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Eventos por um mundo digital democratizado

por Sylvio Micelliúltima modificação 10/02/2008 10:21 Caros Amigos


O computador é uma tecnologia contraditória. Pode unir milhões de pessoas pela internet, à qual poucos têm acesso; possui ferramentas incríveis, a maioria desenvolvida por uma única empresa, a Microsoft, que adestra usuários pelo mundo inteiro.

Por Marcos Zibordi

O computador é uma tecnologia contraditória. Pode unir milhões de pessoas pela internet, à qual poucos têm acesso; possui ferramentas incríveis, a maioria desenvolvida por uma única empresa, a Microsoft, que adestra usuários pelo mundo inteiro.

A contradição é maior se comparada às inovações do último século: o carro potencializou o individualismo, o telefone e a televisão nos mantêm em casa, no cinema permanecemos em silêncio. E, para que a tecnologia computacional não se torne também um curral apertado, a briga pelo uso de programas livres é ferrenha, de foice no escuro.

Segundo definição da Free Software Foundation, criada há 20 anos para eliminar restrições técnicas, são quatro os quesitos que tornam um software livre: possibilidade de uso para qualquer propósito e liberdade de distribuição, adaptação e aperfeiçoamento.

Porém, para manipular o programa é preciso ter acesso ao código-fonte, que contém as instruções da linguagem de programação. Quando o software é livre, o código é aberto, permitindo intervenções que remodelam e melhoram seu desempenho e são compartilhadas pela comunidade de usuários.

Toda essa introdução pedagógica é pra que você entenda a importância do movimento mundial pela disseminação dos softwares livres. E saiba que no intervalo de um mês, entre novembro e dezembro, quatro eventos sobre o tema acontecem no Brasil.

Um ocorreu no começo deste mês em São Paulo - o 4º Conisli 2006, Congresso Internacional de Software Livre. O próximo será em Foz do Iguaçu nos dias 16 e 17 de novembro. No Latinoware, ou III Conferência Latino-Americana de Software Livre, serão apresentadas novas ferramentas em palestras, oficinas, sessões técnicas, casos de sucesso, etc. E não só para especialistas: movimentos sociais, estudantes, iniciativa privada, ONG’s e empresas podem participar. Entre os muitos eventos dentro do evento, acontecerá o 1º Fórum de Software Livre do setor elétrico, e, entre a avalanche de novas informações, a apresentação do gerenciador de janelas Development Release 17, considerado uma evolução importante por funcionar em dispositivos com pouco poder de processamento, mantendo-se entre os mais rápidos e de menor tamanho entre os similares com os mesmos recursos.

Sem descanso, encerrado o evento em Foz do Iguaçu, a discussão continua no Sul. Porto Alegre assiste, nos dias 18 e 19 de novembro, ao 1° Seminário de Software Livre TcheLinux. A organização é do Grupo de Usuários Linux do Rio Grande do Sul em parceria com o Curso de Engenharia da Computação do Centro Universitário IPA Metodista. Serão 32 palestras para iniciantes e usuários avançados. Durante o evento, duas palestras tratarão do projeto BrOficce, o primeiro produto a trazer os benefícios do software de código aberto a uma grande massa de usuários, distribuindo gratuitamente ferramentas de produtividade essenciais no dia-a-dia. Está traduzido em mais de 30 idiomas, disponível nas principais plataformas (Microsoft Windows, Mac OS X X11, GNU/Linux, Solaris), e é usado por dezenas de milhões de usuários satisfeitos.

Após os eventos de novembro em Foz do Iguaçu e Porto Alegre, há uma pequena pausa antes dos dias 4 e 5 de dezembro, quando rola o Encontro Catarinense de Software Livre, realizado pelo Projeto Software Livre Santa Catarina. Entre palestras e cursos, haverá a interessante comunicação que pretende interpretar o fenômeno dos programas livres como movimento social. Segundo Yago Quiñones Triana, tal abordagem “permite enfatizar o papel da identidade na construção deste ator social, enfatizando a importância que tem o estudo deste fenômeno numa esfera mais ampla: ajudar na interpretação das dinâmicas típicas da sociedade atual, a sociedade da informação.”

Marcos Zibordi é jornalista.
Fonte: Caros Amigos



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