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Veja o perfil de Lula, o presidente reeleito do Brasil

por Sylvio Micelliúltima modificação 10/02/2008 10:24 Agência Câmara


O operário e líder sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva participou, em 2006, da sua quinta eleição para a presidência da República. Nas três primeiras vezes, ele perdeu para Fernando Collor (1989) e Fernando Henrique Cardoso (1994 e 1998). Em 2002, Lula conseguiu se eleger presidente com a maior votação obtida até então por um político brasileiro — quase 53 milhões de votos.

O operário e líder sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva participou, em 2006, da sua quinta eleição para a presidência da República. Nas três primeiras vezes, ele perdeu para Fernando Collor (1989) e Fernando Henrique Cardoso (1994 e 1998). Em 2002, Lula conseguiu se eleger presidente com a maior votação obtida até então por um político brasileiro — quase 53 milhões de votos.
Nascido em 1945 em Caetés, na época um distrito da cidade pernambucana de Garanhuns, Lula foi criado em São Paulo, para onde a família, formada pela mãe e oito filhos, se mudou no início da década de 50 em busca de melhores oportunidades de vida. Aos 12 anos, conseguiu o primeiro emprego em uma tinturaria e aos 18 formou-se torneiro mecânico no Serviço Nacional da Indústria (Senai).
O trabalho levou-o para a região do ABC paulista, que vivia um surto de industrialização e via crescer o movimento sindical metalúrgico, berço de sua atuação política. Em 1972, foi eleito primeiro-secretário do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema. Três anos depois chegou à presidência do sindicato, o que o colocou na linha de frente da oposição brasileira ao regime militar.

Greve
O reconhecimento nacional veio em 1978, quando Lula liderou uma greve dos metalúrgicos por melhores salários. A mobilização, que preocupava o regime militar, levou-o à prisão por 30 dias em 1979 e à intervenção no sindicato. Diante da promulgação da anistia política, no mesmo ano, Lula iniciou, junto com sindicalistas, profissionais liberais e intelectuais, um movimento para a construção de um novo partido.
O resultado foi o Partido dos Trabalhadores (PT), surgido em fevereiro de 1980, que rapidamente se transformou no principal partido de massas do país, dando a Lula a oportunidade de sair dos portões de fábrica para as disputas eleitorais. Em 1982, foi candidato ao governo de São Paulo e perdeu para Franco Montoro.

Deputado federal
Eleito deputado federal em 1986 com o maior número de votos do País, Lula liderou o PT na Assembléia Nacional Constituinte, que elaborou a Constituição Federal. Mas, por discordar de pontos inseridos no texto, Lula e a bancada do partido acabaram não assinando a redação final da Constituição.
A primeira candidatura a presidente ocorreu em 1989, quando o Brasil pôde escolher o primeiro presidente por via democrática após a ditadura militar. Apesar da intensa mobilização que marcou sua candidatura, Lula perdeu no segundo turno para Fernando Collor. Três anos depois, durante o processo de impeachment do presidente, teve participação ativa, liderando parte da oposição ao governo.

Soma de forças
Candidato de novo em 1994, desta vez contra Fernando Henrique Cardoso, percorreu o país a bordo de um ônibus na Caravana da Cidadania. Perdeu ainda no primeiro turno, situação que se repetiu em 1998. Somente na eleição seguinte (2002), tornou-se o 39º presidente do Brasil, vencendo no segundo turno o candidato do PSDB, José Serra, atual governador eleito de São Paulo. A coligação que levou-o ao Palácio do Planalto incluía, além do PT, o PL, o PCdoB, o PMN e o PCB.

Na Presidência
O primeiro ano do mandato foi marcado pela aprovação das reformas da Previdência e tributária. Na área social, o principal programa foi o Fome Zero, destinado a fornecer alimentos para famílias carentes. O programa foi ampliado e com o tempo passou a integrar uma série de ações, cuja mais conhecida é o Bolsa Família, que transfere renda para pessoas pobres e atualmente atende 11 milhões de famílias em todo o País.
No plano econômico, o governo manteve algumas das políticas do governo anterior (FHC), como as metas de superávit primário e de inflação. Uma das principais medidas da gestão econômica foi a redução da dívida externa aos menores patamares desde a década de 70.
Porém, o Governo Lula foi abalado por diversas crises éticas, que derrubaram alguns de seus principais dirigentes, como os ex-ministros José Dirceu, Luiz Gushiken e Antonio Palocci. Foi acusado de pagar propina a parlamentares para que votassem com o governo ("mensalão"); de violar o sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa para proteger o então ministro da Fazenda, Antonio Palocci; de superfaturar R$ 11 milhões na confecção de cartilha para divulgar ações governamentais; de utilizar a máquina pública para fazer propaganda eleitoral; de arrecadar dinheiro para o PT por meio da publicidade oficial; de desviar dinheiro público para favorecer empresas na compra de ambulâncias para prefeituras ("máfia das Sanguessugas"); de acobertar crimes ambientais ("Plano Safra Legal", no Pará), entre outras denúncias. Somente no episódio do "mensalão", o Ministério Público conseguiu identificar 40 personagens envolvidos ligados ao governo.
Viúvo do primeiro casamento - a esposa, Maria de Lourdes, morreu no parto junto com o bebê -, Lula é casado desde 1974 com Marisa Letícia, com quem tem três filhos, além de outros dois nascidos de uniões anteriores do casal.
No primeiro turno das eleições deste ano, Lula obteve 46,7 milhões de votos, o equivalente a 48,61% dos votos válidos.

Foto: Marcello Casal Jr/ABr
Reportagem - Janary Júnior
Edição – João Pitella Junior

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