PAC vira prioridade e pode tirar espaço das reformas
Articulação e decisões políticas marcam a semana que começa com a reunião dos governadores tendo o foco voltado para o que consideram possíveis insuficiências do PAC. O plano do governo vai ser passado a limpo, diante das reações que já no primeiro dia ficaram visíveis, a ponto de uma reunião de governadores ter ocorrido logo após sua apresentação. Se essa articulação crescer, capaz de prejudicar os planos do governo, Lula tem a seu favor a coalizão partidária formada pelos dirigentes das legendas dos próprios governadores.
Meta do governo é o crescimento do PIB, por isso a definição de interesse
Articulação e decisões políticas marcam a semana que começa com a reunião dos governadores tendo o foco voltado para o que consideram possíveis insuficiências do PAC. O plano do governo vai ser passado a limpo, diante das reações que já no primeiro dia ficaram visíveis, a ponto de uma reunião de governadores ter ocorrido logo após sua apresentação. Se essa articulação crescer, capaz de prejudicar os planos do governo, Lula tem a seu favor a coalizão partidária formada pelos dirigentes das legendas dos próprios governadores.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa do Fórum Econômico Mundial/Foto: Ricardo Stuckert/PR Além da mobilização de outros setores. Quer dizer que, se de um lado os governadores organizam uma reação, as direções dos seus partidos estão comprometidas. Resta saber, dependendo da evolução dos acontecimentos, quem tem mais força para influir nas votações no Congresso: os comandos partidários ou os governadores com suas influências regionais e bases eleitorais dos congressistas. Esse é um quadro cujo desdobramento só será possível avaliar a partir desta semana.
E as reformas?
Outro ponto que ficou nebuloso é o futuro das reformas estruturais. Tão debatidas e proclamadas na campanha elas passaram, de repente, a um segundo plano e até desconsideradas como urgentes... A previdenciária é uma delas. E com ela a tributária e a política. A meta absoluta do governo é o crescimento econômico e a viabilização do PAC. A impressão de alguns setores é a de que colocando como prioridade o pacote econômico e a busca de um PIB mais alto, o governo não quer dividir o seu debate no Congresso e sociedade com as próprias reformas. Até porque divergências em torno delas poderiam repercutir na votação do que considera fundamental, o PAC. É uma questão de priorizar, tanto que apesar dessas últimas declarações mostrarem algumas contradições, setores do governo admitem que as reformas poderão estar na pauta da reunião de março entre Lula e governadores.
Mobilização
O certo, porém, é que o Presidente vai mesmo priorizar as obras do PAC. Ele fará visitas, nesta semana a uma estrada, uma usina de biodiesel, a um estaleiro de navios petroleiros e uma rede de tratamento de esgoto, sinalizando seu apoio ao programa e fazendo pronunciamentos.
Dos R$ 503 bilhões de investimentos previstos pelo governo para os próximos quatro anos, 16% serão gastos no Nordeste. Nas previsões, a região só perde para o Sudeste, que ficaria com 26% dos recursos. O Sudeste também está na agenda de Lula da próxima semana. Sexta-feira, ele estará em Paulínia, em São Paulo, no lançamento da pedra fundamental de uma fábrica de plástico. No mesmo dia, visitará as obras de uma estação de tratamento de esgoto em Campinas.
Carlos Fehlberg
Fonte: Política para Políticos
Câmara e Senado fecham acordo sobre regra para MPs