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Professores encerram manifestação com promessa de greve

por Sylvio Micelliúltima modificação 10/02/2008 10:31 Folha Online


"A cada ano cai mais a qualidade de ensino devido à desvalorização do profissional da educação. Nossas reivindicações também são por melhores condições de trabalho. As maiores vítimas deste sistema de péssima qualidade são os profissionais da educação e os alunos", disse o presidente da Apesosp (sindicato dos professores do Estado), Carlos Ramiro.

CAROLINA FARIAS
da Folha Online

Os professores que realizaram manifestação na tarde desta sexta-feira, em São Paulo, terminaram o protesto em frente à Secretaria da Educação, na praça da República (região central de São Paulo) com a promessa de entrar em greve a partir do dia 14, caso o governo não aceite as reivindicações da categoria.

A proposta dos professores é de que o governo incorpore ao salário-base de R$ 668 as gratificações, que elevariam o piso para cerca de R$ 900, além de reposição da inflação para que o salário atinja o valor mínimo de R$ 1.668. O número foi calculado para a categoria pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).

"A cada ano cai mais a qualidade de ensino devido à desvalorização do profissional da educação. Nossas reivindicações também são por melhores condições de trabalho. As maiores vítimas deste sistema de péssima qualidade são os profissionais da educação e os alunos", disse o presidente da Apesosp (sindicato dos professores do Estado), Carlos Ramiro.

Segundo Ramiro, há dois anos a categoria não tem reajuste no salário-base.

Os números sobre a concentração de pessoas são divergentes. Os organizadores estimam que 30 mil pessoas se reuniram na Sé. O número da PM é bem menor: 7.000.

Mais protestos

Até o dia 14, o sindicato deve realizar atividades em todo o Estado, incluindo uma aula pública, no dia 29, e um acampamento entre os dias 10 e 14 na praça da República. Durante a vigília, devem ocorrer outras aulas abertas.

A manifestação da categoria ocorreu de forma pacífica, entre a praça da Sé e a República. Os únicos incidentes registrados pela Polícia Militar foram de pessoas que passaram devido ao calor e falta de alimentação.

Caravanas

Os professores vieram de várias partes do Estado, em caravanas de ônibus. O aposentado Ídolo Luiz Gasparino, 68, com 33 anos de profissão, veio de São José do Rio Preto (440 km a noroeste de São Paulo) para aderir à manifestação. Ele trouxe sua "árvore da miséria" --um guarda-chuva velho onde pendurou seus holerites em demonstração de revolta com o salário dos aposentados.

"A proposta do governo é a pior possível. Esses 12 anos de PSDB produziram analfabetos funcionais. São pessoas que lêem mal e escrevem mal", avaliou Gasparino. Ele afirma que participou do protesto no qual o então governador Mario Covas brigou com manifestantes, em 2000. Na ocasião, Covas foi levou pedradas, bandeiradas e ovadas. "Ele mereceu, era uma traidor."

Já a professora de educação física, Dirce de Souza, 45, que dá aulas há 19 anos, viajou quatro horas de ônibus, entre Jaboticabal (344 km a noroeste de São Paulo) e a capital. "Se não nos manifestarmos, é sinal de acomodação", disse Souza.


Professores realizam manifestação no centro de SP

da Folha Online

Professores da rede estadual de ensino realizam na tarde desta sexta-feira uma manifestação na praça da Sé, centro de São Paulo. A categoria reivindica reajuste salarial.

O protesto ocorre mesmo após o anúncio de um pacote de medidas de valorização do profissional de educação.

Manifestantes que integram a Jornada Nacional de Lutas --organizada pela UNE (União Nacional dos Estudantes) e que conta com movimentos sociais e entidades de classe-- também participam do protesto na Sé.

A expectativa da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) é reunir cerca de 30 mil pessoas. Segundo estimativa da Polícia Militar, entre 6.000 e 7.000 pessoas participam do ato.

Segundo a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), por causa do protesto, há interdições no largo São Francisco e nas ruas Boa Vista e Benjamin Constant.

Após a manifestação, os professores devem seguir em passeata até a Secretaria da Educação, na praça da República (também no centro).

No início da noite, os estudantes afirmam que voltarão a se encontrar na rua Vergueiro, em um protesto por melhorias nas faculdades privadas. De acordo com a UNE, a via foi escolhida por ser uma área que abriga várias universidades.

O ato marca o fim da Jornada de Lutas, que começou na segunda-feira (20).

Jornada de Lutas

Durante a semana, estudantes e integrantes de movimentos sociais realizaram protestos em diferentes Estados. Em São Paulo, a ocupação da Faculdade de Direito da USP, no Largo São Francisco, terminou com a entrada no prédio da tropa de choque, da Polícia Militar, após pedido do diretor da faculdade, João Grandino.

Cerca de 200 pessoas que não deixaram o prédio com a chegada da polícia foram levadas para a delegacia para serem identificadas e liberadas em seguida.

Os manifestantes afirmaram que houve truculência da polícia. A PM rebateu, afirmando que apenas cumpriu o pedido do diretor, em uma ação considerada "calma".

Fonte: Folha Online
Foto: Eder Martinez




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