Lula reage às vaias e diz que elas não vão afastá-lo das ruas
A primeira reação pública de Lula às vaias que tem recebido, a partir da abertura do Pan, ocorreu ontem em Cuiabá. Depois de dizer que não tem medo delas e que não vão afastá-lo das ruas, aumentou o tom, afirmando que elas não o intimidam e não vão trancá-lo em seu gabinete. E fez uma espécie de desafio ao dizer que "se quiserem brincar com a democracia, ninguém sabe nesse País colocar mais gente na rua do que eu". E lembrou o ocorrido com Getúlio Vargas e Jango, também vítimas de incompreensão política, segundo ele.
E já prevê uma guerra política nas eleições municipais de 2008
A primeira reação pública de Lula às vaias que tem recebido, a partir da abertura do Pan, ocorreu ontem em Cuiabá. Depois de dizer que não tem medo delas e que não vão afastá-lo das ruas, aumentou o tom, afirmando que elas não o intimidam e não vão trancá-lo em seu gabinete. E fez uma espécie de desafio ao dizer que "se quiserem brincar com a democracia, ninguém sabe nesse País colocar mais gente na rua do que eu". E lembrou o ocorrido com Getúlio Vargas e Jango, também vítimas de incompreensão política, segundo ele.
A reação com ênfase do Presidente ocorre às vésperas da reabertura do Congresso, onde a oposição promete aprofundar as críticas, e coincide ainda com outras manifestações de protesto que estariam sendo organizadas.
Com democracia não se brinca
Na solenidade, Lula decidiu partir para a ofensiva e advertiu: "Se alguém acha que com estupidez vai atrapalhar que a gente faça o que precisa ser feito pode tirar o cavalo da chuva. Ninguém vai me ver de cara feia por isso. Podem ficar certo meus companheiros e companheiras que ninguém vai ficar com saudade de ver o Lula na rua. As ruas desse País de 8,5 milhões de quilômetros quadrados eu vou visitá-las quase todas nesse mandato. Com a democracia não se brinca, o que vem depois dela é sempre muito pior."
E sobre os que o vaiaram: "Não conheço um deles que tem uma biografia que lhe permita sequer falar em democracia nesse País. E eu conheço muitos deles. Quando eu terminar meu mandato em 2010 vou passar para a história como o que mais fez universidade federal nesse País. Além disso, em 97 anos fizeram 140 escolas técnicas. Em 8 anos vamos fazer 160. Isso deve incomodar a muita gente."
Debate político
Desabafando, Lula acabou levando o debate para a área político-partidária: "A política tem um lado mesquinho, um lado pequeno. Quem perde fica dentro de casa acendendo vela cabeça de galo, cabeça de urubu, fazendo coisa para que não dê certo. Mas isso é de uma imbecilidade total, chega a ser uma coisa quase que insana. Acho um exagero a quantidade de mesquinharia que se fala numa campanha. Fui quase um gentleman na disputa com o meu adversário. Ele, que era um gentleman, virou quase que coisa louca na TV, brabo, nervoso. Terminadas as eleições é preciso a gente dar um tempo para o País. que o País tenha um tempo de governabilidade."
E diante desse quadro, previu "uma guerra" em 2008, nas eleições municipais. "Vai ter disputa para prefeito agora. Daqui a um ano começa a guerra, todo mundo xinga todo mundo."
Passando à ofensiva
Ainda reagindo, Lula entrou no debate e polêmica política: "Tenho um compromisso, tenho data definida para deixar o mandato, tenho consciência do que queremos fazer e vamos fazer sem nenhuma preocupação.Todo mundo sabe das relações que eu tenho com o PSDB na maioria dos Estados. Sou amigo de muita gente do PFL e de outros partidos. Não consigo misturar minha relação pessoal com questão partidária, mas tem gente que não pensa assim. Essa gente fez a Marcha com Deus pela Liberdade em 64 que resultou no golpe militar, essa gente que pensa assim levou o Getúlio Vargas ao suicídio, levou João Goulart a renunciar, ficou contente com 23 anos de regime militar e está incomodada com a democracia porque a democracia pressupõe o pobre ter direito, ter Bolsa Família sim." Por fim, até fez elogios ao Parlamento. "Quando vejo gente criticar o Congresso, com todos os defeitos que possa ter o Congresso, eu ponho a mão para o céu todo dia e agradeço a existência dele porque sem ele esse País era muito pior."
Reforma Política
O ministro da Justiça, Tarso Genro levará proposta de debate sobre a reforma política para a reunião do Conselho Político do governo federal, mas acha que ela só sairá se houver ampla mobilização. Mobilização da sociedade conjugada com a negociação política". Para o presidente Lula, o meio para moralizar as campanhas políticas é adotar o financiamento público para os candidatos. E apelou para que o "medo" não limite as ações dos parlamentares e as discussões sobre o assunto.
Cassação
O TRE da Paraíba cassou o mandato do governador Cássio Cunha Lima, do PSDB. O pedido de cassação do governador foi feito pelo PCB, que acusou o tucano de distribuir 35 mil cheques de um programa social no período eleitoral. Além da cassação, o tribunal também decidiu pela inegelibilidade de Cunha Lima até 2009, além da aplicação de uma multa de 100 mil reais. Cunha Lima vai recorrer da decisão junto ao Tribunal Superior Eleitoral.
Pesquisa
Pesquisa Vox Populi apurou que os paulistanos dão 31% de preferência a Alckmin, contra 28% a Marta, 10% ao deputado Paulo Maluf, 9% à deputada Luiza Erundina e 7% ao prefeito Gilberto Kassab e ao deputado Paulo Pereira da Silva, numa disputa pela Prefeitura da capital em 2008.
No cenário estimulado sem Alckmin, Marta venceria com 33%, com Kassab e Maluf em segundo, ambos com 14%, e Erundina em terceiro, com 13%. E em outro estimulado sem Marta e sem Kassab, a vantagem de Alckmin sobre os adversários aumenta: ele passa a ter 40%, superando Erundina, com 22%, e Maluf, com 13%.
Caso Renan
O Senado retoma suas atividades hoje e a oposição tem entre suas metas o caso Renan, colocado em segundo plano por vários fatores, incluindo o recesso. E num momento em que o governo está na defensiva diante do acidente do avião da TAM. Terá o Planalto sobras em favor de seu aliado no Senado? É com essa dúvida e expectativa que o novo semestre político do Congresso reabre.
Carlos Fehlberg
Política para Políticos
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