Os riscos inflacionários de 2008
Para o economista, foi a combinação de inflação baixa, queda do dólar em relação ao real e as reduções da Selic (a taxa básica de juros) até 11,25% que contribuiu para a expansão do crédito e, conseqüentemente, para a ampliação do consumo.
Patrícia Büll
A melhora do emprego, da renda e o acesso fácil ao crédito foram alguns dos fatores que impulsionaram a economia interna em 2007, agindo diretamente sobre o aumento do consumo. Mas, na opinião do professor José Francisco Vince de Moraes, chefe do departamento de Economia da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), foi a inflação controlada que possibilitou todos esses avanços.
"Se ainda tivéssemos inflação alta, como era há pouco mais de dez anos, todos esses ganhos não representariam nada, pois a escalada dos preços consumiria essas conquistas. Se é que elas existiriam", afirma Moraes.
Para o economista, foi a combinação de inflação baixa, queda do dólar em relação ao real e as reduções da Selic (a taxa básica de juros) até 11,25% que contribuiu para a expansão do crédito e, conseqüentemente, para a ampliação do consumo.
Para Márcio Nakane, coordenador do Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe), entre os fatores que poderão afetar a inflação em 2008, o mais preocupante é justamente a economia interna.
"Nós temos vários indicadores de atividade doméstica, como o de renda e do faturamento do comércio mostrando que a atividade está muito robusta. E, do ponto de vista da inflação, isso é um problema, já que pode ocasionar uma inflação de demanda", afirma Nakane.
Segundo o coordenador do IPC-Fipe, outra incógnita será saber o que ocorrerá com os preços dos alimentos. "Em 2007 nós aprendemos que o preço de alimento joga a inflação para patamares muito elevados rapidamente. De longe, a alimentação foi o que mais pressionou a inflação em 2007." Além de fatores climáticos, ele cita o cenário internacional muito favorável às commodities agrícolas para essa pressão de preços.
Guardião – Apesar disso, o economista da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas destaca que a atuação do Banco Central será fator determinante para o comportamento da inflação. "Como o BC tem por política o regime de meta de inflação – e leva esse papel de guardião a sério – seguramente em 2008 a autoridade monetária estará muito focada em seu objetivo, que é perseguir a meta central de 4,5%."
Fonte: Diário do Comércio
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