Dividir férias é melhor para a saúde
Tirar o mês inteiro de férias pode não ser a melhor escolha para quem quer cuidar da saúde - o ideal é guardar alguns dias para outra ocasião. A conclusão é da psicóloga Humbelina Robles Ortega, da Universidade de Granada, na Espanha, que estudou a chamada síndrome pós-férias: a tristeza que muitos sentem no recomeço das atividades, depois de um tempo de afastamento para o lazer.
Cristine Gerk
Tirar o mês inteiro de férias pode não ser a melhor escolha para quem quer cuidar da saúde - o ideal é guardar alguns dias para outra ocasião. A conclusão é da psicóloga Humbelina Robles Ortega, da Universidade de Granada, na Espanha, que estudou a chamada síndrome pós-férias: a tristeza que muitos sentem no recomeço das atividades, depois de um tempo de afastamento para o lazer.
Os sintomas da condição incluem cansaço, falta de apetite e de concentração, irritabilidade, ansiedade, sensação de vazio e descaso com as tarefas. Geraldo Massaro, psicólogo e psiquiatra do Hospital das Clínicas, em São Paulo, estima que 50% dos brasileiros sofrem desses sintomas, que afetam sobretudo os que têm um ritmo de trabalho pesado e com pouco descanso.
- As férias representam vida, movimento. Se a pessoa aproveita bem o período, sente falta do lazer e estranha voltar à rotina. Se não aproveita, também se sente mal por não feito o que gostaria - explica Massaro.
Humbelina diz que 35% dos trabalhadores espanhóis entre os 25 e 40 anos sofrem com o problema, que causa sintomas psicológicos e físicos, entre os quais se destacam sonolência, insônia, taquicardia e dor muscular.
A especialista acredita que dividir as férias em dois períodos previne a ansiedade. As mudanças nos hábitos não são tão radicais e permanentes, então recomeçar o trabalho não é muito traumático. Além disso, há a percepção de que as próximas férias não estarão tão longe.
Estabelecer um período de readaptação ao trabalho também é bom, como voltar para casa alguns dias antes do previsto para o reinício das atividades. Nesse período, a pessoa deve voltar para os hábitos diários ou largar os adotados nas férias, como dormir tarde ou cochilar depois do almoço.
Humbelina também aconselha a encarar os sintomas como algo passageiro e pensar nos novos desafios do período. Planejar viagens e outras atividades agradáveis durante todo o ano ajuda, em vez de aproveitar só nas férias. Isto previne a sensação de que o trabalho não está relacionado a bons momentos - a principal causa da síndrome.
Para Massaro, a solução apontada pela psicóloga não elimina o problema. Reduzir o período pode até melhorar a volta dolorosa, mas a pessoa estará ainda mais voltada para um ritmo massivo de trabalho, que é a causa real da síndrome.
- Isso é uma proposta que só prepara as pessoas para trabalharem mais sem se cansar - pondera o psiquiatra. - O que deveríamos fazer é repensar a carga de trabalho e a maneira como se vive. O problema é com a situação geral, e não com as férias.
Massaro explica que as pessoas costumam se sentir mal por não estarem satisfeitas com as tarefas diárias, o salário ou porque queriam ter mais folgas e menos carga horária.
- Ninguém aguenta trabalhar 12 horas por dia e com tanta competição. Isto é que tem de ser repensado. A qualidade de vida deve vir em primeiro lugar - defende.
Fonte: Jornal do Brasil/RJ
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