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Dos 100 parlamentares mais influentes, 32 não voltarão ao Congresso em 2007. Desses 25 perderam as eleições

por Sylvio Micelliúltima modificação 10/02/2008 10:22 Congresso em Foco


O corre-corre na Câmara e no Senado será apenas uma doce lembrança para um terço do seleto grupo de parlamentares que integram a atual lista dos mais poderosos do Legislativo brasileiro. Um em cada três dos 100 congressistas mais influentes, segundo a avaliação do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), não voltará ao Congresso em 2007.

Acabou-se o que era doce
Dos 100 parlamentares mais influentes, 32 não voltarão ao Congresso em 2007. Desses 25 perderam as eleições

Edson Sardinha

O corre-corre na Câmara e no Senado será apenas uma doce lembrança para um terço do seleto grupo de parlamentares que integram a atual lista dos mais poderosos do Legislativo brasileiro. Um em cada três dos 100 congressistas mais influentes, segundo a avaliação do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), não voltará ao Congresso em 2007.

Entre os congressistas relacionados no último levantamento do Diap, 32 não exercerão mais o mandato no ano que vem. Desses, 25 voltam pra casa após terem sido derrotados nas urnas: além da senadora Heloísa Helena (Psol-AL), terceira colocada na corrida presidencial, 16 não conseguiram se reeleger, quatro tentaram sem sucesso trocar a Câmara pelo Senado e outros quatro fracassaram na disputa ao governo estadual (veja a lista dos que não voltarão em 2007).

Novos caminhos

Para cinco congressistas, no entanto, o afastamento do Congresso está longe de ser motivo de lamentação. Pelo contrário, é resultado de conquista nas eleições estaduais. Os deputados José Roberto Arruda (PFL-DF), Yeda Crusius (PSDB-RS) e Eduardo Campos (PSB-PE) vão trocar o gabinete em Brasília pelo de governador. O mesmo caminho será seguido pelo ex-líder do PSDB na Câmara Alberto Goldman (SP) e o senador Paulo Octavio (PFL-DF), eleitos vice-governadores.

Ao senador Jorge Bornhausen (PFL-SC), único entre os 100 mais influentes em fim de mandato que não concorreu nas últimas eleições, caberá a tarefa de fazer do filho Paulo Bornhausen (PFL-SC), deputado recém-eleito, o seu principal herdeiro político. Suplente do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), o deputado Roberto Freire (PPS-PE) só voltará a ocupar uma cadeira no Senado se o titular se licenciar ou renunciar ao cargo.

Comando conservador

Para o diretor do Diap Antonio Augusto Queiroz, responsável pela publicação "Os Cabeças do Congresso", mais que um apelo por mudanças, o elevado índice de renovação no mapa do poder da Câmara e do Senado é motivo de preocupação.

"Nesta eleição houve um crescimento dos partidos de esquerda, centro-esquerda e centro. Mas, dentro desses partidos, a renovação foi mais à direita. À luz do perfil socioeconômico, o novo Congresso tende a ser mais conservador nas políticas sociais e mais liberal na área econômica", observa.

O fracasso eleitoral de parlamentares influentes em determinados setores acarretará perdas significativas para o trabalhador, na avaliação de Antonio Augusto. Ele cita, como exemplo, os deputados Sérgio Miranda (PDT-MG) e Carlos Mota (PSB-MG), dois dos principais especialistas em previdência e orçamento no Congresso.

Apesar de terem conquistado em outubro mais votos que na eleição de 2002, eles não conseguiram renovar o mandato por causa do chamado coeficiente partidário (fator que define o número de vagas que cabe a cada partido por estado).

Estética ou opinião?

Prestes a esvaziar o gabinete após 16 anos consecutivos na Câmara, Sérgio Miranda atribui o insucesso nas urnas à distorção promovida pelas campanhas eleitorais. "Campanha é estética; e não, ética. Achei que só debater minhas propostas parlamentares seria suficiente, mas essa campanha foi marcada pelo 'eu fiz': 'o Lula fez um Brasil melhor', 'o Alckmin fez uma São Paulo melhor'. Esse tipo de campanha esvaziou os debates", considera o pedetista.

