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Falta de 'patrão' prejudica serviços públicos

por Sylvio Micelliúltima modificação 10/02/2008 10:29 Jornal Folha de Londrina/PR


Seis meses depois de ter assumido, em Londrina, o cargo de secretário na administração do ex-prefeito Luiz Eduardo Cheida, na época filiado ao PT, um empresário do ramo da construção civil dizia que não conseguia se adaptar. Ele era sócio de uma construtora no Paraná. O que mais o irritava era que ele determinava atividades para sua equipe na secretaria e os funcionários simplesmente faziam quando e como queriam. ''Na minha empresa, quando o funcionário não cumpre a determinação, eu o demito

Para presidente do Sescap-Ldr, como ninguém manda a hierarquia fica prejudicada e a qualidade dos serviços cai

Seis meses depois de ter assumido, em Londrina, o cargo de secretário na administração do ex-prefeito Luiz Eduardo Cheida, na época filiado ao PT, um empresário do ramo da construção civil dizia que não conseguia se adaptar. Ele era sócio de uma construtora no Paraná. O que mais o irritava era que ele determinava atividades para sua equipe na secretaria e os funcionários simplesmente faziam quando e como queriam. ''Na minha empresa, quando o funcionário não cumpre a determinação, eu o demito. Aqui na prefeitura, o funcionário não só não faz o que você pede como também desrespeita a hierarquia. Para demiti-lo você precisa entrar com um processo administrativo que demora anos e o funcionário raramente acaba sendo excluído do quadro de servidores pois todo o processo passa pelos seus pares.''

Este exemplo, ocorrido há mais de 10 anos, não é único e chega a até a ser comum. Os governos municipais, estaduais e Federal são responsáveis por boa parte dos serviços prestados no Brasil. Para isto cobram impostos de Primeiro Mundo. Mas a contrapartida é a que todos conhecem.

''É inegável que o poder público aumentou muito a oferta de serviços à comunidade nos últimos anos. Mas a qualidade está muito aquém do que deveria ser em relação ao que é pago através de impostos por estes serviços'', diz o presidente do Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina, Sescap-Ldr, José Joaquim Martins Ribeiro.

Segundo ele, a coisa pública é tratada como coisa de ninguém. Como ninguém manda a hierarquia fica prejudicada e a qualidade dos serviços cai de forma assombrosa. ''O que parece ocorrer no serviço público é que não há patrão. Neste caso o funcionário se sente patrão dele mesmo e vai relaxando, relaxando até chegar ao ponto que vemos hoje'', comenta Ribeiro.

Em todos os estados proliferam cursinhos para candidatos a concursos públicos. A procura é imensa. Não é para menos. Os concursos públicos para qualquer cargo federal, estadual ou municipal são muito concorridos. É muito mais difícil passar num concurso deste do que nas faculdades públicas de medicina. Quem consegue, tem garantido um bom salário e o melhor de tudo, estabilidade no emprego.

Para passar neste funil é preciso estar muito bem preparado. Por esta lógica de seleção, só entra no serviço público pessoas com ótimo nível de informação. Sendo assim, esperava-se que os serviços prestados pelo funcionalismo seguisse o mesmo padrão de excelência. Mas não é isto o que ocorrre. Com raras exceções os serviços prestados deixam muito a desejar.

''Não é por falta de dinheiro e nem por falta de profissional qualificado. Falta é cobrança. Recentemente um servidor público federal foi nomeado aqui em Londrina para um alto cargo de chefia. Apesar de satisfeito ele dizia que a função ele tinha, mas a autoridade não. Este alto funcionário comentou que praticamente não podia determinar nada aos seus subordinados. Tinha que pedir quase que um favor para que eles fizessem o trabalho. O motivo é que não há medo de punição, de demissão. Os servidores parece que não se sentem cobrados como acontece na iniciativa privada. Numa empresa privada o desempenho é primordial para a manutenção do emprego. Se o desempenho é insatisfatório o funcionário é demitido. No funcionalismo público isto raramente acontece. Só que isto precisa mudar. Pagamos caro e precisamos ter um serviço de qualidade pois todo o país sai prejudicado'', esclarece Ribeiro

Fonte: Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap-Ldr)

Folha de Londrina/PR




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