Base aliada já fala em saída de Renan
BRASÍLIA - Em busca de uma saída honrosa não apenas para Renan Calheiros (PMDB-AL), mas também para o Senado, a base governista da Casa examina duas propostas - que se complementam - para romper o impasse provocado pela dificuldade em absolvê-lo no Conselho de Ética. Primeiro, os governistas querem desidratar as denúncias contra Renan, remetendo para uma investigação no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF) toda a parte das notas suspeitas apresentadas como justificativa para seus rendimentos. A segunda parte da ação propõe o afastamento de Renan da Presidência do Congresso.
BRASÍLIA - Em busca de uma saída honrosa não apenas para Renan Calheiros (PMDB-AL), mas também para o Senado, a base governista da Casa examina duas propostas - que se complementam - para romper o impasse provocado pela dificuldade em absolvê-lo no Conselho de Ética. Primeiro, os governistas querem desidratar as denúncias contra Renan, remetendo para uma investigação no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF) toda a parte das notas suspeitas apresentadas como justificativa para seus rendimentos. A segunda parte da ação propõe o afastamento de Renan da Presidência do Congresso.
A dificuldade em executar a estratégia completa, segundo parlamentares, está no próprio Renan. Ele concorda com a primeira fase da operação, de encaminhar ao STF a investigação sobre a veracidade da documentação que apresentou sobre a venda de gado.
Mas ele se recusa a renunciar ou se licenciar da presidência do Senado, como querem os estrategistas da operação salvamento. Eles acreditam que, com Renan fora do comando da Casa, a oposição se daria por satisfeita em relação à cobrança feita pela opinião pública.
Como Renan afirma que não deixará o cargo, apenas parte da solução é comentada por seus aliados. Para o líder do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), tudo o que estiver relacionado ao presidente do Senado que não for prerrogativa do Conselho de Ética, como o de examinar se os supostos compradores de gado são ou não laranjas, deve ir para o STF, que se encarregaria de encaminhar a investigação ao Ministério Público.
"Não estamos mudando estratégia nenhuma", alegou. "O certo é que o Conselho não pode examinar nada fora de suas prerrogativas". Na mesma linha, o líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR), acrescenta: "O Conselho de Ética tem condições de definir o que é quebra de decoro, qualquer outra coisa compete ao Supremo".
Esvaziar
O que se pretende é esvaziar as denúncias contra Renan, abrindo, assim, uma avenida para sua absolvição no Conselho. A demora em decidir o futuro de Renan Calheiros foi tema do discurso feito ontem da tribuna pelo líder do DEM, senador José Agripino (RN).
Ele anunciou que vai conversar hoje os líderes de todos os partidos sobre o impasse no Conselho, provocado pela falta de relator. "O Senado está numa posição difícil?", questionou. "É claro que está, agora é preciso enfrentá-lo e tudo começa pela designação do relator para que antes do dia 15 de julho (início do recesso parlamentar) o assunto esteja definido e votado", alegou.
Para Agripino, o "pior dos mundos" que pode acontecer ao Senado é esperar o recesso para que os fatos se esmaeçam. Entre as dúvidas existentes na defesa de Renan Calheiros, o líder lembra as "inconsistências" identificada por peritos da Polícia Federal nas notas fiscais apresentadas por ele. "Parece-me que se chegou a uma posição: as notas fiscais não são falsas, mas quem assegura que elas não são frias?", perguntou.
A reação do líder do DEM no lugar da cautela que vinha adotando até então, foi apontada como um dos motivos de uma nova perda no Conselho. O titular Walter Pereira (PMDB-MS) apresentou sua carta de renúncia. Oficialmente, ele afirma que não quer acumular o cargo com a presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que ocupa na ausência do senador Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA).
Sua saída, porém, dará a chance do PMDB indicar para a vaga alguém mais afinado para o cargo. O líder Valdir Raupp nega que vá trocar a suplência por um cargo de titular do conselho. O novo integrante assumirá amanhã, na reunião - ainda sem hora marcada - convocada pelo presidente Sibá Machado (PT-AC).
Embora estivesse em Brasília, Sibá nem compareceu ontem ao Senado. Ele o faria se a líder do PT, Ideli Salvatti (SC), e a cúpula do PMDB tivessem decidido sobre o nome ou quanto aos três senadores que poderão dividir a relatoria do Conselho.
Fonte: Tribuna da Imprensa/RJ
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