Para o diretor do Diap, a crítica do deputado é procedente. Na avaliação dele, mudanças na legislação eleitoral, como a proibição da propaganda em outdoors, prejudicaram principalmente os chamados candidatos de opinião, aqueles pouco afeitos ao corpo-a-corpo nas ruas.

"Muitos parlamentares de opinião perderam as eleições para candidatos de perfil clientelista porque não dispunham de recursos, financeiros ou não, para se fazerem ouvidos", considera Antonio Augusto.

Ilustres ausentes

Entre os prejudicados pelas novas regras, o analista político cita os deputados Sigmaringa Seixas (PT-DF) e Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), ex-presidentes da poderosa Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), para os quais também faltou voto. Procurado pelo Congresso em Foco, Sigmaringa não quis comentar o resultado da eleição. "Não tem o que dizer. Perdi e acabou. Não vou ficar justificando isso. Não vou ficar opinando sobre as decisões do eleitorado", disse.

Na relação dos ilustres futuros ex-parlamentares também aparecem nomes como o do atual vice-presidente da Câmara, José Thomaz Nonô (PFL-AL), derrotado na disputa ao governo de Alagoas, o do líder do governo no Congresso, senador Fernando Bezerra (PTB-RN), o do ex-ministro Delfim Netto (PMDB-SP) e o do ex-governador de São Paulo Luiz Antonio Fleury (PTB-SP). Os dois últimos não conseguiram votos suficientes para se reelegerem no maior colégio eleitoral do país, que fez do estilista Clodovil (PTC-SP) e do forrozeiro Frank Aguiar (PTB-SP) dois de seus novos representantes.

Disputa acirrada

Para Antonio Augusto, a definição dos parlamentares mais influentes no novo Congresso será ainda mais acirrada que na atual legislatura. Em termos de escolaridade, lembra ele, a futura Câmara será das mais instruídas. Pelos menos 413 (80,5%) dos 513 deputados têm curso superior completo.

"Em tese, o número de deputados em condições de integrar essa lista será maior no ano que vem. Mas tudo vai depender da desenvoltura e da capacidade de articulação dos eleitos". Em levantamento feito a pedido do Congresso em Foco em 5 de outubro, Antonio Augusto listou 28 recém-eleitos entre os parlamentares que devem se destacar como os mais 100 influentes do novo Congresso (leia mais).

O resultado eleitoral também foi negativo para outros quatro congressistas citados na lista dos melhores parlamentares em enquete divulgada em maio por este site e que não aparecem no levantamento do Diap (leia mais). São eles os deputados Cezar Schimer (PMDB-RS), Walter Barelli (PSDB-SP) e Orlando Fantazzini (Psol-SP) e o senador José Jorge (PFL-PE), que trocou a reeleição pela vaga de vice na chapa de Geraldo Alckmin (PSDB). Também citado pelos jornalistas, o deputado Xico Graziano (PSDB-SP) não disputou a eleição.

Maldição dos sanguessugas

O resultado das urnas caiu como maldição para alguns dos parlamentares que se destacaram na atual legislatura no comando de investigações contra os próprios colegas. É o caso do relator da CPI dos Sanguessugas, senador Amir Lando (PMDB-RO), e do presidente da comissão, o deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), ex-presidente da CCJ.

Os dois não voltarão ao Congresso no próximo ano e terão de acompanhar pela TV a atuação de cinco dos 72 parlamentares denunciados por eles na CPI que conseguiram se reeleger. Em vez de disputar a reeleição, Lando preferiu concorrer ao governo de Rondônia, e se deu mal. Foi apenas o quarto colocado na disputa, com 6,17% dos votos válidos. Considerado rigoroso pelos colegas investigados, Biscaia recebeu 55.909 votos - cinco vezes menos que o campeão de votos no estado, o seu companheiro de CPI Fernando Gabeira (PV-RJ).

