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RS: Seminário discute o negro na mídia

por Sylvio Micelliúltima modificação 10/02/2008 10:05 Abraço Rio Grande do Sul


No evento, será debatida a forma como o negro é retratado nos meios de comunicação, a falta de espaço dos negros e negras na definição da linha editorial dos veículos e a construção de alternativas para a superação dessa realidade.

Nos dias quatro e cinco de abril, em Porto Alegre, vai acontecer o seminário O Negro na Mídia, promovido pela Abraço Rio Grande do Sul, em parceria com o movimento negro.

No evento, será debatida a forma como o negro é retratado nos meios de comunicação, a falta de espaço dos negros e negras na definição da linha editorial dos veículos e a construção de alternativas para a superação dessa realidade.

Serão três mesas de debates: a primeira abordará a luta pela democratização da comunicação e o processo de digitalização do rádio e da televisão.

Na segunda, será tratado o tema O oligopólio da mídia e a discriminação racial. No último painel, serão discutidas as Políticas Afirmativas em comunicação levando em consideração as deliberações da I Conapir – Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial .

O objetivo do evento é aprofundar o debate sobre como a mídia trata o negro, tanto no que diz respeito a falta de visibilidade, quanto a sua não participação nas estruturas de poder das empresas de comunicação. Hoje, apenas, raros jornalistas negros tem visibilidade pública na grande imprensa gaúcha. O número de editores chefes e de diretores é insignificante.

A forma como a mídia retrata a etnia negra é outro problema. A maioria dos entrevistados é branca e o negro é apresentado, geralmente, em situações desfavoráveis, como nos noticiários policiais, por exemplo.

A maioria das novelas, séries e filmes mostra os negros e negras em posições subalternas, como trabalhadores domésticos, favelados ou escravos, no caso das novelas e filmes de época. Assim a mídia contribui para naturalizar a opressão do povo negro, sem mostrar as causas sociais e econômicas que originaram esta situação.

Ao mesmo tempo que oligopólio mascara a realidade e não cumpre o papel educativo que os meios de comunicação devem exercer, conforme estabelece a Constituição Federal, as Rádios Comunitárias, únicos veículos onde a etnia negra tem espaço, são fechadas pelo Estado.

Mudar esta situação é parte da luta do movimento negro e o seminário buscará, não apenas, constatar uma realidade que já é conhecida de todos, mas, principalmente, buscar alternativas para a sua superação, que passa, necessariamente pela democratização dos meios de comunicação, uma luta histórica travada pela Abraço.

Um exemplo da ligação entre a democratização da comunicação e a maior visibilidade e empoderamento dos negros são as rádios comunitárias, onde eles compoem um número significativo de dirigentes e comunicadores.

Com o objetivo de preparar o seminário a Rede Abraço de Rádio está realizando uma série de entrevistas com intelectuais e militantes do movimento negro.

Fonte: Abraço Rio Grande do Sul




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