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Stephanes assume Agricultura

por Sylvio Micelliúltima modificação 10/02/2008 10:17 Jornal Correio do Povo/RS


Stephanes, que foi ministro da Previdência nos governos Collor e Fernando Henrique Cardoso, responde a um processo por improbidade administrativa da época em que era presidente do Banestado, no governo de Jaime Lerner, no Paraná. 'Ocupei a presidência num período em que tínhamos, de forma permanente, 12 auditores do Banco Central, e meu vice era um funcionário indicado pelo BC. Fui citado pelo simples fato de que eu era o presidente.'

Presidente Lula confirmou Reinhold Stephanes ontem
 
O deputado federal Reinhold Stephanes, do PMDB, toma posse hoje, às 10h, como ministro da Agricultura. Ele foi convidado ontem, pelo presidente Lula, durante audiência no Palácio do Planalto. Alvo de ataque do lobby de representantes do agronegócio no Congresso, que preferiam outro nome, o novo ministro disse que vai abrir um canal de diálogo civilizado com os ruralistas. Embora prometa se aliar aos agricultores na negociação da redução de juros agrícolas, adiantou que sua preocupação número 1 será a defesa sanitária animal.

Stephanes, que foi ministro da Previdência nos governos Collor e Fernando Henrique Cardoso, responde a um processo por improbidade administrativa da época em que era presidente do Banestado, no governo de Jaime Lerner, no Paraná. 'Ocupei a presidência num período em que tínhamos, de forma permanente, 12 auditores do Banco Central, e meu vice era um funcionário indicado pelo BC. Fui citado pelo simples fato de que eu era o presidente.'

Lula também já definiu o nome do novo ministro do Desenvolvimento. O executivo Miguel Jorge, vice-presidente de Assuntos Corporativos do Banco Santander, tomará posse na próxima terça-feira no lugar de Luiz Fernando Furlan. A Pasta da Comunicação Social será ocupada pelo jornalista Franklin Martins, que aceitou o convite feito ontem pelo presidente Lula.

Indicação de Stephanes preocupa
Temor de lideranças é que distanciamento do setor possa gerar dificuldades para o novo ministro

A indicação do deputado federal Reinhold Stephanes (PMDB-PR) para o Ministério da Agricultura (Mapa), apesar de não surpreender, casou preocupação em algumas lideranças do setor agropecuário gaúcho. O temor são as conseqüências do distanciamento de Stephanes do agronegócio. Entretanto, existe um sentimento de confiança na sua capacidade administrativa, já que  o parlamentar é economista por formação, especialista em administração pública e teve passagens pelo Ministério da Previdência dos governos de Fernando Henrique Cardoso e Fernando Collor de Mello.

Segundo o presidente da Farsul, Carlos Sperotto, não se pode deixar passar despercebido o fato de Stephanes não ser ligado ao setor. 'Esperamos  que ele consiga formar uma equipe adequada, com liberdade para conduzir o Ministério'. O presidente da Federarroz, Valter Pötter, admite que esperava a indicação de um parlamentar mais sintonizado com o agronegócio, e que estivesse trabalhando pelos interesses do setor. 'Até o ministro entender o processo e ter intimidade com o Ministério, importantes programas podem ser interrompidos.'

A bancada ruralista da Câmara dos Deputados chegou a classificar o novo titular da Agricultura de 'aborígene' por ele não ser ligado ao agronegócio. “Melhor seria se o novo ministro fosse do ramo, mas precisamos acreditar na capacidade de gerenciamento dele', disse o deputado Luis Carlos Heinze, integrante da bancada. Ele citou como prioridade a discussão sobre a biotecnologia. “Precisamos agilizar este processo de pesquisa, que está parado e do qual o Brasil depende.'

Na avaliação do presidente da Fecoagro, Rui Polidoro Pinto, o conceito de bom administrador basta para credenciar Stephanes ao cargo. 'O importante é que ele siga cumprindo as políticas já alinhavadas anteriormente, como para a safra das culturas de inverno, especialmente a de trigo, e a garantia de comercialização dos grãos. Para o presidente  da Fetag, Elton Weber, o fato de o novo ministro ser de um estado agrícola também pode ser um bom sinalizador. 'Ele conhece as demandas e espero que inove.' Weber também ressaltou a importância da manutenção do apoio à agricultura familiar e o destino de mais recursos à fiscalização sanitária.
 
Fonte: Correio do Povo/RS




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