Líder Márcio França (PSB-SP): "Estamos esperando a vinda do PT para compor nosso bloco"
O líder do bloco de esquerda na Câmara Federal, deputado Márcio França (PSB-SP), declarou que seu grupo aguarda a adesão do PT para fortalecer a base aliada do presidente Lula na Casa. Segundo ele, "sempre há tempo para reconsiderar" e "não podemos fazer de cada episódio, um episódio para o resto da vida".
O líder do bloco de esquerda na Câmara Federal, deputado Márcio França (PSB-SP), declarou que seu grupo aguarda a adesão do PT para fortalecer a base aliada do presidente Lula na Casa. Segundo ele, "sempre há tempo para reconsiderar" e "não podemos fazer de cada episódio, um episódio para o resto da vida". A afirmação refere-se ao fato de o Partido dos Trabalhadores ter se juntado ao PMDB, no início do ano, para impedir a reeleição do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) à presidência da Câmara. Além do PSB, integram o bloco o PDT, o PAN, o PMN e o PHS. O grupo soma, hoje, quase 80 parlamentares.
Márcio França informou que o presidente Lula disse, pessoalmente, que o bloco de esquerda deveria convidar o PT para participar. "Então, nós estamos convidando o PT. Eles é que têm que vir para o nosso bloco, pois este é o verdadeiro eixo de apoio ao Presidente da República", definiu o líder. Confira a entrevista, concedida com exclusividade ao Portal PSB nacional:
Portal PSB: A formação do bloco PSB, PCdoB, PDT, PAN, PMN e PHS foi um acerto para a esquerda brasileira?
França: Foi uma mudança importante, ela ainda não está tão nítida porque o ambiente está turvo e começou a se delinear agora. Ou seja, depois da eleição do presidente da mesa diretora da Câmara dos Deputados todos os blocos se desfizeram. Agora só existe o nosso bloco, com 78 deputados: faltam apenas cinco deputados para o nosso bloco ultrapassar o PT e isso pode acontecer ainda neste semestre. Aí, seremos a segunda força política da Casa.
Portal PSB: Como está o relacionamento do bloco com os colegas e com os outros partidos?
França: Existe muito respeito. Todo bloco depende de um agrupamento que caminhe no mesmo sentido, até que todos os integrantes votem da mesma maneira para se ter mais força, mas esse resultado ainda vai levar um tempo. Ainda temos divergências, mas o importante é que o trilho está montado. A grande maioria das pessoas que chegam por aqui é formada por pessoas de bem, que se unem para contribuir pelo país e o bloco formata isso. O eixo que elegeu o presidente Lula pertence a este bloco...
Portal PSB: Mas o PT montou um bloco com o PMDB para derrotar a reeleição do deputado Aldo Rebelo, do PCdoB, que foi apoiado pelo PSB...
França: O PT se confundiu, mas sempre há tempo para reconsiderar. Não podemos fazer de cada episódio que ocorra, um episódio para o resto da vida. Embora eles ainda estejam separados, continuamos apoiando o governo Lula. Aliás, o presidente nos disse pessoalmente, junto com o ministro Tarso Genro, que nós deveríamos convidar o PT para integrar nosso bloco. Então, nós estamos convidando o PT, hoje, agora, através desta entrevista aqui. Eles é que têm que vir para o nosso bloco.
Portal PSB: Isso é oficial?
França: Claro! Nós fazemos parte da coalizão que elegeu o presidente da República. Quem está faltando aqui é o PT. Este é que é o verdadeiro eixo de apoio ao Presidente! Infelizmente o PT confundiu, mas sempre é tempo de recuperar... A gente tem com o PT uma história antiga que não vai terminar por conta de um episódio. Temos que ter generosidade para compreender os deslizes dos amigos. Os votos que elegeram o Lula não são só do PT. Também eleitores que votam na gente, votaram no Presidente. Os petistas desfizeram o bloco com o PMDB, o que já é um bom sinal. E eles verão, com o passar do tempo, na medida em que forem acontecendo as votações, quem são os verdadeiros companheiros do presidente Lula e do governo. Daí eles verão que o bloco que deveriam ter feito é aqui, conosco, companheiros de primeira hora. Os petistas não podem é pensar que só eles é que podem ter idéia de fazer as coisas...
Portal PSB: Como assim?
França: Se eles tivessem formado o bloco de esquerda que formamos, por exemplo, certamente nós estaríamos juntos, apoiando. A verdade salta aos olhos e vai se tornando cada vez mais nítido o fato de que as aspirações das pessoas mais simples e humildes deste país, que votaram no presidente Lula, querem transformações sociais que não serão alcançadas através de alianças como aquela que o PT já desfez. Esses novos parceiros podem parecer mais suntuosos, mas não têm compromisso com as mudanças desejadas pelos eleitores do presidente Lula. E eu pergunto: nos momentos em que mais faltou apoio aos companheiros do PT e ao Lula, onde estavam estes novos aliados? Estavam do outro lado... E é aonde vão estar. É só uma questão de tempo. Dentro de pouco tempo teremos novas eleições e aí nós veremos o que acontecerá. É também uma questão de DNA, de formação das pessoas.
Portal PSB: Como é ser líder, em um Congresso sobre o qual a nação tem várias expectativas?
França: Eu gosto muito de desafios... Tem tarefas muito mais fáceis na política do que você ter de largar sua família e mudar de cidade. Ser líder hoje é trabalhar para o partido chegar ao poder... Disputar e ganhar a República. Uma destas tarefas é compor uma base partidária grande, em todos os estados da Federação.
Fonte: PSB Nacional
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