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A agenda da mídia

por Sylvio Micelliúltima modificação 10/02/2008 10:04 Jornal Zero Hora/RS


Ao acusar oportunisticamente a mídia pela desmoralização do Poder Legislativo, o ministro Tarso Genro até pode ter agradado a parte da platéia de deputados e vereadores que o ouvia no seminário sobre reforma política promovido pela Assembléia Legislativa do Estado na última segunda-feira. Mas cometeu uma injustiça com os cidadãos brasileiros que repudiam inequivocamente as práticas políticas dos parlamentares envolvidos nas irregularidades denunciadas pela imprensa nos episódios do mensalão, das sanguessugas e da violação de sigilo bancário - os mais marcantes da recente sucessão de escândalos.

Editorial

Ao acusar oportunisticamente a mídia pela desmoralização do Poder Legislativo, o ministro Tarso Genro até pode ter agradado a parte da platéia de deputados e vereadores que o ouvia no seminário sobre reforma política promovido pela Assembléia Legislativa do Estado na última segunda-feira. Mas cometeu uma injustiça com os cidadãos brasileiros que repudiam inequivocamente as práticas políticas dos parlamentares envolvidos nas irregularidades denunciadas pela imprensa nos episódios do mensalão, das sanguessugas e da violação de sigilo bancário - os mais marcantes da recente sucessão de escândalos.

Foi mais longe o ministro das Relações Institucionais no seu equivocado pronunciamento. Disse que a mídia, controlada por grupos econômicos, impõe uma agenda ao país que nem sempre é de interesse nacional ou republicano. Em decorrência desta visão, o Legislativo teria sido submetido a "uma destruição cruel" como se "os erros" de determinados partidos, pessoas e grupos políticos fossem suficientes para desautorizar toda uma história.

Ora, a mídia tem que estar comprometida com os interesses da sociedade porque os veículos de comunicação dependem essencialmente da sua credibilidade junto ao público para sobreviver. Não podem, portanto, fazer uma cobertura editorial desvinculada da realidade. Nem tampouco lhes é permitido atenuar falcatruas comprovadas como se fossem apenas "erros", como faz agora o ministro, contrariando inclusive a firmeza ética que demonstrou ao defender a refundação do seu partido depois dos escândalos protagonizados por integrantes da sigla.

Até mesmo ao citar o exemplo do acidente do metrô de São Paulo o ministro foi infeliz na sua tese conspiratória: poucas vezes se viu a chamada grande mídia dar uma cobertura tão intensa e tão crítica como nesse episódio. A agenda da mídia é a agenda da sociedade.

Fonte: Jornal Zero Hora/RS



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