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Capacitação para o trabalho e democracia

por Sylvio Micelliúltima modificação 10/02/2008 10:22 Associação Brasileira de Tecnologia Gráfica (ABTG)


A população brasileira experimenta, mais uma vez, um começo de processo fundamental para a difícil construção da verdadeira democracia no país. Corrupção, distribuição de renda, violência urbana são algumas das questões que, obrigatoriamente, devem ser aprofundadas nos programas dos candidatos que pleiteiam cargos majoritários nas próximas eleições de outubro.

Fabio Arruda Mortara

A população brasileira experimenta, mais uma vez, um começo de processo fundamental para a difícil construção da verdadeira democracia no país. Corrupção, distribuição de renda, violência urbana são algumas das questões que, obrigatoriamente, devem ser aprofundadas nos programas dos candidatos que pleiteiam cargos majoritários nas próximas eleições de outubro.

Há, no entanto, um tema que é mais do que obrigatório – é crucial para que a democracia brasileira possa enfrentar seus problemas de curto, médio e longo prazos. Trata-se da capacitação dos jovens que hoje encontram dificuldades conjunturais, estruturais e, até, de ordem tecnológica para abordar e, mais do que isto, entrar para um mercado de trabalho para o qual não estão habilitados. Evidentemente, o tema fará parte de todos os discursos. Afinal, todos reconhecem que nenhum país se desenvolveu até hoje sem que fizesse da educação a prioridade das prioridades.

Mas não basta ao eleitor contentar-se com o chavão de que a educação é uma prioridade. É necessário mais – é preciso que cada candidato tenha um diagnóstico real do problema e proponha soluções que de fato enfrentem este que é o principal gargalo da atual fase do desenvolvimento brasileiro, com implicações, inclusive, em outras graves questões, como a violência urbana e o crime organizado, que se utiliza desta população marginalizada do mercado de trabalho para espalhar o terror que deixa perplexos a todos.

Conhecer o problema é a primeira parte da sua solução. Pois bem, estão desempregados no país em torno de 45% dos jovens na faixa do 16 a 24 anos, de acordo com uma entidade insuspeita: a Organização Internacional do Trabalho (OIT). É uma taxa muito superior ao desemprego do total da população economicamente ativa.

Alguns desses jovens ainda têm chances. Pelas condições econômicas de seus pais, puderam freqüentar desde os cursos elementares até faculdades e podem, com algum sucesso, entrar pela frente no mercado de trabalho se ultrapassarem a barreira do desemprego tecnológico, que implica em cada menos vez postos de trabalho e cada vez mais habilitação e capacitação. No entanto, estes jovens são minoria. Segundo os dados da OIT, no Brasil eles somam apenas cerca de 7% do total dos jovens de 16 a 24 anos. Para os restantes 93%, se nada for feito – e rápido – sobra o mercado informal, ou, pior ainda, a marginalidade.

Não há novidade alguma nesses números. A Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) já indicava, em estudo divulgado em 2002, que, dos 17,1 milhões de jovens que na ocasião tinham de 15 a 19 anos (o que, naquele momento correspondia a aproximadamente 10% da população total brasileira) cerca de 50%, ou 8,3 milhões, tinham renda familiar de, no máximo, até três salários mínimos.

Diante disso, por mais que o País cresça, as questões conjunturais e estruturais de desemprego entre os jovens têm tudo para permanecerem como estão se nada for feito – e logo. Claro que é preciso concretizar medidas de peso que vão desde a área de educação elementar, média, superior, até potencializar estratégias que dêem, finalmente, uma abordagem efetiva para a formação técnica de segundo grau ao mesmo tempo em que se potencialize os investimentos em pesquisas. 

Não é uma tarefa fácil – mas é inadiável. Estes números e conceitos mostram claramente que o eleitor precisa avaliar muito bem a real compreensão e a efetiva preocupação dos candidatos para com a capacitação dos jovens ao mercado de trabalho, condição fundamental para um desenvolvimento econômico sustentado e para a disseminação de verdadeira igualdade de oportunidades. Sem isso, dificilmente se terá no País uma democracia plena.

*Fabio Mortara é presidente da Associação Brasileira de Tecnologia Gráfica (ABTG)



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