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A reforma de Lula começa a andar

por Sylvio Micelliúltima modificação 10/02/2008 10:05 Via Política


Custou, mas saiu. Mesmo que falte um Ronaldinho na “seleção ministerial” apresentada no decorrer da semana pelo presidente da República, o “time” está fardado e começa a entrar em campo. Algumas convocações ainda precisam ser confirmadas, até mesmo por defecções de última hora, como a do deputado Odílio Balbinotti (PMDB-RJ), que não resistiu às “pressões da mídia” ao ter seu nome indicado para o Ministério da Agricultura.

Marcelo Villas-Bôas 
 
Custou, mas saiu. Mesmo que falte um Ronaldinho na “seleção ministerial” apresentada no decorrer da semana pelo presidente da República, o “time” está fardado e começa a entrar em campo. Algumas convocações ainda precisam ser confirmadas, até mesmo por defecções de última hora, como a do deputado Odílio Balbinotti (PMDB-RJ), que não resistiu às “pressões da mídia” ao ter seu nome indicado para o Ministério da Agricultura. O presidente Lula está fechando seu ministério com um olho no Congresso Nacional, fazendo concessões e ajustes com os 11 partidos políticos que compõem o maior governo de coalizão já montado no Brasil. Com 91 deputados e 20 senadores, o PMDB é o astro do segundo governo Lula, ocupando cinco ministérios e ofuscando a estrela até então brilhante do PT.

A reforma demorou cinco meses, a contar da data em que o presidente teve sua reeleição definida. E embora alardeasse que era “senhor do tempo” nas indicações, o presidente perdeu-se em inabilidades banais para quem ocupa uma cadeira como a sua. Dependente do Congresso e da base partidária, a inércia oficial impediu, por exemplo, que o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), lançado há quase dois meses, tivesse qualquer medida apreciada no parlamento. Claro: seu time no Congresso não estava escalado e a tropa vitoriosa (com a reeleição) aguardava o comando de um general que não aparecera em campo.

Depois da referência ao Ponto G no discurso frente ao presidente norte-americano George Bush, o presidente da República derrapa em mais uma declaração, como a de que seus ministros são verdadeiros heróis por ganharem “baixos” salários. "Quando eu fico vendo os ministros que ganhavam muito bem virem ganhar R$ 7.000, R$ 8.000, eu falo: esses são heróis. Alguns pagam para ser ministros", afirmou. "Quem pensa que é moleza ser ministro, [não é]. Muitas vezes é mais difícil e o salário é muito baixo. Quem é deputado vem com salário um pouco maior. Hoje eu vejo a iniciativa privada tirando gente que ganha R$ 7.000 [na administração pública] para pagar R$ 70 mil ou R$ 80 mil por mês."

Nada como boca fechada, ensina um velho ditado. Há poucos dias, ao comentar a dificuldade de montagem de seu governo, saiu-se com outra pérola. Conforme o colunista da Folha de S. Paulo, Kennedy Alencar, na edição do último dia 16, Lula disse que utilizou os critérios de "competência" e de "capacidade" para definir os ministros da Saúde, que será José Gomes Temporão, e o da Educação - manterá Fernando Haddad.

E prossegue o colunista, citando o presidente: "Eu acho que tem duas coisas que são fundamentais no Brasil: educação e saúde. A gente não brinca, a gente não partidariza, e a gente monta o governo com as pessoas que têm competência, com as pessoas que têm capacidade de montar um bom governo. Porque, na saúde, se você brincar, é morte. Na educação, se você brincar, é analfabeto", afirmou Lula. Ora, os demais ministros não foram indicados pelos critérios de "competência" e "capacidade"? Parece confissão de que indicação política é ceder ao puro fisiologismo, o que é incorreto. Depois, disse que não brincaria com Educação e Saúde. E com as demais áreas, pode brincar?”

Nomes

Na última sexta-feira (16/3), já tomaram posse os novos ministros da Justiça, Tarso Genro (PT), Saúde, José Temporão (PMDB) e Geddel Vieira Lima (PMDB), e Lula oficializou a ida do ministro Walfrido Mares Guia (PTB) para as Relações Institucionais. Para o seu lugar, convidou a ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy para uma conversa na segunda-feira, quando deve formalizar o convite à petista para assumir o Ministério do Turismo.

Apesar de ter preferência pela pasta das Cidades, hoje na cota do PP, Marta já disse a um emissário de Lula que aceitará o Turismo. Potencial candidata ao Planalto em 2010, ela avalia que precisa de apoio de Lula para ter alguma chance. Logo, recusar a pasta equivaleria a um gesto de hostilidade política.

A confirmação de Walfrido na articulação política foi feita em almoço no Alvorada, após Lula passar os dois últimos dias cogitando colocar o petebista no Desenvolvimento, diante das dificuldades de substituir Luiz Fernando Furlan. A decisão desta pasta poderá demorar duas semanas. Lula quer decidir com calma. O presidente já convidou vários empresários --entre eles, Jorge Gerdau Johannpeter, Eugênio Staub, Horácio Lafer Piva, Abílio Diniz e Maurício Botelho. Todos recusaram.

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marcelo@viapolitica.com.br 

Fonte: Via Política



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