SP sofre com demissão de professores e superlotação de salas de aula
"Três meses de Serra nos levam a crer que sua gestão caminha para um rumo ainda pior que o de seus antecessores", alertou o presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo, Carlos Ramiro de Castro
"Três meses de Serra nos levam a crer que sua gestão caminha para um rumo ainda pior que o de seus antecessores", alertou o presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo, Carlos Ramiro de Castro
Os 12 anos dos tucanos à frente do sistema educacional da rede pública no Estado de São Paulo se transformaram em verdadeiro desmonte, uma depredação. Além da demissão em massa de professores e do fechamento de centenas de escolas, os concursos públicos foram abandonados e enterrados, toda a infra-estrutura dos estabelecimentos de ensino virou um drama. Não temos salas ambiente e de informática, laboratório, biblioteca, faltam materiais pedagógicos, segurança adequada, sem falar no caos que levou à progressão continuada - com alunos sendo aprovados automaticamente - e à desvalorização dos profissionais ao longo destes anos", afirmou o professor Carlos Ramiro de Castro (Carlão), presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp).
Na avaliação do líder do professorado paulista, "a dilapidação se aprofundou e alastrou pelas unidades pedagógicas do ensino básico, médio e superior, no Instituto Paula Sousa. Os governos do PSDB investem muito mal, apenas 3,5% do Produto Interno Bruto estadual na educação pública, enquanto que o percentual recomendado pelos especialistas de organizações brasileiras e internacionais é da ordem de 10 a 11% do PIB. Assim, a nossa população paulista poderia ter um sistema educacional realmente de qualidade, mas não é o que está acontecendo, muito pelo contrário".
DESVALORIZAÇÃO -"Não há como ter educação de qualidade com a desvalorização do profissional. São 12 anos de salários brutalmente arrochados, sem plano algum de carreira, com condições de trabalho precárias, em salas superlotadas de 45 a 50 alunos em média, o que torna praticamente impossível ensinar e aprender", condenou Carlão, apontando que, além deste drama, "o tempo de permanência dos alunos em inúmeras escolas é de apenas três horas e 30 minutos e, na maioria delas, alcança quatro horas e 30 minutos. Já as com período integral, representam uma pequena minoria".
"Não há como ter educação de qualidade com a desvalorização do profissional. São 12 anos de salários brutalmente arrochados, sem plano algum de carreira, com condições de trabalho precárias, em salas superlotadas de 45 a 50 alunos em média, o que torna praticamente impossível ensinar e aprender", condenou Carlão, apontando que, além deste drama, "o tempo de permanência dos alunos em inúmeras escolas é de apenas três horas e 30 minutos e, na maioria delas, alcança quatro horas e 30 minutos. Já as com período integral, representam uma pequena minoria".
Conforme o presidente da Apeoesp, a chegada de José Serra veio piorar ainda mais o tenebroso quadro existente. "Além da situação educacional já estar caótica, esses três meses de mandato de Serra nos levam a crer que a sua gestão à frente do Palácio dos Bandeirantes caminha para um rumo ainda pior do que a de seus antecessores tucanos. A sua atitude como governante é devastadora, em prol do estado mínimo, da entrega acelerada do patrimônio público, da educação, de terceirização dos setores essenciais, o que apenas iria ampliar a fragmentação do setor público. Isto é o programa do PSDB", alertou.
TREVAS - Por meio do autoritarismo e do elitismo, ressaltou Carlão, os tucanos tentam afastar a comunidade para impor seu modelo de exclusão: "a gestão autoritária não permite a participação de pais, alunos, professores e funcionários, nem dos especialistas na área, que juntos poderiam exigir e fiscalizar o controle da aplicação das verbas públicas, fator que muitas vezes denigre a imagem de nossas escolas e que há anos temos denunciado". "Ao contrário do que estamos vendo hoje, as escolas públicas teriam que ser preparadas para elevar o conhecimentos das crianças, dos jovens e dos adolescentes, para que eles pudessem desenvolver as suas potencialidades com vistas ao seu futuro profissional, o progresso e a cidadania", frisou.
O "estraçalhamento" da rede pública, destacou o presidente da Apeoesp, se reflete hoje "no crescimento exponencial da violência urbana que permeia o nosso dia-a-dia. Investimento em educação significa menos violência, mais empregos e distribuição de renda".
Para Carlão "o grande desafio da atualidade, a nossa luta e o nosso compromisso, é solucionar os graves problemas que existem na educação com uma gestão democrática no sistema, com a participação da comunidade, e isso passa pelos conselhos municipais, estaduais e nacionais. É assim que iremos recuperar a perda de qualidade e construir uma nova escola, uma cidade, um Estado e um país melhor".
Fonte: Agência Cut de Notícias
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