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Sociedade deformada

por Sylvio Micelliúltima modificação 10/02/2008 10:29 Informativo do Senador Almeida Lima


Se eu fosse fatalista diria que a sociedade brasileira se encontra em fase terminal. É que a má impressão que se tem é a de vivermos cenas dantescas num cenário tenebroso em que prevalece as cores das trevas e cujo enredo é permeado pela maldade, pelo indigno, pelo desprezível e perverso, sem esperança de um final feliz. Mas como eu sou um otimista, embora realista, pois acredito na vitória do bem sobre o mal, não como decorrência do determinismo, mas da luta dos que estão dispostos até a sofrer incompreensões a ver triunfar as nulidades, pertenço a um segmento diferente desses que costumam se postar sempre a favor da corrente majoritária, mesmo conscientes da indignidade que estão a cometer.

Senador Almeida Lima

"Combater a corrupção é um dever de todos nós. Tenho cumprido a minha tarefa, não apenas em não praticá-la, mas denunciando onde quer que ela se encontre.
Não se constrói uma sociedade decente combatendo o crime com a prática de outro crime, nem instalando Tribunais de Exceção ou Cortes Marciais".

Se eu fosse fatalista diria que a sociedade brasileira se encontra em fase terminal. É que a má impressão que se tem é a de vivermos cenas dantescas num cenário tenebroso em que prevalece as cores das trevas e cujo enredo é permeado pela maldade, pelo indigno, pelo desprezível e perverso, sem esperança de um final feliz. Mas como eu sou um otimista, embora realista, pois acredito na vitória do bem sobre o mal, não como decorrência do determinismo, mas da luta dos que estão dispostos até a sofrer incompreensões a ver triunfar as nulidades, pertenço a um segmento diferente desses que costumam se postar sempre a favor da corrente majoritária, mesmo conscientes da indignidade que estão a cometer.  É que estes são fracos, pusilânimes mesmo, porquanto lutar com os que defendem uma sociedade baseada em valores morais sólidos não ficou para os que vivem preocupados em granjear aplausos fáceis e a pousar sempre no cenário onde ficarão bem na foto. Mas ainda bem que, por serem imediatistas, inconstantes e levianos, essas pessoas têm vida efêmera.

Combater a corrupção é um dever de todos nós. Tenho cumprido a minha tarefa, não apenas em não praticá-la, mas denunciando onde quer que ela se encontre. Nunca fui omisso, mesmo nos instantes em que sentia que a minha atitude seria incompreendida, pois eu não estaria do lado da corrente que aplaudia. Posicionei-me contra e paguei um preço muito elevado, mas não tergiversei nem me arrependi. Os covardes e os “reservas morais” nessas horas preferem ficar ao lado da correnteza a se somar à luta verdadeira, pois o interesse é o de ficar bem com a platéia. Neste momento, além de coragem e determinação, é preciso ter autoridade moral suficiente para afirmar que não se constrói uma sociedade decente combatendo o crime com a prática de outro crime, nem instalando Tribunais de Exceção ou Cortes Marciais. Numa sociedade que se pretende civilizada não pode existir a figura do “bode expiatório”, por não ser justo nem digno. Não participarei de linchamento moral contra quem quer que seja sem a prova da culpa e, apenas, para satisfação da imprensa ou da massa ignara que, aos berros, vozeia “Crucifica-o!” como no poema de Fagundes Varela.
 
No atual contexto político, dúvida não há de que a sociedade brasileira está impregnada de uma enfermidade contagiosa transmissível na razão da debilidade do caráter e da personalidade dos que se deixam facilmente influenciar pela “culta” ignorância de uns, ou pela “pureza” moral de outros, embora se saiba que esses não representam nada além de um sepulcro caiado.

Almejo que esta deformação de caráter não seja incurável, já que não se pode fazer transplante de caráter, e que ela seja combatida com determinação e destemor para que não se transforme numa pandemia cujos sinais característicos já surgem entre nós. Urge, pois, àqueles que não se encontram contaminados e que possuem anticorpos suficientes não fraquejarem e enfrentarem, com descortino, todas as ignomínias dos blasfemadores a fim de que o mal regrida e não nos transforme numa sociedade deformada pela hipocrisia.

Tenho consciência do mar de lama que representa a corrupção no Brasil. Sei que ela está impregnada em todos os segmentos sociais, sem exceção, e por isso mesmo, deve ser combatida sem tréguas, e esse proceder para mim tem sido um sacerdócio. Daí eu questionar: onde está a dignidade do cidadão que cobra, peremptoriamente, a condenação de uma pessoa sem conhecer, sequer, a prova dos autos? Não há dignidade em quem acusa sem prova, e o pedido que me fazem para condenar nessas circunstâncias é uma indignidade que não condiz com a minha formação moral e Cristã. É por isto que o apelo que me fazem não me comove, apesar dos gritos e das agressões. Não me sinto bem numa sociedade deformada.

Fonte: Informativo do Senador Almeida Lima
jal@senador.gov.br



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