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Estudo mostra ineficiência nos gastos públicos entre 98 e 03

por Sylvio Micelliúltima modificação 10/02/2008 10:05 DCI


Levantamento feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em fase final de elaboração, mostra dados críticos quanto a eficiência dos investimentos públicos feitos no Brasil no período de 1998 a 2003. O Ipea avalia que apesar de governo brasileiro ter destinado 19,54% do seu Produto Interno Bruto (PIB) para financiar despesas públicas, número bem superior à média de 12,54% do PIB dos 21 países latino-americanos analisados, sua eficiência é tida como muito ruim pelo estudo. "Se fossemos um País eficiente, poderiam atingir os mesmo indicadores socioeconômicos atuais com 40% a menos de gastos", afirmou o pesquisador do Ipea, Márcio Bruno Ribeiro.

Levantamento feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em fase final de elaboração, mostra dados críticos quanto a eficiência dos investimentos públicos feitos no Brasil no período de 1998 a 2003. O Ipea avalia que apesar de governo brasileiro ter destinado 19,54% do seu Produto Interno Bruto (PIB) para financiar despesas públicas, número bem superior à média de 12,54% do PIB dos 21 países latino-americanos analisados, sua eficiência é tida como muito ruim pelo estudo. "Se fossemos um País eficiente, poderiam atingir os mesmo indicadores socioeconômicos atuais com 40% a menos de gastos", afirmou o pesquisador do Ipea, Márcio Bruno Ribeiro.

O estudo foi subdivido em três principais áreas consideradas chaves pelos economistas do Instituto, e onde o País gasta muito e tem um retorno baixo: administração (abrange corrupção, burocracia, qualidade do Judiciário e economia informal), educação (taxa de matrícula no secundário e educação em Ciências e Matemática), e saúde (mortalidade infantil e expectativa de vida ao nascer) em relação às economias pesquisadas. Na opinião dos analistas do Ipea, o resultado confirma a posição de "lanterninha" para o Brasil dentro da América Latina.

Depois de ganhar apenas do Haiti em crescimento econômico, ficou comprovado que o País é a segunda economia menos eficiente da região, ganhando apenas para a Colômbia.

Uma mostra disso é que os gastos governamentais da Colômbia (20,44% do PIB) e do Brasil (19,42%) foram os mais altos, mas a eficiência foi bem inferior à de países como Guatemala e República Dominicana, com gasto público menores de 10% do PIB. "O pior indicador é o de desempenho econômico. Gastamos muito e o País não cresce nem gera emprego", citou Ribeiro. "Já imaginava que o Brasil fosse menos eficiente do que Chile e México, mas fiquei surpreso quando comparei os dados com os dos países da América Central e Caribe. Eles estão bem melhor do que a gente", afirmou.

A idéia do economista é incluir na pesquisa o desempenho dos países em relação à diminuição das desigualdades sociais. "Esta talvez seja uma das áreas em que o País mais tenha avançado nos últimos anos graças à estabilidade econômica alcançada no fim dos anos 1990 e ao aumento dos programas sociais considerados como de baixo custo e alto impacto", explicaram os economistas do Ipea no estudo.

Problemas
Burocracia, desperdício e a dificuldade pelo tamanho geográfico do País foram apontados como alguns dos fatores que levam o Brasil a ter uma eficiência baixa nos gastos públicos. O estudo, que deve ficar pronto em dois meses, ainda não traz os caminhos para melhorar a eficiência do gasto. "Queremos mostrar que há grande espaço para redução das despesas e oferecer os mesmos serviços", disse Ribeiro.

Segundo professor de Economia da Universidade de Brasília (UnB), Roberto Piscitelli, o documento reforça a necessidade de se discutir o engessamento do orçamento público e a necessidade de aumento da produtividade da máquina pública. "A má gestão dos recursos públicos já era alardeada por diversos setores da sociedade há um bom tempo. Há estudos do Banco Mundial sobre esse problema no Brasil", comentou o professor.

Piscitelli lembrou como exemplo a utilização da Força Nacional de Segurança para policiar estádios de futebol no Rio de Janeiro. "Gasta-se dinheiro para criar uma equipe de policiais especializada em combater o crime organizado para utilizar esse pessoal para combater briga em estádio de futebol. Quanto desperdício", comentou.

De acordo com Piscitelli, o governo deveria descentralizar os gastos públicos e estimular mais a participação da sociedade na aplicação dos recursos para reduzir o desperdício. "É preciso dar educação às pessoas. O brasileiro por si tende para o desperdício"

Fonte: DCI




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