Em 9 de 10 casos, clima já foi alterado
O esboço da esperada segunda parte do relatório das Nações Unidas sobre as mudanças climáticas revela que elas estão acontecendo agora, de uma forma mais rápida do que se imaginava e que seu impacto é pior que o imaginado. Nenhuma região do planeta será poupada e algumas serão atingidas com especial gravidade.
O esboço da esperada segunda parte do relatório das Nações Unidas sobre as mudanças climáticas revela que elas estão acontecendo agora, de uma forma mais rápida do que se imaginava e que seu impacto é pior que o imaginado. Nenhuma região do planeta será poupada e algumas serão atingidas com especial gravidade.
Segundo o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), influências humanas nos últimos 30 anos "tiveram um efeito reconhecível em muitos sistemas físicos e biológicos", escrevem os autores do estudo que será divulgado em abril, em Bruxelas, depois das discussões finais com governos de todo o mundo. A primeira parte, divulgada em fevereiro, mostrou que o aquecimento é inequívoco e será sentido pelos próximos 100 anos, pelo menos.
A segunda parte, baseada em 30 mil pacotes de informações inseridos em mais de 70 estudos internacionais, aponta que há evidências de alterações ambientais decorrentes do efeito estufa causado pela humanidade em quase 9 de 10 casos pesquisados.
Todos os continentes, e muitos ecossistemas, sentem os efeitos do aquecimento. A lista de evidências é extensa: mais e maiores lagos glaciais, que podem levar a inundações catastróficas; aquecimento do permafrost (solo gelado das regiões árticas) em regiões montanhosas, aumentando o risco de deslizamentos de terra; aquecimento de rios e lagos, o que muda a qualidade da água; aceleração de correntes fluviais, afetadas pelo derretimentos de geleiras; antecipação da primavera, com florescimento prematuro das plantas e alteração de migrações de aves; migração de plantas e animais para regiões de latitude mais alta, onde o clima fica mais ameno. Para os pesquisadores, é "muito improvável" que as mudanças sejam fenômenos naturais.
O documento faz projeções para um futuro mais quente. De 20% a 30% de todas as espécies enfrentarão um "alto risco de extinção" se as temperaturas médias globais subirem 1,5°C a 2,5°C em relação a 1990, o que pode ocorrer até 2050.
Com a alteração climática, sofre o homem. O IPCC espera um aumento de mortes por inundações, secas, incêndios, doenças e tempestades relacionadas, especialmente na Europa e na Ásia. Centenas de milhões de pessoas em regiões costeiras densamente povoadas estão ameaçadas.
Fonte: O Estado de São Paulo