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Brasil tem tradição em pacotes econômicos

por Sylvio Micelliúltima modificação 10/02/2008 10:04 Jornal do Commercio/PE


Plano de Metas de JK, Planos Nacionais de Desenvolvimento (PND), Nova Política Industrial, Brasil em Ação, Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Não foram poucos os planos lançados com pompa por governos para tentar desenvolver o Brasil. O PAC é herdeiro dessa tradição brasileira de embalar metas, projetos e lançar como pacotes medidas supostamente capazes de colocar o País no desenvolvimento sustentável.

CRESCIMENTO
Brasil tem tradição em pacotes econômicos

Desde Juscelino Kubitschek, representantes dos governos federais lançam planos com pompa e promessas grandiosas para colocar o Brasil no rumo do desenvolvimento sustentável

RENATO LIMA
Plano de Metas de JK, Planos Nacionais de Desenvolvimento (PND), Nova Política Industrial, Brasil em Ação, Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Não foram poucos os planos lançados com pompa por governos para tentar desenvolver o Brasil. O PAC é herdeiro dessa tradição brasileira de embalar metas, projetos e lançar como pacotes medidas supostamente capazes de colocar o País no desenvolvimento sustentável.

Do governo dito desenvolvimentista de Juscelino, passando pelo período militar e chegando nos dias atuais, todos os governos batizaram planos de crescimento com nomes sonoros e fizeram promessas grandiosas. Mas as características desses planos mudaram à medida que o Estado brasileiro ficou com menos recursos para investir e a própria economia mundial se tornou mais aberta e menos estatista.

O Plano de Metas de Juscelino Kubitschek foi dos mais ousados. O economista Luiz Carlos Bresser Pereira, no livro Desenvolvimento e crise no Brasil - História, Economia e Política de Getúlio Vargas a Lula (Editora 34), afirma que o plano foi a primeira tentativa séria de planejar o crescimento do Brasil. Para ele, JK, “com raro senso de oportunidade, soube perceber o momento histórico pelo qual o País passava e deu a seu governo duas linhas mestras: a industrialização forçada, a todo vapor, e o otimismo, a confiança nas potencialidades do País e de seu povo”. Depois, foi a vez do PND, com a criação de várias estatais.

Mais recentemente, o governo FHC lançou em 1996 o Brasil em Ação. Tratava-se da articulação de 42 projetos de investimento em infra-estrutura e de desenvolvimento social, com a aplicação de quase R$ 70 bilhões (câmbio da época). Desse valor, o governo aplicava do orçamento apenas 16%, enquanto o resto era de outras fontes. Em 1999, o programa foi reavaliado com a composição de 952 projetos, totalizando R$ 317 bilhões e o programa foi rebatizado de Avança Brasil. O número elevado é porque o governo incluiu até mesmo o pagamento de aposentados como ação do programa.

O Avança Brasil teve inovações gerenciais importantes, com metas e gestores designados para cada ação. Mas falhou em muitas das metas. O programa falava em melhorar a infra-estrutura energética e logo em 2001 o Brasil passou por um racionamento. Previa também fortes investimentos em transportes e o setor ainda é um dos gargalos para o crescimento do Brasil. E ainda previa a mobilização do governo e da sociedade para a redução da violência, meta mais do que descumprida

Fonte: Jornal do Commercio/PE



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