08 de Março - Dia Internacional da Mulher: como assegurar à portadora de câncer o direito de ser mãe?
A incidência do câncer cresce no Brasil, como em todo o mundo, num ritmo que acompanha o envelhecimento populacional decorrente do aumento da expectativa de vida. O aumento da doença é resultado das transformações globais das últimas décadas, que alteraram a situação de saúde dos povos devido à urbanização acelerada, novos modos de vida, novos padrões de consumo.
”Dependendo do estágio do tumor, elas terão de ser submetidas à quimioterapia e/ou radioterapia, que podem, em muitos casos, afetar a capacidade reprodutiva desta paciente”, afirma o médico Joji Ueno,
A incidência do câncer cresce no Brasil, como em todo o mundo, num ritmo que acompanha o envelhecimento populacional decorrente do aumento da expectativa de vida. O aumento da doença é resultado das transformações globais das últimas décadas, que alteraram a situação de saúde dos povos devido à urbanização acelerada, novos modos de vida, novos padrões de consumo.
No Brasil, segundo estimativas apresentadas pelo INCA, Instituto Nacional do Câncer, só em 2006, 472 mil novos casos de câncer seriam registrados entre a população. Os tipos mais incidentes, à exceção de pele não melanoma, são os de próstata e pulmão no sexo masculino e mama e colo do útero no sexo feminino. O INCA estimava o surgimento de 234.570 casos novos para o sexo masculino e 237.480 para sexo feminino. O câncer de pele não melanoma (116 mil casos novos) é o mais incidente na população brasileira, seguido pelos tumores de mama feminina (49 mil), próstata (47 mil), pulmão (27 mil), cólon e reto (25 mil), estômago (23 mil) e colo do útero (19 mil).
Câncer de mama
O número de casos novos de câncer de mama esperados para o Brasil em 2006 era o de 48.930, com um risco estimado de 52 casos a cada 100 mil mulheres. Na região Sudeste, o câncer de mama é o mais incidente entre as mulheres com um risco estimado de 71 casos novos por 100 mil. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, este tipo de câncer também é o mais freqüente nas mulheres das regiões Sul (69/100.000), Centro-Oeste (38/100.000) e Nordeste (27/100.000). Na região Norte é o segundo tumor mais incidente (15/100.000).
Fonte: INCA
Uma das questões mais delicadas em relação ao tratamento de mulheres jovens com o diagnóstico de câncer é o comprometimento da fertilidade.”Dependendo do estágio do tumor, elas terão de ser submetidas à quimioterapia e/ou radioterapia, que podem, em muitos casos, afetar a capacidade reprodutiva desta paciente”, afirma o médico Joji Ueno, especialista em Reprodução Humana. Muitas pacientes jovens que têm o câncer diagnosticado não abrem mão da maternidade, mesmo sabendo que há maior chance de reincidência do câncer no período de cinco anos, se engravidarem. “Por isso, o tratamento deve ser muito discutido”, defende o médico.
“Os efeitos esterilizantes dos tratamentos contra o câncer podem resultar tanto em perda da função uterina normal, como na destruição total ou parcial da reserva de óvulos no ovário”, explica Joji Ueno, diretor da Clínica Gera. Por isto, antes das sessões que quimioterapia e/ou radioterapia, as mulheres portadoras de câncer interessadas em engravidar recorrem à fertilização in vitro. As chances de gravidez com este procedimento fixam-se em torno de 30% a 40%.
Câncer do colo do útero
O número de casos novos de câncer de colo do útero esperados para o Brasil em 2006 era de 19.260, com um risco estimado de 20 casos a cada 100 mil mulheres. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de colo do útero é o mais incidente na região Norte (22/100.000). Nas regiões Sul (28/100.000), Centro-Oeste (21/100.000) e Nordeste (17/100.000) representa o segundo tumor mais incidente. Na região Sudeste é o terceiro mais freqüente (20/100.000).
