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Brasil precisa mudar gastos com combate ao câncer

por Sylvio Micelliúltima modificação 10/02/2008 10:05 Agência Câmara


Santini explicou à comissão que o Brasil ainda gasta a maior parte de seus recursos no tratamento de doentes em fase clínica ou grave da doença, quando deveria, no entendimento atual, investir em informação, prevenção e detecção precoce da doença, quando o tratamento tem muito mais chances de ser bem sucedido.

Sônia Baiocchi
 
O Brasil precisa mudar o perfil de seus gastos no combate ao câncer. Essa foi a tônica da apresentação do presidente do Instituto Nacional do Câncer (Inca), Luiz Antônio Santini, em audiência pública que comemorou os 70 anos da instituição. Santini afirmou que essa é uma das linhas principais da Política Nacional de Controle do Câncer, elaborada por profissionais da saúde pública e entidades científicas, que foi apresentada nesta terça-feira durante audiência pública promovida pela Comissão de Seguridade Social e Família.

Santini explicou à comissão que o Brasil ainda gasta a maior parte de seus recursos no tratamento de doentes em fase clínica ou grave da doença, quando deveria, no entendimento atual, investir em informação, prevenção e detecção precoce da doença, quando o tratamento tem muito mais chances de ser bem sucedido.

De acordo com o dirigente, o Brasil teve 472 mil casos de câncer em 2006. É um número mundialmente crescente, explicou, porque a expectativa de vida tem subido. A aids acumulou, em 24 anos, o mesmo número de pacientes no País. "Mas esse número [da aids] só é tão baixo porque o País implementou uma política eficiente de prevenção da doença", explicou Santini.

Custos crescentes
Santini afirmou que os custos com o câncer no Brasil, que cresceram 121% de 2000 a 2006, não vão diminuir. Ele afirmou que não só os números da doença e do acesso ao tratamento crescem permanentemente, como também o câncer é uma doença que convive com a incorporação permanente de novas tecnologias, seja de remédios, seja de equipamentos.

Nesse sentido, o deputado Chico D'Ângelo (PT-RJ) questionou o convidado sobre os problemas enfrentados nessa área. Santini explicou que o governo tem feito esforços no sentido de melhorar a situação na área de medicamentos. Ele afirmou que é preciso discutir a legislação na área de forma a permitir que os remédios não cheguem tão caros à ponta final. A pesquisa e a permanente evolução dos remédios impõem preços altos. Ele exemplificou com o caso da vacina do HPV, uma das causas do câncer de colo de útero, que custa R$ 900, e a vacina contra o sarampo, que custa R$ 0,01.

Sobrevida
Santini disse ainda que os gastos têm de aumentar para o País alcançar os níveis de sobrevida atingidos nos países desenvolvidos. Na Europa e nos Estados Unidos, o paciente sobrevive de 12 a 16 anos, enquanto no Brasil, com diferenças regionais, de 2 a 4 anos. Na África e no Oriente Médio, menos de 2 anos. Ele mostrou pesquisa norte-americana que mostrou que, em 1996, para um paciente sobreviver 11 meses, eram gastos 500 dólares (cerca de R$ 1.050,00) em medicamentos. Já em 2005, são 250 mil dólares (cerca de R$ 525 mil) para sobrevida de 24 meses.

Dr. Nechar (PV-SP) foi o primeiro dos parlamentares a reclamar dos cortes dos recursos para a saúde. Nesse sentido, o deputado Nazareno Fonteles (PT-PI) chamou a atenção para a necessidade da regulamentação da Emenda Constitucional 29, que garante verbas para a área.

Por fim, Santini enfatizou que, para a eficaz implantação da política de prevenção, é necessário o comprometimento de todas as instâncias de saúde, como estados e municípios.

Reportagem - Vania Alves
Edição - Regina Céli Assumpção

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