Avenida Paulista sedia primeira Parada Negra
Sem dinheiro, nem trios elétricos ou autorização da Prefeitura de São Paulo, integrantes do Movimento Negro vão realizar no dia 20, na Avenida Paulista, centro financeiro da cidade, a primeira Parada Negra de São Paulo. Porém, as dificuldades são muitas e até um racha divide seus representantes.
Sem dinheiro, nem trios elétricos ou autorização da Prefeitura de São Paulo, integrantes do Movimento Negro vão realizar no dia 20, na Avenida Paulista, centro financeiro da cidade, a primeira Parada Negra de São Paulo. Porém, as dificuldades são muitas e até um racha divide seus representantes.
A intenção é celebrar o Dia da Consciência Negra, transformado em feriado municipal em razão da data de aniversário de morte de Zumbi dos Palmares.
Os responsáveis pelo evento representam dez organizações do Movimento Negro. A comemoração está marcada para iniciar-se ao meio-dia no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp). No entanto, às 15h, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) programa marcha concorrente, partindo do mesmo local e junto com outras 19 associações, em direção à Assembléia Legislativa, ou seja, em sentido contrário. Há uma clara divisão.
O presidente do Centro Acadêmico da Universidade da Cidadania Zumbi dos Palmares, João Bosco Coelho, um dos organizadores do evento, admite a possibilidade de integrar a marcha da CUT. "Sai nem que seja a parada-do-eu-sozinho", diz.
O presidente da Ong ABC Sem Racismo, Dojival Vieira, insiste em que a marcha seja feita na Paulista e que a conotação política seja suavizada. "Vamos com 100 ou 100 mil pessoas. Queremos fazer um movimento apartidário e levar a periferia de São Paulo para desfilar", afirma.
Os idealizadores da Parada Negra dizem inspirar-se na Parada Gay, que completou dez anos de existência este ano. A idéia é fazer com que a festa integre o calendário da cidade.
Paulista
"A Paulista foi liberada para gays e evangélicos. Não existem motivos para que não possamos desfilar também", diz o presidente do Congresso Nacional Afro-Brasileiro (CNA) e autor do Hino da Negritude, professor Eduardo Oliveira.
A Subprefeitura da Sé promete não liberar a Paulista. De acordo com a assessoria de imprensa do órgão, os eventos do 1º de Maio, Parada Gay e Evangélicos foram os últimos realizados na avenida.
A região terá apenas a corrida de São Silvestre e a festa de Réveillon, no final do ano - evento que já foi confirmado esta semana pelo prefeito Gilberto Kassab (PFL).
Para dificultar ainda mais a situação, a Parada Negra não contará com nenhuma fatia dos R$ 300 mil que serão destinados pela prefeitura aos eventos programados para este mês.
Fonte: DCI
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