Lula quer constituir um conselho de ex-presidentes
Lula deseja criar no Palácio do Planalto um novo organismo de assessoramento governamental. Seria, nas palavras dele, um “conselho de ex-presidentes da República”. Seria uma maneira de o governo “aproveitar a experiência” daqueles que já dirigiram o país.
Lula deseja criar no Palácio do Planalto um novo organismo de assessoramento governamental. Seria, nas palavras dele, um “conselho de ex-presidentes da República”. Seria uma maneira de o governo “aproveitar a experiência” daqueles que já dirigiram o país.
Consultado sobre a idéia, o ex-presidente José Sarney (PMDB) a aprovou. Antes de assumir o segundo mandato, Lula vai convidar os antecessores Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Itamar Franco (sem partido) para saber se aceitam tomar parte do novo conselho.
O plano foi exposto pelo próprio Lula, em conserva com um grupo de senadores. Foi um encontro sui generis. Deu-se no sábado, na saleta de reuniões do Aerolula, durante um vôo de uma hora e dez minutos, de Três Lagoas (MS) até Brasília.
Lula fora a Mato Grosso do Sul para participar do enterro do senador Ramez Tebet (PMDB), que morrera na sexta, vítima de câncer no fígado. No velório, encontrou um grupo de senadores. Na volta a Brasília, convidou-os a trocar o jatinho Legacy, cedido ao Congresso pela Força Aérea Brasileira, pelo Aerolula.
Todos aceitaram, inclusive o proto-oposicionista Arthur Virgílio (PSDB-AM). Além dele, voaram com Lula os peemedebistas Pedro Simon (SP), Renan Calheiros (AL), José Sarney (AP) e Valdir Ralpp (RO) . Ao discorrer sobre o conselho de ex-presidentes, Lula não deixou claro se vai incorporar no rol de conselheiros Fernando Collor de Mello, afastado por impeachment e eleito senador nas últimas eleições.
Aproveitando a presença de Virgílio e de Simon, que têm sido duas vozes ácidas contra o seu governo no Senado, Lula disse que espera contar com a ajuda da oposição para aprovar reformas consideradas essenciais. Virgílio mostrou-se receptivo: “Proponha uma agenda ousada para o país. Estamos dispostos a analisar, desde que haja possibilidade de interação, que nós possamos opinar.”
Simon ecoou Virgílio. Disse a Lula que ele precisa apresentar “uma agenda que seja de todos.” Afirmou que a unificação das forças políticas em torno de um projeto de mudanças é a única saída para resolver problemas que, a seu juízo, se apresentarão a Lula no decorrer do segundo mandato.
Lula reafirmou a intenção de abrir o leque da articulação política do governo. Disse que deseja conversar com todos, dos ex-presidentes aos líderes de oposição. Antecipou a Virgílio que irá chamá-lo para uma reunião formal, no Planalto, junto com o senador Tasso Jereissati (CE), presidente do PSDB. Informou que já tem encontro marcado com o governador eleito de São Paulo, José Serra. Não mencionou o dia. Afirmou, de resto, que tem conversado amiúde com Aécio Neves, governador reeleito de Minas.
De resto, Lula disse que pretende “destravar” grandes obras concebidas para melhorar a infra-estrutura do país. Disse que os projetos vêm esbarrando na legislação ambiental e em embargos do Ministério Público. Quer flexibilizar a legislação, a partir de um entendimento entre as partes.
A reunião do Aerolula transcorreu sob atmosfera afável. Lula cercou Simon de mesuras. Para quebrar o gelo com Arthur Virgílio, o presidente brincou: “Falei muito mal de você na campanha?” E Virgílio: “Não, só um pouquinho. Mas está compensado pelo fato de que eu falei mal do senhor por quatro anos no Senado”.
Ouvido pelo blog neste domingo sobre a perspectiva de entendimento entre governo e oposição, Arthur Virgílio comentou: “Cabe ao presidente a iniciativa quanto à proposição da agenda. É essencial que seja assegurada a possibilidade de interação. Nós nunca nos negamos a aprovar nada que fosse do interesse do país até hoje. Não abriremos mão dos reparos ao comportamento ético do governo. Isso é uma cláusula pétrea para nós. Reconheço que encontrei um presidente diferente. Pragmático, como sempre, mas bem mais maduro do que aquele que assumiu em a presidência em 2003”.
Blog do Josias de Souza
Folha de S. Paulo
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