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Centrais defendem nova política de reajustes

por Sylvio Micelliúltima modificação 10/02/2008 10:17 Folha de São Paulo/SP


A discussão, iniciada ontem em São Paulo durante a divulgação dos reajustes salariais conquistados em 2006, deve ter reflexo nas negociações salariais deste ano. Os sindicalistas defendem a utilização de um conjunto de indicadores -como desempenho do PIB (Produto Interno Bruto), lucro das empresas e resultados de produtividade- para avaliar se os reajustes salariais de fato têm sido significativos para o trabalhador. Desde 1996, o parâmetro usado pelo Dieese é a reposição da inflação medida pelo INPC do IBGE.

Sindicatos querem usar indicadores como PIB, lucro e produtividade

Com estabilidade da inflação, sindicalistas consideram que as negociações devem ter novos parâmetros

DA REPORTAGEM LOCAL

Com a estabilidade da inflação, representantes das centrais sindicais e técnicos do Dieese pretendem discutir outras formas de garantir -e medir- os aumentos reais concedidos aos salários.

A discussão, iniciada ontem em São Paulo durante a divulgação dos reajustes salariais conquistados em 2006, deve ter reflexo nas negociações salariais deste ano. Os sindicalistas defendem a utilização de um conjunto de indicadores -como desempenho do PIB (Produto Interno Bruto), lucro das empresas e resultados de produtividade- para avaliar se os reajustes salariais de fato têm sido significativos para o trabalhador. Desde 1996, o parâmetro usado pelo Dieese é a reposição da inflação medida pelo INPC do IBGE.

"Se a inflação está em queda, não dá para discutir só ganhos reais de 1% a 2% acima do INPC. É preciso considerar a qualidade do aumento real. Os lucros dos bancos, por exemplo, são exorbitantes, na faixa dos 45% a 50%", afirma Luiz Carlos Prates, o "Mancha", presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e integrante da Conlutas (central sindical de oposição à CUT e ligada ao PSTU).

Pelo levantamento do Dieese, 28% dos acordos feitos em 2006 tiveram ganho real no intervalo de 1,01% ou 2% acima da inflação do INPC. Isso significa que, se o trabalhador ganhava salário de R$ 1.000 no ano passado, e teve aumento real de 2%, colocou R$ 20,56 a mais no bolso no mês do reajuste (descontada a inflação de 2,81%) ou R$ 267,31 no ano.

"Os salários são baixos. Apesar do resultado positivo de 2006, é preciso discutir alternativas", diz Wagner Gomes, vice-presidente da CUT.

Os sindicalistas podem adotar uma política de reajuste para as negociações salariais como a definida para o salário mínimo. As regras de correção do mínimo são baseadas na inflação passada e na variação do PIB com dois anos de defasagem -ou seja, o piso salarial do país em 2008 vai aumentar no mesmo ritmo que cresceu a produção no ano passado.

Para as negociações salariais deste ano, técnicos e sindicalistas esperam resultados ainda mais positivos dos que obtidos em 2006 -não só nos reajustes, mas na remuneração indireta, como a PLR (Participação nos Lucros e Resultados).

"Setores exportadores como o agronegócio podem ter mais dificuldade para negociar por causa dos reflexos do problema cambial no setor. Mas a perspectiva é conseguir aumentos reais positivos", diz José Silvestre de Oliveira, do Dieese.

É o caso dos químicos e dos trabalhadores do setor de álcool que acabaram de iniciar sua campanha salarial.

"Em 2006, os reajustes foram de 7% a 11%, com a inflação em torno de 3,5%. Neste ano, o aumento real pedido é de 8% no setor sucroalcooleiro", diz Sérgio Luiz Leite, secretário-geral da Fequimfar (federação dos químicos de São Paulo), ligada à Força Sindical.

(CLAUDIA ROLLI)

Fonte: Folha de São Paulo




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