarou Luiz Inácio Lula da Silva, em entrevista coletiva, logo após a confirmação de que estava reeleito presidente da República, com 60,82% dos votos válidos, contra 39,18% do candidato Geraldo Alckmin, do PSDB. Lula governará o país até 2010.
Petista perdeu em apenas um estado do Sudeste: São Paulo
"A vitória não é minha, não é do PT, é da sabedoria do povo brasileiro", declarou Luiz Inácio Lula da Silva, em entrevista coletiva, logo após a confirmação de que estava reeleito presidente da República, com 60,82% dos votos válidos, contra 39,18% do candidato Geraldo Alckmin, do PSDB. Lula governará o país até 2010. Na quinta vez que concorre à Presidência, ele obteve 58,2 milhões de votos contra 37,5 milhões dados a Alckmin. Os votos nulos aumentaram em relação ao primeiro turno e atingiram 4,71%, ao passo que os votos em branco somaram apenas 1,33%.
Lula, que nos últimos dias demonstrava certeza de que seria reeleito, prometeu que fará um "segundo mandato muito melhor" e acenou com o diálogo com a oposição, dizendo-se "confiante nos partidos políticos" que perderam as eleições. "A eleição acabou, não temos mais adversários, estamos todos a favor do crescimento e do fortalecimento econômico do Brasil". Lula informou que chamará todos para conversar. Sem maioria folgada no Congresso, o presidente vai precisar negociar com a oposição uma agenda comum (veja mais nas páginas 4 e 8).
O estado que deu a maior vitória a Lula foi o Amazonas, com 86,8% dos votos válidos. Na região Norte ele venceu com 65,6% dos votos. O Nordeste confirmou as pesquisas e foi a região que deu a maior dianteira ao presidente: 77,13% dos votos contra 22,87% dados a Alckmin. Lula virou a eleição no Sudeste e no Centro-Oeste, regiões em que o candidato tucano havia vencido no primeiro turno. E virou também no Distrito Federal e em três estados: Goiás, Rondônia e Acre.
No Sudeste, o petista perdeu apenas no estado de São Paulo, mas por uma diferença de pouco mais de um milhão de votos. O presidente foi derrotado na região Sul, por 53,51% a 46,49%. Ali, ele perdeu nos três estados, ainda que com uma diferença menor do que a verificada no primeiro turno.
Na coletiva, Lula disse ter pressa para tornar o Brasil um país "mais equânime, mais justo", e que continuará investindo nas regiões mais pobres. Agradeceu ao povo por ter confiado nele e mencionou a urgência de reformas, como a política e a tributária. Declarou ainda que é possível "crescer e dividir renda" e que aprendeu "não ser possível gastar mais do que a gente ganha", para sublinhar a necessidade do controle dos gastos públicos.
Lula nasceu em Garanhuns, Pernambuco, em 27 de outubro de 1945. Aos sete anos migrou para Guarujá, em São Paulo. Em 1969, quando operário das Indústrias Villares, começou a participar do movimento sindical, ao ser eleito suplente na chapa da diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema. A partir de 1975, Lula presidiu o sindicato e, em 1979, durante o governo de João Baptista Figueiredo, o último do regime militar, comandou a greve de metalúrgicos que paralisou o ABC Paulista. Em razão disso, ficou 31 dias preso.
Em 1980, o então líder sindical ajudou a fundar o Partido dos Trabalhadores. Em 1984, ao lado de Ulysses Guimarães, Leonel Brizola, Mário Covas e Tancredo Neves, participou do movimento das Diretas Já. Em 1986, participou da Assembléia Nacional Constituinte como o deputado federal mais votado do Brasil. A partir de 1989, Lula participou de todas as eleições presidenciais. Perdeu para Fernando Collor em 1989 e para Fernando Henrique Cardoso em 1994 e em 1998. Venceu em 2002, quando derrotou o candidato José Serra, do PSDB, agora governador de São Paulo.
Fonte: Jornal do Senado
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