DataFolha mostra dificuldades no relacionamento entre hospitais e planos de saúde, prejudicando usuário
Com o objetivo de avaliar o relacionamento entre hospitais e operadoras de planos de saúde, bem como conhecer a percepção deles sobre o trabalho desenvolvido pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e a regulamentação do setor, o Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (SINDHOSP) e a FEHOESP - Federação dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo, encomendaram uma pesquisa ao Instituto DataFolha.
Com o objetivo de avaliar o relacionamento entre hospitais e operadoras de planos de saúde, bem como conhecer a percepção deles sobre o trabalho desenvolvido pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e a regulamentação do setor, o Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (SINDHOSP) e a FEHOESP - Federação dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo, encomendaram uma pesquisa ao Instituto DataFolha.
No total, foram realizadas 44 entrevistas com hospitais particulares da Grande São Paulo. A margem de erro é de 9 pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro de um nível de confiança de 95%. Dos entrevistados, 48% ocupam cargos de gerência e 21% de diretoria.
"Além de poder analisar a evolução do relacionamento entre as partes, é importante destacar que a pesquisa foi realizada no mercado paulista, na Grande São Paulo, portanto, onde a concorrência é grande, com muita oferta de serviços. Por ser o maior mercado da saúde suplementar, provavelmente os resultados servem de parâmetro para todo o país", acredita o presidente do SINDHOSP e da FEHOESP, Dante Montagnana.
O estudo mostrou que os hospitais são credenciados, em média, a 64 operadoras. Do total do faturamento, as medicinas de grupo representam 37%, seguidas das seguradoras, com 36%, autogestões (13%), cooperativas (11%) e cartões de desconto (3%).
Os problemas para o usuário
Nos últimos 12 meses, 70% dos hospitais afirmam que tiveram 47 transferências de suas instalações para hospitais próprios das operadoras, em média. Mas para 23% dos hospitais esse número é de mais de 120 casos. "Isso demonstra que o usuário está sendo lesado em seus direitos. Se você compra um plano de saúde com direito ao hospital X, e se você está internado nesse hospital por livre escolha, ou escolha do médico, a operadora não pode interferir nessa relação. Essas transferências são realizadas com o único objetivo de diminuir custos e não para beneficiar o paciente", afirma o presidente do SINDHOSP, Dante Montagnana.
75% dos hospitais também se queixam da demora das operadoras para a liberação de guias, ou seja, procedimentos não são realizados com a rapidez que poderiam. 52% ainda reclamam de falhas no atendimento por parte das operadoras e, 25%, de problemas de cobertura. "Todos esses índices afetam direta ou indiretamente o usuário", alerta Montagnana.
Avaliação das operadoras
A Sul América destaca-se com maior saldo positivo na avaliação das operadoras (+166), nos seis quesitos pesquisados. Ela se sobressai em importância (+68), faturamento (+77) e pontualidade no pagamento (+41). Mas deixa a desejar quanto à remuneração (-21) e ao atendimento (-6). A Unimed Paulistana, segunda melhor avaliada (+123), apresenta saldo positivo em todas as categorias, ou seja, seus percentuais nos indicadores positivos superam os dos negativos. Bradesco sobressai-se especialmente em importância (+52) e faturamento (+61), mas perde em pontualidade no pagamento (-27) e em relacionamento comercial (-16).
Os planos com pior avaliação foram: Blue Life (-64), Intermédica (-23), Dix Amico (-16), Classes Laboriosas (-10) e Marítima (-6), sendo que para a Blue Life o que mais pesa desfavoravelmente é a falta de pontualidade no pagamento (-32).
Glosas e reajustes
A maior parte dos hospitais pesquisados (70%) trabalha com percentuais de glosas (cortes nas faturas) de 7% (média) sobre o total do faturamento. 43% raramente ou nunca recebem comunicado sobre glosas antes do pagamento e 25% só recebem de vez em quando. Como se não bastasse a falta de comunicado, o tempo médio para pagamento ao hospital após o envio de recurso é de 2,3 meses. Para alguns hospitais chega a seis meses. "Os números comprovam o que as entidades representativas denunciam há anos: a glosa como prática para diminuição de custos", acredita o presidente do SINDHOSP.
Questionados sobre os reajustes de diárias e taxas de serviços concedidos nos últimos três anos, 91% dos hospitais afirmaram ter recebido reajuste de 6%, em média, de 41 operadoras. Porém, 23% dos hospitais afirmam que sofreram redução de 8%, em média, nas diárias e taxas por 5 operadoras.
O Coeficiente de Honorários (CH) foi reajustado em 7% (média), por 33 operadoras, para 82% dos hospitais. 16% dos entrevistados afirmam ter sofrido redução no valor do CH, de 6% em média. Quanto à Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM), a maior parte das operadoras não a adotou (61%).
ANS
A percepção do trabalho desenvolvido pela ANS também foi levantada pela pesquisa. 52% dos hospitais afirmam estar bem informados sobre o trabalho da Agência. Numa escala de zero a dez, em que zero significa péssimo e dez excelente, os hospitais avaliaram o trabalho da ANS com nota 5. Quando perguntados se esse trabalho atende às necessidades dos prestadores, a nota creditada ao órgão regulador cai para 4.
Visando a melhoria do desempenho da Agência, 41% dos hospitais sugerem que a mesma assuma um papel de fiscalização do cumprimento dos contratos, da qualidade do atendimento e das glosas. 36% esperam que a ANS aja como mediadora nos contratos e negociações, estabelecendo regras claras e índices de reajuste. 30% pedem mais informações sobre avanços tecnológicos e situação jurídico-financeira das operadoras.
Para o SINDHOSP, a pesquisa mostra que o relacionamento entre hospitais e operadoras melhorou em alguns aspectos, quando comparados ao estudo de 2003, também realizado pelo DataFolha, mas continua ruim em vários outros. "O reajuste, agora concedido para a maior parte dos hospitais, ainda é insuficiente para garantir a melhoria da qualidade da assistência. 27% dos hospitais têm entre 7% e 25% do seu faturamento comprometido com glosas e o número de transferências para hospitais próprios das operadoras vem crescendo. Portanto, ainda há muito por fazer", finaliza Montagnana.
A íntegra do estudo estará disponível para dowload a partir das 15h30 do dia 3 de agosto, sexta-feira, no site www.sindhosp.com.br.
Ana Paula Barbulho (MTB 22170)
Assessoria de Imprensa SINDHOSP
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