Fonte: INCA
Para a preservação da capacidade reprodutiva das pacientes com câncer, uma das alternativas é o congelamento dos óvulos, pois a infertilidade causada pelo tratamento da doença pode ser permanente. “O óvulo pode ser congelado por vários anos. Depois da cura do câncer, a fertilização será feita com o esperma do homem que será o pai”, diz o médico. A técnica, porém, ainda apresenta poucos resultados positivos no mundo. “As condições para gravidez com óvulos congelados, atualmente, atingem 20%”, afirma Joji Ueno.
Outra opção terapêutica é o congelamento de pré-embriões. “O congelamento de pré-embriões sempre gerou uma discussão social muito fervorosa, principalmente devido a questões éticas e religiosas. O embrião também pode se manter congelado por um tempo indefinido, mas muitas religiões consideram que a vida se inicia no momento da concepção. O embrião, portanto, é tratado como um ser vivo, e seu eventual descarte pode ser considerado uma conduta anti-ética”, explica Joji Ueno, coordenador do curso de pós-graduação, Especialização em Medicina Reprodutiva, ministrado pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. Uma outra dificuldade do congelamento de pré-embriões é que, se a mulher quiser implantá-los, terá de pedir autorização ao pai, ou seja, ao parceiro que fecundou o óvulo.
A Resolução CFM Nº 1.358/92 estabelece as normas e limites para a reprodução assistida no País:
V - CRIOPRESERVAÇÃO DE GAMETAS OU PRÉ-EMBRIÕES
1 - As clínicas, centros ou serviços podem criopreservar espermatozóides, óvulos e pré-embriões.
2 - O número total de pré-embriões produzidos em laboratório será comunicado aos pacientes, para que se decida quantos pré-embriões serão transferidos a fresco, devendo o excedente ser criopreservado, não podendo ser descartado ou destruído.
3 - No momento da criopreservação, os cônjuges ou companheiros devem expressar sua vontade, por escrito, quanto ao destino que será dado aos pré-embriões criopreservados, em caso de divórcio, doenças graves ou de falecimento de um deles ou de ambos, e quando desejam doá-los.
Por fim, há também a possibilidade de fazer o congelamento de fragmentos do ovário, que posteriormente, podem ser transplantados novamente para a paciente ou submetidos a uma técnica laboratorial de amadurecimento in vitro. Ao se submeter à quimioterapia ou/e à radioterapia, os folículos dos ovários da paciente portadora de câncer serão destruídos e não se recomporão mais. “Por isso, o especialista em Reprodução Humana faz a retirada de uma parte superficial destes órgãos, antes da mulher se submeter a estes tratamentos. Esses fragmentos podem ser reimplantados mais tarde, em seu organismo, e a mulher passará a ovular normalmente de novo”, explica o médico. “Poderão se beneficiar do congelamento de fragmentos do ovário mulheres com câncer de mama, de colo de útero, e ainda, leucemia, linfoma e sarcomas”, afirma Joji Ueno. Esta técnica é empregada no Brasil em fase de pesquisa, os médicos ainda buscam a obtenção de uma gestação com nascimento.
JOJI UENO
Joji Ueno é ginecologista, especialista em reprodução humana. Integra e dirige o corpo clínico da Clínica Gera, referência em laparoscopia ginecológica e histeroscopia. É Doutor em Medicina pela Faculdade de Medicina da USP. Coordenador de Pós-Graduação Lato Sensu, Especialização em Medicina Reprodutiva, do Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio Libanês. É também o responsável pelo Setor de Histeroscopia Ambulatorial do Hospital Sírio Libanês e fellow do The Jones Institute for Reproductive Medicine da Eastern Virginia Medical School, nos Estados Unidos.
SERVIÇO:
Clínica GERA
Rua Peixoto de Gomide, 515
Conjuntos 11 e 12
São Paulo- SP
Atendimento: de segunda a sexta-feira
Horário: entre 09:00 e 19:00
Telefone: (11) 3266 7974
Homepage: www.gerasp.com.br
Fonte: Excelência em Comunicação
Márcia Wirth
Tel: (11) 5041 6827/9394 3597
E-mail: wirthmarcia@uol.com.br
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