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Desdobramentos de Xangai

por Sylvio Micelliúltima modificação 10/02/2008 10:04 Boletim Luís Nassif Online


O primeiro é o tamanho da queda das demais bolsas dos países desenvolvidos, em relação à oscilação média do último semestre. Segundo o leitor Rubens Damião, em termos relativos, foi a nona maior queda relativa da história da Bolsa americana. É mais significativo que a queda de 1987. Ainda não dá para perceber os efeitos sobre a economia real, mas provoca uma queda de confiança, o primeiro sinal sério de que a valorização dos ativos passa a ser maior do que a disponibilidade de riqueza financeira.

A queda na Bolsa de Xangai foi superada no dia seguinte. Essa queda ocorreu depois de uma elevação substancial nos dias anteriores. Mesmo assim, há questões relevantes, levantadas nas discussões do Blog (www.luisnassif.com.br). Em relação à China propriamente dita, o impacto será pequeno. As Bolsas representam pouco dentro da economia chinesa.

Chamam a atenção dois pontos específicos.

O primeiro é o tamanho da queda das demais bolsas dos países desenvolvidos, em relação à oscilação média do último semestre. Segundo o leitor Rubens Damião, em termos relativos, foi a nona maior queda relativa da história da Bolsa americana. É mais significativo que a queda de 1987. Ainda não dá para perceber os efeitos sobre a economia real, mas provoca uma queda de confiança, o primeiro sinal sério de que a valorização dos ativos passa a ser maior do que a disponibilidade de riqueza financeira.

O segundo, levantado por J. Gambogi, é em relação à crise do mercado imobiliário americano e suas repercussões sobre outros mercados. Em 2006 foi criado um mercado de derivativos nos EUA, em cima dos empréstimos hipotecários de alto risco. Desde janeiro os prêmios de risco subiram exponencialmente, assim como o volume de execução de hipotecas. Pode estar havendo uma subestimação dos efeitos dessa crise. Analistas do USB, por exemplo, julgam que a crise americana será circunscrita e por tempo limitado, enquanto a economia chinesa prosseguirá em sua escalada de crescimento, segurando os preços dos ativos globais – especialmente de commodities (minérios e commodities agrícolas).

Essa outra vertente acha excesso de otimismo. Em 2002 houve outra crise no mercado imobiliário americano, de conseqüências médias. Mas na época o setor imobiliário contribuía com apenas 1% do PIB, contra 2 a 2,5 pontos percentuais atuais.

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O que poderia precipitar a crise? Dois fatores, segundo Gambogi. Do lado da demanda, nos últimos anos houve um aumento substancial nos volumes de recompra, U$ 125 bilhões por trimestre contra U$ 25 bilhões por trimestre três anos atrás. Houve enorme avanço nas operações de fusão, e processos pesados de endividamento (para fusão) patrocinados por financiamentos em moedas de baixo custo. Do lado da oferta, uma redução de 3% nos últimos doze meses na oferta de ações nas bolsas norte-americanas.

Juntando as duas pontas, tem-se uma combinação potencialmente explosiva.

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Aí se entra no caso dos emergentes. O mercado costuma fixar os preços dos ativos (ações, commodities) como múltiplos do resultado.

Por exemplo, lembra Gambogi, o níquel está cotado 4 vezes acima do custo médio de produção, insustentável. Muitos “hedge funds” estão ainda posicionados em commodities, se esquecendo de que esse ativo gera cash flow negativo. Ou seja, quando se compram ações, as companhias crescem e geram dividendos. Quando se aplica em um minério (níquel, por exemplo) a quantidade permanece a mesma ao longo do tempo, e ainda há o agravante do custo de armazenagem.

Ora, o investidor mantém o dinheiro ali na expectativa de valorização do ativo. Quando a expectativa cessa, especialmente em ativos super-valorizados, há sempre o risco latente da debandada.

Por isso, a crise da Bolsa de Xangai não pode ser minimizada.

IPT

O novo Secretário do Desenvolvimento de São Paulo, vice-governador Alberto Goldman, está se preparando para abrir a caixa preta do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas). Além de não ter orçamento, não se saber o preço das pesquisas, o IPT sequer disponibiliza as pesquisas em seu site, para que possam ser consultadas pelo setor produtivo. O controle fica com intermediários, com baixíssimo retorno para o IPT.

Etanol

Nas negociações com a delegação da Flórida que estava no ano passado aqui, visando criar a Comissão Interamericana do Etanol, o nome do ex-Ministro Roberto Rodrigues foi indicado pelos próprios americanos. Um dos membros dessa delegação, Mario Fernandez, cubano de Miami, é velho amigo do Lineu da Costa Lima, secretário executivo do Ministério da Agricultura  e homem do grupo político do Roberto Rodrigues.

ICMS destino

Desde 2003 se discute a questão do ICMS no destino (cobrar o imposto no estado consumidor). Prejudicaria estados “exportadores” como São Paulo, e beneficiaria “importadores” como os do nordeste. Mas teria a vantagem de acabar com a guerra fiscal. Mesmo assim, em São Paulo se acredita que a intenção do governo federal é usar o tema como álibi para prorrogar O DRU (Desvinculação de Recurso Orçamentário).

O DRU

O DRU foi uma invenção pós Plano Real que permitiu ao governo federal se apossar de receitas destinadas a estados e municípios. Fez parte do processo de arrocho fiscal dos estados, quando a União resolveu avançar sobre sua base de arrecadação e criar impostos que não poderiam ser repartidos com os demais entes federativos. Outra intenção do governo seria a prorrogação da CPMF.

Qualidade no INSS

Segundo o último relatório de produtividade do INSS, em janeiro de 2007, o tempo de permanência dos segurados em agências com o sistema SIGA (automatizado) implantado foi de uma hora, contra 01:46 de janeiro de 2006. No período, o número médio de pessoas por fila caiu de 80 para 20 pessoas. O número de benefícios requeridos cresceu de 438 mil em 2005 para 582 mil em 2006, mostrando aumento de eficiência e de custos.

Recadastramento

No recadastramento entraram 17 milhões de beneficiários. 14,8 milhões recadastrados dentro do prazo. 875 mil benefícios suspensos no recadastramento, 682 mil reativados. E 726 mil foram cassados por outros motivos, não ligados ao recenseamento. No total 9,6% dos benefícios foram suspensos por diversos motivos. O estoque de auxílio doença, depois de bater no teto de 1,62 milhão em 2005, caiu para 1,57 em 2006.

Fonte: Boletim Luís Nassif Online



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