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2007, o ano que (ainda) não começou

por Sylvio Micelliúltima modificação 10/02/2008 10:03 Via Política


Do jornalista e escritor Zuenir Ventura, poderia ser adaptada a frase aplicada a 1968: “2006, o ano que não terminou”. Com as conhecidas tropeçadas na reta final do ano, o Congresso Nacional retomará seus trabalhos ao ritmo do ano anterior. Sem ter conseguido resolver politicamente a questão dos próprios aumentos salariais, os deputados abrirão os trabalhos parlamentares tendo na pauta um problema intestinal – como reajustar seus vencimentos em padrões aceitáveis pela sociedade.

Por Marcelo Villas-Bôas 
 
Do jornalista e escritor Zuenir Ventura, poderia ser adaptada a frase aplicada a 1968: “2006, o ano que não terminou”. Com as conhecidas tropeçadas na reta final do ano, o Congresso Nacional retomará seus trabalhos ao ritmo do ano anterior. Sem ter conseguido resolver politicamente a questão dos próprios aumentos salariais, os deputados abrirão os trabalhos parlamentares tendo na pauta um problema intestinal – como reajustar seus vencimentos em padrões aceitáveis pela sociedade. Mas não é só isso – a reforma política, que não vingou no atribulado ano eleitoral que passou, deixa para 2007 também outras discussões transcendentais - o fim do voto secreto na Câmara e no Senado e a extinção dos chamados cargos de natureza especial. E, claro, a grande encruzilhada de 2007: o reajuste dos salários dos parlamentares.

Se, no ano passado, as eleições emperraram o funcionamento do Congresso, deixando para depois temas como as reformas política e tributária, 2007 começa com a perspectiva de que, dificilmente, esses temas serão zerados da agenda política nacional. O ano começa abalando as hostes governistas por uma inusitada disputa interna. Preferido pelo Palácio do Planalto, o atual presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PcdoB), deverá disputar voto a voto, no dia 1º de fevereiro, com o atual líder do governo no Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP). Por trás da candidatura Chinaglia está a figura ex-toda-poderosa mas ainda quase onipresente do deputado cassado José Dirceu. Mesmo que por uma via transversa, mas nem por isso menos eficaz – no caso, a chefia do Poder Legislativo -, Dirceu ameaça abrir seus tentáculos novamente sobre o Governo Lula.

A disputa pela presidência da Câmara, que ainda poderá fazer surgir um candidato de “terceira via” – mesmo que saído do governista PMDB – abala diretamente a ampla coalizão do segundo governo Lula. Integrada por 10 partidos, a administração Lula começou sem ministério novo e nem grandes mudanças em segundo ou terceiro escalões. De férias, o presidente guarda na manga a forma de acabar a disputa no meio oficial – a entrega de um ministério ao “candidato” que abdicar em favor do esperado consenso. Lula considera que tanto Aldo quanto Chinaglia têm perfil para comandar uma pasta. O comunista foi ministro da Coordenação Política e o líder do governo, médico radiologista, chegou a ser cotado para ocupar o Ministério da Saúde na primeira equipe ministerial, montada em 2002. Mas a oferta tem prazo. Só vale antes da eleição. Se os dois mantiverem as candidaturas e chegarem a disputar votos em plenário, porém, ele descarta conceder um prêmio de consolação ao perdedor.

A disposição dos dois candidatos, entretanto, poderá levar o governo a “administrar” a candidatura vitoriosa sem expor-se ao desgaste de insistir no nome de Aldo Rebelo. Depois de ganhar corpo com a adesão da bancada do PMDB, a candidatura Chinaglia pode, até, ganhar votos do PSDB e do PFL. Por cautela, o Ministro da Articulação Política, Tarso Genro, já avisa que o governo poderá conviver com dois nomes na disputa: “No limite, a base pode ter civilizadamente dois candidatos, sem que haja nenhum tipo de ruptura nas relações políticas que nós estamos estabelecendo”. Seria o caso, agora, de evitar um risco maior com a possibilidade de um terceiro candidato vencer. Essa candidatura teria como prosperar justamente com a renúncia de Aldo ou Chinaglia, o que recomenda ao governo manter-se junto a ambos.

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marcelo@viapolitica.com.br 

Fonte: Via Política



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