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Os desdobramentos da crise

por Sylvio Micelliúltima modificação 10/02/2008 10:31 Agência Dinheiro Vivo http://www.luisnassif.com.br


No cerne do problema está a extraordinária liquidez internacional, isto é, um excesso de riqueza financeira que não consegue ser acompanhada pelo aumento da riqueza real - ativos, fábricas, etc. Com esse descompasso, os preços acabam subindo, subindo, no chamado "efeito bolha", até que uma hora explodem.

Não estão claros os desdobramentos da crise financeira internacional atual.

No cerne do problema está a extraordinária liquidez internacional, isto é, um excesso de riqueza financeira que não consegue ser acompanhada pelo aumento da riqueza real - ativos, fábricas, etc. Com esse descompasso, os preços acabam subindo, subindo, no chamado "efeito bolha", até que uma hora explodem.

Nos últimos anos, esse excesso de liquidez tornou descuidados os grandes bancos internacionais. Passaram a emprestar dinheiro a torto e a direito, sem dispor de garantias adequadas. Em geral o investidor contraía um empréstimo para adquirir determinado ativo, e entregava esse ativo como garantia do empréstimo tomado.

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Esse endividamento (alavancagem, como se diz no mercado) ajudou a estimular ainda mais o jogo especulativo. Foi concedido crédito farto para o mutuário adquirir imóveis nos EUA como para a grande empresa adquirir um concorrente. E as garantias eram os próprios bens adquiridos.

A bolha começou a desinflar a partir do mercado de hipotecas nos EUA. Quando aumentou a inadimplência dos mutuários, houve queda no preço dos imóveis. Caindo, o valor dos imóveis passou a ser inferior ao valor do financiamento concedido. Mais que isso: os bancos costumavam emprestar, depois pegavam a carteira de recebíveis e vendiam no mercado para fundos de investimento, para poder captar mais recursos para emprestar mais ainda.

Quando o mercado começou a cair, muitos dos investidores também tinham tomado dinheiro emprestado para aplicar nesses fundos. Com as cotas dos fundos caindo, não apenas os mutuários como os cotistas dos fundos ficaram a descoberto - isto é, sem garantia para continuar rolando seus empréstimos.

A partir daí, criou-se um efeito-cascata. Quando determinado mercado vai mal, o investidor é obrigado às chamadas de margem - isto é, a aportar mais garantias nas bolsas onde está jogando.  Para isso, é obrigado a vender ativos de outras bolsas para fazer dinheiro. Ao proceder assim, derruba essas demais bolsas, criando o efeito-cascata.

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Há dúvidas de monta pela frente. Se os fundos que aplicaram em papéis especulativos quebrarem, problema deles. Isto é, não haverá desdobramentos maiores, além dos prejuízos que provocarão nos seus cotistas.

A dúvida está no mercado de crédito, nos bancos que emprestaram para essas operações especulativas. Se o problema for muito grande e o número de bancos muito amplo, deixará de ser um problema individual e se terá, aí, uma crise sistêmica.

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Quais os desdobramentos? O que mantém a tranqüilidade externa do país é o montante de reservas cambiais em posse do Banco Central, a redução do passivo externo, o fato dos grandes grupos nacionais terem um pequeno passivo em dólares, e a dívida pública estar menos dolarizada.

Mas o ponto central são os superávits da balança comercial. Grande parte do aumento das exportações decorreu do aumento das cotações de commodities. Se os preços caírem e a quantidade se reduzir, e o superávit comercial cair muito, o jogo começará a ficar mais pesado.

Cansei – 1

Um dos motivos que levaram a Philips do Brasil a publicar o anúncio do "Cansei" , assinado pelo seu próprio presidente Paulo Zotollo, foram as desavenças com a LG em Manaus. Antes, uma guerra em torno de isenções fiscais, da qual a LG estaria sendo beneficiada. Depois, problemas com a falta de fiscalização dos containners recebidos pela empresa coreana. Finalmente uma dívida fiscal que o governo não quer acertar com ela.

Cansei – 2

Antes de publicar o anúncio, a Philips do Brasil consultou a matriz holandesa.  Recebeu luz verde, desde que o movimento não tivesse conotação partidária. Provavelmente nem uma nem outra se derem conta de que a exploração política seria inevitável. Agora, é tratar de salvar o que puder do incêndio.  Nas próximas semanas, a Philips planeja um conjunto de ações para mostrar que, além de criticar, quer também colaborar com o país.

Cansei – 3

Alta fonte do Planalto informou que o presidente da República Luiz Ignácio Lula da Silva fez chegar à matriz da empresa seu desagrado contra o que considerou intromissão política da empresa nas disputas partidárias. E que a Ministra-Chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, cancelou o encontro que teria com o presidente da companhia, que pretendia lhe mostrar um fogão a lenha capas de impedir a poluição nos cômodos das casas que o utilizem.

USB ataca – 1

Sempre que caem preços de ações de bancos de investimento, há uma mudança geral no comando. O CIO internacional do UBS caiu, assim como o responsável pela área de renda fixa. Mesmo assim, o banco não acredita em crise global. Tanto que, na semana passada, aumentou globalmente a alocação de ativos em ações. O Chefe de Pesquisa para a América Latina, Paulo Tenani, reforça essa visão otimista do banco.

USB ataca – 2

O segmento de “subprime” é pequeno. Não tem condição de causar crise financeira nem nos Estados Unidos. No máximo, provocará a queda de alguns “hedge funds”.

Não deverá afetar a economia real. O UBS continua apostando na economia americana crescendo 2% este ano, a mesma aposta do FMI.

Globalmente, o crescimento global continua, o que faz o banco aumentar a aposta em ações.

USB ataca – 3

O processo de desalavancagem está se processando normalmente, sem nenhuma barbeiragem sendo feita pelo FED, ao contrário de Alan Greenspan em 1998, que precisou depois derrubar os juros para 1% para corrigi-la. Bernanke avisou que manterá os juros em 5,25%, o que provocará um ajuste do ciclo normal de crédito, com os piores virando pó, mas sem afetar o sistema. Por tudo isso, o UBS não acredita que essa crise vá bater no lado real da economia.

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