Condenados nas urnas

Entre os suspeitos de envolvimento com a máfia da ambulância, apenas três figuravam na lista dos mais influentes do Diap, que excluiu este ano os chamados mensaleiros. Os deputados Inácio Leitão (PL-PB), cujo nome aparece em inquérito da Polícia Federal, e João Caldas (PL-AL), denunciado pela CPI, não conseguiram renovar o mandato na Câmara. Do mesmo fracasso experimentou o senador Ney Suassuna (PMDB-PB), alvo de processo de cassação no Conselho de Ética.

Além dos cinco parlamentares influentes que trocarão o Legislativo pelo Executivo, outros três dos "cabeças" apontados pelo Diap têm o que comemorar: a passagem da Câmara para o Senado. São eles os deputados Inácio Arruda (PCdoB-CE), Francisco Dornelles (PP-RJ) e Renato Casagrande (PSB-ES), senadores recém-eleitos.

Eles não voltarão
Veja a lista dos 32 parlamentares que integram a lista dos 100 mais influentes e que não voltarão ao Congresso em 2007

PT
Deputados
Antonio Carlos Biscaia (RJ) - não conseguiu se reeleger
Luiz Eduardo Greenhalgh (SP) - não conseguiu se reeleger
Luciano Zica (SP) - não conseguiu se reeleger
Paulo Delgado (MG) - não conseguiu se reeleger
Sigmaringa Seixas (DF) - não conseguiu se reeleger

PFL
Deputados
José Thomaz Nonô (AL) - perdeu a disputa ao Senado
José Roberto Arruda (DF) - eleito governador do DF
Paulo Octavio (DF) - eleito vice-governador do DF
Ney Lopes (RN) - perdeu, na condição de vice, a disputa ao governo do RN
Pauderney Avelino (AM) - perdeu a disputa ao Senado
Senadores
Jorge Bornhausen (SC) - não se candidatou
Rodolpho Tourinho (BA) - não conseguiu se reeleger

PSDB
Deputados
Alberto Goldman (SP) - eleito vice-governador de SP
Eduardo Paes (RJ) - perdeu a disputa ao governo do RJ
Yeda Crusius (RS) - eleita governadora do RS
Bismarck Maia (CE) - não conseguiu se reeleger

PMDB
Deputado
Delfim Netto (SP) - não conseguiu se reeleger
Senadores
Amir Lando (RO) - perdeu a disputa ao governo de RO
Ney Suassuna (PB) - não conseguiu se reeleger

PCdoB
Deputados
Agnelo Queiroz (DF) - perdeu a disputa ao Senado
Jandira Feghalli (RJ) - perdeu a disputa ao Senado

PDT
Deputados
Alceu Collares (RS) - perdeu a disputa ao governo do RS
Sérgio Miranda (MG) - não conseguiu se reeleger

PL
Deputados
Inaldo Leitão (PB) - não conseguiu se reeleger
João Caldas (AL) - não conseguiu se reeleger

PSB
Deputados
Carlos Mota (MG) - não conseguiu se reeleger
Eduardo Campos (PE) - eleito governador de PE

PTB
Deputado
Luiz Antonio Fleury (SP) - não conseguiu se reeleger
Senador
Fernando Bezerra (RN) - não conseguiu se reeleger

Psol
Senadora
Heloísa Helena (AL) - perdeu a disputa à Presidência

PP
Deputado                   
Júlio Lopes (RJ) - não conseguiu se reeleger

PPS
Deputado                                                                     
Roberto Freire (PE) - elegeu-se suplente do senador Jarbas Vasconcelos. Só assumirá se o titular renunciar ou se licenciar do cargo.                                                                                         
*Colaborou Renaro Cardozo

Fonte: Congresso em Foco




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