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Planalto articula eleição dos presidentes do Senado e Câmara

por Sylvio Micelliúltima modificação 10/02/2008 10:22 Política para Políticos


A estratégia de Lula em retardar a definição de seu ministério pode estar ligada às eleições para as mesas da Câmara e Senado num teste para avaliar a fidelidade de suas bancadas, precavendo-se diante de possíveis descontentamentos e surpresas. Situações que já viveu num passado recente. No seu primeiro mandato uma das complicações vividas, e que mais o irritou, foi a divisão registrada na eleição da Câmara que redundou numa derrota dos candidatos petistas (foram dois...) para o deputado Severino Cavalcanti com todos seus desdobramentos.

Preferências seriam Renan Calheiros e Aldo Rebelo

A estratégia de Lula em retardar a definição de seu ministério pode estar ligada às eleições para as mesas da Câmara e Senado num teste para avaliar a fidelidade de suas bancadas, precavendo-se diante de possíveis descontentamentos e surpresas. Situações que já viveu num passado recente. No seu primeiro mandato uma das complicações vividas, e que mais o irritou, foi a divisão registrada na eleição da Câmara que redundou numa derrota dos candidatos petistas (foram dois...) para o deputado Severino Cavalcanti com todos seus desdobramentos.

Os presidentes da Câmara, Aldo Rebelo, e do Senado, Renan Calheiros, durante reunião de líderes. Foto: Antonio Cruz/ABr

Ora, a presidência da Câmara é muito importante não só na linha de sucessão, mas também como instância inicial para admissibilidade de ações contra o Presidente da República. Lula quer usar toda a experiência adquirida para evitar, agora, novos erros e usar os recursos disponíveis. Por isso, joga com o tempo para encaminhar tudo dentro de um mesmo interesse político: as presidências do Congresso, a maioria parlamentar via governo de coalizão e um ministério que represente a segurança da operação.

Cenários

No Senado, o PMDB reivindica a reeleição de Renan Calheiros que tem maioria, ainda que o PFL articule uma candidatura de oposição, a do senador José Agripino Maia. Mas na Câmara o problema é maior: o PMDB invoca direitos por contar com a maior bancada, mas esbarra no fato de que já teria o comando do Senado e por decorrência do Congresso. Por isso PT e PC do B (Aldo Rebelo) reivindicam o posto. O governo trata de persuadir o PT a manter Aldo, que lhe foi fiel.

Evoluções

O líder do PMDB na Câmara, Wilson Santiago, no entanto, está dissociando as duas eleições. E garante que o partido não abrirá mão da presidência da Casa, negando a existência de um acordo para que o PT assuma o argo. E é muito claro nesse sentido. "O PMDB defenderá até o último instante o direito que conquistou nas urnas", numa alusão à condição majoritária da bancada. O Partido tem 89 deputados, contra 83 do PT. E o líder peemedebista se baseia no que estabelecem a Constituição e o regimento interno da Câmara, determinando o respeito à proporcionalidade das bancadas na eleição da Mesa Diretora da Casa.

A disputa passou a preocupar mais o governo, diante de um clima que pode levar à radicalização e até à lição vivida no ano passado. Além disso todo o trabalho que o Planalto desenvolve, sob o comando do próprio Presidente Lula, poderá sofrer prejuízo, deixando seqüelas políticas, se não for bem equacionado.

Por isso, depois de muitas reuniões no governo a segunda-feira terminou com uma clara tendência. Na eleição para presidência da Câmara, o Planalto prefere a reeleição de Aldo Rebelo, que curiosamente também conta com votos de deputados oposicionistas como admite o líder pefelista, Rodrigo Maia. O problema seria convencer o PT, pois o PMDB teoricamente estaria contemplado com a presidência do Senado. Mas o PT, afinal, é o Partido do Presidente...

Toda essa movimentação parece justificar a precaução de Lula em adiar a composição de seu ministério, pois as negociações poderão ser casadas. Ele tem, na realidade, todos os trunfos para costurar as equações desejadas no Senado e Câmara.

Carlos Fehlberg

Fonte: Política para Políticos




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