No TJ-SP, Bellocchi assume maior desafio de sua carreira
Ele é carioca, esportista, faixa preta em judô e desembargador. É viúvo, tem dois filhos e uma neta de nove anos. Do alto dos seus 67 anos e da quarta posição da lista de antiguidade do Judiciário paulista, o cidadão Roberto Antonio Vallim Bellocchi foi eleito presidente do maior tribunal do país. Alçou o cobiçado posto com 190 dos 271 votos válidos, numa eleição marcada por ataques, xingamentos e uma ação judicial que foi parar no STF. Reunidos, esses ingredientes foram uma novidade no formal, litúrgico, elegante e discreto ambiente da magistratura paulista.
Corrida de obstáculos
No TJ-SP, Bellocchi assume maior desafio de sua carreira
por Fernando Porfírio
Ele é carioca, esportista, faixa preta em judô e desembargador. É viúvo, tem dois filhos e uma neta de nove anos. Do alto dos seus 67 anos e da quarta posição da lista de antiguidade do Judiciário paulista, o cidadão Roberto Antonio Vallim Bellocchi foi eleito presidente do maior tribunal do país. Alçou o cobiçado posto com 190 dos 271 votos válidos, numa eleição marcada por ataques, xingamentos e uma ação judicial que foi parar no STF. Reunidos, esses ingredientes foram uma novidade no formal, litúrgico, elegante e discreto ambiente da magistratura paulista.
Ser presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo era um sonho acalentado por Vallim Bellocchi, que entrou para a magistratura com apenas 25 anos, idade base para investidura no cargo. Adolescente de família católica, estudante de colégios salesianos de Campinas e da capital paulista, formado advogado pela PUC de São Paulo, Vallim Bellocchi não abraçou nenhuma religião. Se diz apenas “cristão”.
Filho do contabilista Rômulo Bellocchi e da professora Rally Almeida Vallim Bellcchi, desde pequeno o filho homem do casal Bellocchi se apaixonou por esportes. A influência surgiu dentro da família: o pai praticava natação e a mãe era apaixonada por remo. Vallim se envolveu com o judô. A família Vallim é oriunda do Vale do Paraíba e os Bellocchi vieram da Itália, durante a primeira Guerra Mundial.
No início dos anos 60, para ajudar nos custos da universidade fez um curso rápido de jornalismo, no sindicato da categoria, e dividiu a vida entre os bancos da escola, estágios em escritórios de advocacia e o trabalho de “foca” no jornal A Gazeta Esportiva, onde trazia notícias que iriam abastecer a coluna de judô daquele diário paulista. Também trabalhou no jornal O Faixa Preta, da Federação Paulista de Judô.
O futuro presidente quer marcar sua gestão pelo que chama de administração participativa da comunidade judiciária. “Vamos trabalhar com diálogo. Essa será uma administração aberta à contribuição de desembargadores, juízes e servidores”, diz Bellocchi.
Entre o discurso e a prática, o próximo presidente terá pouco tempo para mostrar a que veio. O Judiciário paulista reclama, com urgência, uma administração moderna, condizente com os tempos de hoje onde acontece uma quase universalização da justiça, com grande demanda da sociedade. E nesse ambiente, um grande juiz pode ser um péssimo gestor.
Vallim Bellocchi tem como primeira tarefa derrubar a barreira da desconfiança. Mostrar que não se enquadra naquela figura antiga de juiz formal, fechado, discreto, silencioso e distante. Deixar um pouco de lado a toga e mostrar que mais que um magistrado é um administrador público, ciente da enorme tarefa de ditar um rumo moderno ao maior tribunal estadual de justiça.
Fomos encontrar o homem que vai dirigir o destino da justiça paulista no biênio 2008/2009 quase isolado em uma ampla sala do último andar do velho prédio onde funciona a sede do Poder Judiciário, no centro da capital de São Paulo. Sem assessores ou sequer uma secretária, apenas se fazia acompanhar de um escrevente que atendia telefonemas e anunciava as visitas.
O presidente eleito procurou demonstrar confiança no futuro da instituição. Disse que o resultado já era esperado pelo apoio do “forte grupo” que confiou em suas propostas. Vallim Bellocchi não deu importância ao argumento de que foi beneficiado pela regra de antiguidade, que norteou o pleito deste ano, e retirou da disputa outros quatro candidatos que não se adequavam à norma.
“Pretendo, na medida do possível, dar seqüência aos projetos iniciados e implantados nas gestões passadas, respeitando, obviamente, o orçamento de que dispõe o tribunal”, disse o presidente eleito, antecipando a intenção de dialogar.
A seguir, trechos da entrevista à revista Consultor Jurídico:
ConJur — Como o senhor pretende encaminhar a paz no Tribunal depois da guerra eleitoral?
Vallim Bellocchi —
ConJur — Mas a campanha deixou seqüelas. O presidente Celso Limongi, por diversas vezes, disse que o critério eleitoral favorecia da “gerontocracia”, numa referência à democracia que beneficia apenas os mais antigos, incluindo o senhor?
Vallim Bellocchi —
ConJur — E sobre a Loman (Lei Orgânica da Magistratura Nacional), o senhor acha que ela envelheceu?
Vallim Bellocchi —
ConJur — Então, vivemos novos tempos?
Vallim Bellocchi —
ConJur — O presidente Celso Limongi chegou propondo uma revolução. Tomou diversas iniciativas, mas vai sair deixando o Tribunal praticamente na mesma situação. Dá para fazer uma revolução em dois anos?
Vallim Bellocchi —
ConJur — Ser bom juiz é condição para ser bom administrador?
Vallim Bellocchi —
ConJur — Mas o que a gente vê no Tribunal é o império da formalidade em detrimento da gestão?
Vallim Bellocchi —
ConJur — A principal crítica feita contra sua candidatura foi a de não ter experiência administrativa?
Vallim Bellocchi —
ConJur — O Tribunal de Justiça tem solução?
Vallim Bellocchi —
ConJur — Como enfrentar a formalidade?
Vallim Bellocchi —
ConJur — Mas como fazer para que a inovação deixe de ter um caráter pessoal de cada juiz e passe a ser uma política institucional?
Vallim Bellocchi —
ConJur — O que falta para melhorar?
Vallim Bellocchi —
ConJur — Como o senhor pretende enfrentar a questão orçamentária? A falta de verba para melhorar a informática, a infraestrutura e a qualificação dos servidores?
Vallim Bellocchi —
ConJur — Agora há uma frente parlamentar...
Vallim Bellocchi —
ConJur — O senhor está falando muito em gestão participativa. Como isso vai se dar?
Vallim Bellocchi —
ConJur — O senhor falou do modelo de informática?
Vallim Bellocchi —
Revista Consultor Jurídico
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