Caminhos tortuosos
Quem acompanha o noticiário político sabe das marchas e contramarchas que acompanharam a convocação e a abertura de mais uma CPI, transformada, como as demais, em instrumento de barganha, em palco para a repetição de práticas que estão longe de ser as que melhor atendem ao interesse público. Os personagens são os mesmos, apenas com os papéis trocados. Defendem ou atacam por mera conveniência, enquanto o que realmente interessa fica em segundo ou terceiro plano.
Editorial
Já está funcionando a Comissão Parlamentar de Inquérito aberta para investigar a crise no transporte aéreo no país.
Quem acompanha o noticiário político sabe das marchas e contramarchas que acompanharam a convocação e a abertura de mais uma CPI, transformada, como as demais, em instrumento de barganha, em palco para a repetição de práticas que estão longe de ser as que melhor atendem ao interesse público. Os personagens são os mesmos, apenas com os papéis trocados. Defendem ou atacam por mera conveniência, enquanto o que realmente interessa fica em segundo ou terceiro plano.
Na realidade, se o Legislativo estivesse pronto para efetivamente cumprir suas atribuições, as comissões parlamentares seriam reservadas a situações realmente excepcionais. Para representar a palavra final, definitiva, sobre a matéria examinada. Por certo não existem registros que comprovem que assim tenha sido em quaisquer das CPIs instauradas nos últimos tempos. Todas elas perderam o foco e, dessa forma, não produziram conseqüências exatamente como, tudo faz crer, voltará a acontecer agora.
A matéria a ser examinada, todos sabemos, é da maior relevância e, fossem mais consistentes as instituições políticas, dela se ocupariam, com dedicação extrema, todos os parlamentares, igualmente interessados não em condenar ou absolver mas sim, em primeiro lugar, em esclarecer como e porque o sistema de controle do tráfego aéreo no país entrou em colapso, comprometendo as operações da aviação comercial, pondo em risco sua segurança e gerando enormes prejuízos para toda a nação. A rigor, acompanhar os acontecimentos, esclarecer e orientar deveria ser, no Congresso Nacional, um exercício cotidiano, resposta ao interesse público e não às conveniências partidárias ou pessoais.
Justamente porque não é assim as comissões foram transformadas em inócuo exercício de bravatas, em jogo para a platéia que não mais causa qualquer efeito positivo justamente porque todos sabem de sua falsidade e inconsistência, não ignoram que o interesse público jamais é efetivamente colocado em pauta, não existindo espaços para uma contribuição séria. Eis porque quem pretender saber como e porque, a partir de outubro passado, a aviação brasileira entrou em colapso e, sobretudo, desejar construir soluções para os problemas identificados, terá que beber em outra fonte. E os parlamentares brasileiros certamente estarão perdendo mais uma chance de ocupar o espaço que por direito - e dever - lhes cabe.
Por Diário do Comércio/MG
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