A ocupação da Amazônia - II
Na discussão sobre a Amazônia, um dos grandes desafios será separar mitos e disputas econômicas das preocupações reais com o meio ambiente. Especialmente em um ponto onde a questão ecológica tem sido constantemente invocada, que é o da exploração racional do potencial hidrelétrico da região – especialmente em um momento em que há dúvidas consistentes sobre a capacidade do país em enfrentar um novo apagão.
Na discussão sobre a Amazônia, um dos grandes desafios será separar mitos e disputas econômicas das preocupações reais com o meio ambiente. Especialmente em um ponto onde a questão ecológica tem sido constantemente invocada, que é o da exploração racional do potencial hidrelétrico da região – especialmente em um momento em que há dúvidas consistentes sobre a capacidade do país em enfrentar um novo apagão.
Estima-se que o potencial não explorado de energia hidrelétrica seja de 160.000 MW na Amazônia, contra 84.000 MW instalados no Brasil.
Um dos projetos que está no meio do tiroteio é o Complexo Madeira – projeto de produção de energia e de integração fluvial no rio Madeira.
No plano energético, o projeto se dispõe a substituir energia térmica por quatro hidrelétricas. As duas primeiras seriam Santo Antônio (capacidade de 3.150 MW), Jirau (3.300 MW), localizadas entre Porto Velho e Abunã, em território brasileiro. As demais, dependendo de estudos de impacto ambiental e viabilidade, seriam uma Binacional no Rio Guaporé, com 3.000 MW, entre Abunã e Guarajá-Mirim, na fronteira entre Brasil e Bolívia; e outra em Cachoeira Esperança, com 800 MW, no território boliviano).
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A integração com a Bolívia se daria em duas frentes. Hoje em dia, a energia elétrica a ser gerada na Bolívia só pode ser despejada no Brasil, que precisa de cerca de 3 a 4 mil MW por ano, no ritmo atual de crescimento. Essa venda poderá proporcionar uma receita anual de US$ 400 milhões, equilibrando seu balanço de pagamento.
No plano logístico, essas obras permitiriam 4.225 quilômetros de rios navegáveis. Com isso, poderá integrar 11 milhões de hectares de terras bolivianas, atualmente inacessíveis. O impacto poderá dobrar o PIB boliviano. Mas poderá também abrir espaço para uma substancial redução dos custos de logística da região, para venda aos mercados europeu e americano.
Segundo Abel Holtz, diretor-presidente da Eletrocoop, o Complexo Madeira permitirá a instalação de parques industriais em segmentos como o agro-industrial, o mineral, o naval e o de base. Permitirá integração com outras usinas da região, reduzindo a possibilidade de um novo colapso, e substituirá progressivamente a geração térmica.
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Há duas dúvidas básicas em relação a ele. A primeira, no plano ambiental. A defesa do projeto está em estudos, segundo os quais, a área inundada pelas duas hidrelétricas será de cerca de 250 km², ligeiramente superior ao tamanho da bacia naturalmente formada no período anual de cheia do Rio Madeira. E a área de utilização de agricultura em larga escala, no Mato Grosso, seria em torno de 70 mil km², não prejudicando áreas de proteção ambiental.
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Segundo o projeto, o Complexo Madeira utilizará turbinas do tipo bulbo (baixa queda/ menor impacto ambiental), e das soluções para o transporte de grandes blocos de energia para os centros de consumo, a exemplo das linhas Norte/Sul, Itaipu, Argentina, etc.
Esses são os argumentos do projeto Complexo Madeira. A partir deles, se poderá abrir uma discussão objetiva sobre as maneiras racionais e ambientalmente responsáveis de explorar o potencial hídrico da Amazônia.
Alagoas – 1
De volta de Alagoas, o economista Ignacy Sachs – dos mais importantes do mundo sobre economia rural – descobriu a origem da miséria estadual. Vinte anos atrás, houve uma disposição do INCRA (Instituto Nacional da Reforma Agrária) determinando que colonos se tornariam proprietários de suas casas nas fazendas após um ano de ocupação. Essa determinação levou os fazendeiros a despejarem todos seus colonos.
Alagoas – 2
Os colonos acabaram se abrigando nas pequenas cidades rurais. Para se livrarem deles, os prefeitos espalharam que em Maceió o governo do estado estava distribuindo casas. Formou-se um cordão que invadiu Maceió. Consequência: criou um problema urbano que acabou transformando o Estado em um dos piores índices de vida do nordeste, região que tem estados pobres, como Sergipe e Piauí, mas em melhores condições sociais.
Álcool
Sachs considera que o governo está lento para promover um modelo sustentável de produção de álcool. Há uma corrida frenética de investidores internacionais adquirindo usinas ou se propondo a instalar, sem nenhuma supervisão ou planejamento público. Não há risco de super-produção, mas de criação de problemas sociais imensos. De qualquer modo, ele acha uma falsa questão o conflito alimentos x álcool.
Café
Depois de bater recordes de exportação no ano passado, este ano o café pode entrar em crise. Com dinheiro na mão, os produtores demoraram a vender sua safra. Nos últimos meses o mercado despencou deixando-os com a broxa na mão. Outros trataram de vender barato sua safra, contando compensar com os ganhos no mercado financeiro, através de ACCs (Adiantamento de Contratos de Câmbio). Agora o mercado está perdido.
Crise
Alguns bancos internacionais continuam minimizando a crise internacional, provocada pelo mercado imobiliário norte-americano. Em 2002 os Estados Unidos tinham grandes déficits. O ajuste foi feito com desvalorização do dólar, que chacoalhou o mundo todo. Desta vez, o ajuste está se dando através de uma crise interna que reduzirá o crescimento americano, mas rebaterá menos no resto do mundo.
Desburocratização
Segundo fontes da Receita Federal em São Paulo, o programa de desburocratização lançado pelo governo paulista, para agilizar a abertura de empresas, poderia se espelhar no modelo de Sorocaba. O município conseguiu integrar sistemas e matar alguns passos burocráticos relevantes. A relação entre Receita e Secretaria da Fazenda, aliás, tem sido a melhor possível, superando conflitos que existiam anos atrás.
Fonte: Boletim Luís Nassif Online
Câmara e Senado fecham acordo sobre regra para MPs